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Você aceitaria ser um Cartola? 3ª Parte - Jornalistas, Promotores e Ex-Dirigentes.. PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 28 January 2016 22:17

É muito comum lermos e ouvirmos críticas à atuação da Confederação Brasileira de Automobilismo por parte de setores da mídia, de chefes de equipe e pilotos, independente da categoria. , além de ex-dirigentes de órgãos do nosso esporte.

 

Decidimos então perguntar, dentro deste micro universo do automobilismo nacional, quem deles aceitaria um convite para sair candidato à Presidência da CBA, ou ser um dos Vice-Presidentes, ou mesmo assumir uma diretoria. Nesta terceira rodada, os ouvidos foram Jornalistas, Promotores de Categoria e Ex-dirigentes do automobilismo.

 

O que eles disseram? Os leitores do Site dos Nobres do Grid saberão logo abaixo:

 

Reginaldo Leme – Comentarista da TV Globo e Sportv.

Hoje não, de jeito nenhum. Nunca houve até hoje nenhum comentário ou ideia neste sentido da parte de quem quer que seja... tem coisas que só vocês mesmo para perguntar, de onde vocês tiram essas coisas? Mas eu gostei da pergunta.

 

Sinceramente... eu toparia enfrentar um desafio desses um dia, mas agora não teria como. Para fazer isso eu teria que parar com meu trabalho na Globo. Para algo no futuro eu gostaria de enfrentar este desafio. Ao longo de tantas décadas no meio a gente acaba aprendendo um pouco e logicamente todo mundo tem uma opinião, uma sugestão e uma vontade de poder ajudar.

 

Eu chamo de desafio porque não é algo que requer apenas conhecimento técnico, requer uma capacidade de fazer política como se você fosse o presidente de um país, onde é preciso que haja um pensamento coletivo para se promover mudanças. Eu gostaria que o Nelson [Piquet] aceitasse ser esta pessoa para fazer estas mudanças, mas ele já disse que não quer.

 

Se eu tivesse este convite, esta oportunidade, eu mudaria muitas coisas no nosso automobilismo, mas a principal seria criar meios de que uma categoria de base, entre o Kart e a Fórmula 3 se estabelecesse no Brasil. Pegar uma fábrica de veículos, e eu sei que existe uma fábrica interessada que é a Renault e a gente sentar, planejar, estruturar e fazer essa categoria acontecer. Eu gosto do Cleyton [Pinteiro], acho que ele é uma pessoa bem intencionada, mas que não está conseguindo fazer aquilo que ele pensou.

 

Maurício Slaviero – Diretor Executivo da VICAR.

Não, não poderia aceitar. Meu negócio é ser promotor, fazer eventos como nós fazemos acho que fazemos bem feito. Ser dirigente foi algo que nunca passou pela minha cabeça e eu acho que eu não tenho o perfil adequado para isso. Além disso, eu penso que é preciso ter muito tempo e muita dedicação para isso, que é algo que exigiria uma dedicação exclusiva para que um trabalho pudesse ser bem feito.

 

Nestes anos em que estou trabalhando no automobilismo fora das pistas (Maurício Slaviero foi piloto da Stock Car nos anos 90) em venho percebendo que o trabalho da CBA tem melhorado no trato dos problemas do esporte, na relação com os promotores, na sua organização interna.

 

Acho que a atual administração encontrou um caminho e está indo na direção certa. Tem que continuar o que está fazendo e procurar ser cada vez mais profissional. É um trabalho que leva tempo, as coisas não se resolvem de uma hora para outra e só com persistência e trabalho sério como o que tenho visto as coisas podem continuar no caminho certo.

 

Paulo Scaglione – Ex-Presidente da CBA.

Não. Inclusive a pergunta é oportuna uma vez que recusei recentemente um convite para assumir um cargo na Federação de Automobilismo de São Paulo. Uma vice presidência. Todos que me conhecem sabem que eu sou um profissional de automobilismo, não sou político, e é muito difícil se pensar em fazer alguma coisa pela CBA da forma que o sistema que a mantém está ou vai ser entregue a alguém. Quem vier a ser o próximo presidente ou é louco ou é um aventureiro ou então ache que realmente tenha condições de fazer algo.

 

A única forma de se fazer a CBA dar certo seria ela acabar e começar de novo. A CBA nasceu no inverso do que seria o caminho correto para se ter uma representatividade de competição junto à FIA uma vez que o automóvel clube dedicava-se a parte de mobilidade. Criaram a CBA e saíram pelo Brasil criando federações que a legitimasse. O correto eram os clubes criarem federações e estas criarem a confederação.

 

O que existe hoje é que das 20 federações de automobilismo no Brasil não existem mais que 5 federações que realmente cumpram com o estatuto da CBA. As demais são federações fantasma. São federações que o presidente está lá há anos e lá irá continuar porque é conveniente estar lá e ele vota para manter o sistema como está.

 

Hoje a CBA não comanda o automobilismo brasileiro. Quem o faz são os promotores. Eles determinam datas, fazem seus calendários, bem ou mal, criam conflitos como foi o caso do ano passado com a data de dezembro em São Paulo. Faltou e falta capacidade de administrar. A CBA é quem deve comandar os destinos do automobilismo.

 

Agora a CBA está cuidando do que? De kart, e aí incluiu o kart indoor. Um esporte lúdico, que não leva a lugar nenhum e mais recentemente os track days, que não são competição de nada, que são carros normais que vão para a pista e que não tem itens de segurança de competição. Eles estão cada vez se perdendo mais.

 

É preciso que se faça uma ‘limpa’ na CBA, que se acabe com essas federações fantasma como é hoje a federação do Rio de Janeiro e muitas que estão espalhadas pelo Brasil que mal tem um ou outro clube para promover competições, campeonatos, não apenas uma corrida, de três categorias distintas como exige o regimento para ter uma federação.

 

Thiago Marques – Promotor da Sprint Race.

É uma boa pergunta e algumas pessoas nestes últimos seis meses já vieram fazer uma pergunta senão parecida, pelo menos no mesmo sentido.

 

Eu nunca fui envolvido com política, mesmo por que nunca achei que tenho perfil, aptidão para me envolver em assuntos de política. Isso já seria o suficiente para eu não me animar a querer ter um cargo dentro da CBA, qualquer que seja ele.

 

Por outro lado, como um apaixonado por automobilismo, é difícil não pensar que posso ajudar de alguma forma para melhorar o automobilismo no Brasil, fazer algo de positivo, ter a caneta na mão para fazer algo que funcione, efetivamente, para o bem do nosso esporte.

 

O dirigente ideal tem que ser alguém que, em primeiro lugar, goste do esporte. Além disso, penso que teria que ser algum empresário de sucesso, bem relacionado, que tenha interesse pelo esporte, mas que fosse alguma cara nova, alguém que não estivesse envolvido no automobilismo hoje. Alguém que se disponha a envolver-se integralmente nesse propósito. Não sei se temos esta pessoa que penso ser o dirigente ideal, mas é o que penso.

 

Neusa Felix – Promotora da Fórmula Truck.

Eu acho que seria muito difícil como promotora conciliar o meu trabalho com um cargo diretivo na CBA. Ser Presidente da CBA ou fazer parte da sua diretoria exige muita seriedade e comprometimento. Ser promotora de um evento me colocaria numa condição conflitante e por isso eu penso que não poderia aceitar um convite neste sentido.

 

O problema maior nem seria a questão de tempo, de me dedicar a fazer um bom trabalho e fazer coisas positivas, mas sendo eu promotora de um evento, haveria sempre o questionamento sobre eu, sendo promotora de um evento, não estaria ou não poderia estar tomando decisões que beneficiasse a minha categoria em detrimento de outras.

 

Por isso que, enquanto promotora, não. Eu não aceitaria. Mas, um dia, não sendo promotora de categoria, se um convite viesse a ocorrer, eu aceitaria este desafio e faria o meu melhor porque o automobilismo brasileiro precisa de uma CBA que cumpra aquilo que está lá escrito em seus estatutos.

 

Gostei muito deste questionamento. A gente precisa discutir estes assuntos de forma séria. Não estou aqui questionando a seriedade dos que hoje estão na CBA, mas é fato de que muito do que poderia e deveria ser feito não está acontecendo. Existem muitos pontos de interrogação.

 

Claudio Carsughi – Jornalista que dispensa apresentações e escreve para o UOL além de trabalhar na Radio Nacional no RJ.

Nem por sonho! Eu fujo de qualquer cargo político seja ele direta ou indiretamente ligado. Mas estou completamente aberto a ajudar em qualquer seguimento, colaborando informalmente, mas daí a aceitar um convite desta natureza está completamente fora de propósito.

 

Eu vejo um momento muito difícil na administração e no fortalecimento do automobilismo brasileiro, reflexo da situação econômica que o país está passando. O problema é que se nós não conseguimos alavancar o automobilismo anos atrás quando a situação econômica do país estava num cenário em que tudo parecia contribuir para um futuro brilhante, neste momento de crise fica muito mais difícil encontrar uma montadora que esteja disposta a investir e outros investidores que usariam o automobilismo como meio de exposição também não demonstram mais este interesse por não verem mais perspectivas de retorno de seu investimento no automobilismo.

 

Além disso, se chegamos a uma condição de que um piloto correr aqui no Brasil talvez seja mais caro do que correr em algumas das categorias menores na Europa, é extremamente difícil convencer a garotada que sai do kart a ficar aqui e não ir para o exterior.

 

Dener Pires – Promotor da Porsche GT3 Cup Challenge.

Eu penso que tudo o que pode ser profissionalizado, que pode ser melhorado será sempre bem vindo. Eu acho que não existe nenhuma entidade ou empresa que não possa passar por um processo que a leve a conseguir alguma melhora. Então eu acredito que a profissionalização da gestão do automobilismo brasileiro através de uma administração profissional na CBA seria algo extremamente positivo.

 

Quanto a eu assumir uma posição dentro da CBA, para mim seria impossível por completa falta de tempo e assim eu não estaria sendo coerente com aquilo que eu penso. Eu não tenho como deixar o meu trabalho hoje para assumir integralmente e profissionalmente uma entidade como a CBA.

 

Como promotor de uma categoria, fazer parte de alguma forma, assim como outros promotores de categoria aqui no Brasil, devemos sim fazer parte. Dialogando, procurando soluções e melhorias, contribuindo como podermos, pessoas envolvidas que somos para o aprimoramento dos regulamentos, da organização e com isso criarmos um canal para promover melhorias no sistema. Haver algo como uma comissão dos promotores para ser ouvida e contribuir com o processo de gestão seria algo que eu aceitaria participar.

 

Napoleão Ribeiro – Ex-Presidente da FADF.

Não! No momento não e não há nenhuma possibilidade. Enquanto o sistema brasileiro que regulamenta o esporte, seja o automobilismo ou outro qualquer for configurado neste formato de Confederação e Federações estaduais não há a menor possibilidade de se um bom trabalho em prol do esporte.

 

O que temos visto há décadas são defesas de interesses pessoais ao invés de interesse pelo esporte. Na época em que fui presidente da Federação do Distrito Federal eu lutei para mudar este tipo de coisa, mas com a atual legislação é impossível fazer qualquer trabalho. Veja que quem são os dirigentes do esporte. São pessoas de estados que não tem projeção nenhuma no cenário esportivo. Estamos vendo isso com o futebol e também vemos no automobilismo.

 

Veja o caso específico da CBA, que dispõe de cerca de 20 federações. Dessas, poucas praticam verdadeiramente o esporte, entre elas, SP, PR, RS, etc. Mas a grande maioria, que tem peso nas decisões e, sobretudo na eleição/reeleição dos dirigentes da CBA, existem quase que exclusivamente para isso e, assim, precisam receber a atenção redobrada (elas representam votos importantes) da direção da CBA.

 

Outro problema é a falta de profissionalismo. As pessoas criam artifícios para serem remuneradas. Existem despesas desnecessárias com elas, como a ida de seus dirigentes às assembleias e aos eventos internacionais (F1, Indy, etc.).

 

Por outro lado, quando se tem uma presidência dependente desses votos, como é a maioria, federações com automobilismo forte, mas que aspiram ao comando da CBA, como é o caso da FASP, ficam à margem das decisões. É uma situação bastante complicada.

 

Há também também o problema do Tribunal. Ele está diretamente relacionado com a diretoria, muito embora a legislação e as declarações afirmem ao contrário. Veja que a posse dos seus membros, no caso da CBA. Está vinculado à eleição da diretoria, conforme consta do estatuto que se refere às eleições, que estabelece a indicação e posse das duas no mesmo período. Esses membros, que deveriam ser independentes, recebem diárias, passagem e credenciais para a F1. E isso é fácil de entender, é esse tribunal que decidiria no caso de “impedimento” do presidente.

 

É preciso mudar a legislação. Deveríamos copiar o modelo de Ligas que existe nos Estados Unidos. Veja o real retrato do nosso automobilismo. Se formos analisar, ele tem duas “Ligas”: a “Liga VICAR” com a Stock Car e as outras categorias e a “Liga” Truck, com a Fórmula Truck. E a CBA apenas tira dinheiro de ambas e as federações estaduais idem.

 

Enquanto este sistema perdurar, o esporte no Brasil não vai crescer.

 

Carlos Col – CEO da + Brasil Esportes e Ex-Proprietário da VICAR.

Não! Isso não coincide com meus objetivos de vida e nem com os meus negócios. Não teria como conciliar minhas atividades com um cargo na CBA qualquer que fosse ele.

 

Eu gostaria de ver não apenas no automobilismo,mas também em todos os esportes e por que não dizer na gestão do próprio país que é ver uma evolução e não o que temos visto em termos de gestão esportiva. A maior das organizações esportivas do país, que é a gestão do futebol, vemos a CBF há anos cheia de problemas, envolvendo inclusive outras questões piores.

 

Acredito que não só eu, mas todos nós que gostamos do automobilismo gostaríamos de ver uma revolução na gestão do esporte. Com mais profissionalismo, menos política, com projetos concretos e executáveis, algo que há muito tempo não vemos

 

Francisco (Chico) Rosa – Ex-Administrador do Autódromo de Interlagos e Nobre do Grid.

Olha, dependendo de quem viesse a ser meus colegas de chapa, poderia sim aceitar o convite como já aceitei, por algumas vezes o convite para a administração de Interlagos. O importante é saber o que você, estando lá, vai ter condições de fazer. Até onde você poderá agir.

 

Eu sou um pouco crítico à CBA. Nunca achei que eles fizeram o melhor trabalho. Alguns fizeram algumas coisas, outros fizeram outras, mas o conjunto do trabalho sempre deixou a desejar. Ao longo destes anos houve uma perda de quantidade e qualidade no nosso automobilismo e a CBA deveria se preocupar mais com isso.

 

Veja que há duas décadas, a quantidade de pilotos brasileiros correndo no exterior era um número considerável e hoje temos muito poucos pilotos correndo lá fora. A nossa representação diminuiu muito e isso é um problema de automobilismo de base. O processo de formação de pilotos no Brasil estagnou. Está parado! A formação dos nossos pilotos precisa ser revista, precisa ser aprimorada. Desde o kart este problema precisa ser analisado e reformulado.

 

O outro ponto que eu vejo como necessário de ser revisto é na formação do próprio pessoal da CBA. É preciso investir no aprimoramento dos comissários técnicos e desportivos para que eles trabalhem melhor junto as categorias. Entendendo melhor as mesmas, analisando melhor, julgando melhor. Eles precisam aprender mais.