Alô galera que lê os Nobres do Grid... Salve Jorge!
Feliz e veloz ano para todos! Vamos continuar acelerando nesse início de 2026 ainda falando de retrospectiva sobre o que aconteceu em 2025. Vamos falar agora do primeiro passo que nossos pilotos deram em busca do sonho da Fórmula 1 falando sobre as principais competições da FIA Fórmula 4, que além dos dois fortíssimos campeonatos da Itália e da Espanha, este ano de 2025 teve uma oportunidade de “confronto direto” entre os pilotos das duas categorias nacionais (ambas repletas de estrangeiros) com um campeonato – curto é verdade – europeu. FIA Fórmula 4 Itália Com um grid beirando os 40 pilotos em quase todas as etapas, a categoria de entrada mais disputada da Europa teve o brasileiro Gabriel Gomez entre seus destaques. Nosso piloto competiu pela equipe US Racing e precisou enfrentar o esquadrão da poderosa equipe Prema, ainda dominante na categoria, com muito pouca ajuda em termos de referência com seus companheiros de equipe, longe do seu nível de competitividade. As duas primeiras etapas do campeonato – Misano e Vallelunga – foi no formato da divisão dos pilotos em 4 grupos e tendo quatro corridas, onde os pilotos ficavam compulsoriamente de fora de uma delas. Nas seis corridas que disputou – três em cada uma das etapas – Gabriel Gomez conseguiu 3 pódios antes de vencer sua primeira corrida, na última disputa em Vallelunga. Contudo, viu que além da grande força da principal equipe da categoria, eles tinham o japonês Kean Nakamura-Berta como um diferencial, tendo ele vencido 5 das 6 corridas que disputou. Era o adversário a ser batido! A 3ª etapa foi disputada em Monza e Gabriel Gomez buscava compensar na habilidade e no arrojo a diferença de equipamento e conseguiu fazer dois pódios em 3 corridas, vendo que além de Nakamura-Berta, tinha que enfrentar outros pilotos da Prema, especialmente Sebastian Wheldon (filho do falecido piloto Dan Wheldon), além de Salim Hanna e Newman Chi. Na etapa seguinte, em Mugello, os principais postulantes ao título foram surpreendidos por um inspirado Alex Powell, que venceu 2 das 3 corridas, mas em termos de pontuação, Gabriel Gomez, apesar da desvantagem para Kean Nakamura-Berta, continuava com chances, mas tinha que brigar muito contra Sabastian Wheldon, principalmente. Fazer Top-5 ou pódios não era suficiente. Ele precisava vencer. A etapa de Ímola viu Gabriel Gomez ir para o alto do pódio na primeira corrida e tinha tudo para repetir o feito na segunda corrida. Porém, uma tempestade daquelas de fechar aeroportos caiu sobre o circuito e a segunda corrida foi cancelada, tendo apenas duas provas concluídas. Na etapa seguinte, em Barcelona, foi a 3ª corrida a prova cancelada. Gabriel Gomez voltou a vencer, mas o abandono na 1ª corrida, disputada no sábado, pesou na disputa pelo título. O encerramento da temporada aconteceu em um retorno a Misano e no que seria uma condição quatros corridas com a divisão em grupos como foi na abertura da temporada, devido ao cancelamento da corrida 2 em Ímola foi realizada uma 5ª corrida (por este critério, deveriam ter feito mais uma levando em conta o cancelamento em Barcelona). Gabriel Gomez ainda tinha chances matemáticas de ficar com o título, mas o abandono (na verdade, o brasileiro nem largou) na 2ª corrida, a que seria sua primeira de três (na verdade 4) definiu o campeonato a favor de Nakamura-Berta, cabendo a Gabriel Gomez, mesmo vencendo a corrida seguinte e no final fazendo uma P2, ficar com o vice-campeonato derrotando Sebastian Wheldon e todo restante dos pilotos da Prema. FIA Fórmula 4 Espanha Depois de tornar-se o segundo campeonato mais importante da categoria, tanto em número de pilotos no grid como a nível das disputas, a FIA Fórmula 4 Espanha vem crescendo ano a ano e com corridas muito disputadas tem colocado seus melhores pilotos em boas equipes nas categorias subsequentes à esta porta de entrada na Europa, inclusive atraindo muitos brasileiros. Nesta temporada tivemos 3 dos nossos representantes fazendo a temporada integral: Miguel Costa, pela equipe Campos Racing (que venceu o título de construtores e pilotos com Thomas Strauven), Filoppo Fiorentino com a Drivex e Alexander Jacoby com a Monlau Motorsport. Ricardo Baptista e Rogério Grotta, que disputaram a temporada da FIA Fórmula 4 Brasil participaram de duas etapas, assim como Rafaela Ferreira, pilota da F1 Academy, que foi inscrita em duas etapas, mas participou de apenas uma. Entre os nossos pilotos quem conseguiu se sair melhor foi Miguel Costa, que conseguiu marcar pontos em 6 das 21 corridas disputadas, conseguiu largar entre os 10 primeiros algumas vezes, mas que não conseguiu ir ao pódio (sua melhor colocação foi um 4° lugar em Barcelona na 1ª corrida da etapa final). Como novato, a performance de Miguel Costa não pode ser considerada ruim em um campeonato tão disputado. O brasileiro foi o 14° no campeonato com 27 pontos. Como em qualquer categoria, ter um equipamento competitivo é fundamental e as equipes de Filippo Fiorentino e Alexander Jacoby não ofereceram um equipamento capaz de proporcionar aos nossos pilotos disputar posições entre os 10 primeiros. Filippo Fiorentino conseguiu, com muito esforço, pontuar em duas corridas e somar 3 pontos, sendo o 20° colocado no campeonato. Alexander Jacoby – assim como os brasileiros que participaram de algumas etapas – ficaram sem marcar pontos. Euro 4 – FIA Fórmula 4 Europa O Campeonato E4 de 2025 foi a terceira temporada do Campeonato E4 (anteriormente denominado Campeonato Euro 4). Trata-se de um campeonato de automobilismo com múltiplas etapas, para carros de fórmula de roda aberta, regulamentado de acordo com os regulamentos da Fórmula 4 da FIA, organizado pela ACI Sport e pela WSK Promotion, utilizando o chassi Tatuus F4-T421, o mesmo usado em larga escala, inclusive aqui no Brasil, que teve Gabriel Gomez participando regularmente e Aurélia Nobels, que disputou apenas a 2ª etapa. O campeonato teve 9 corridas, em três rodadas triplas, tendo sido iniciado na segunda quinzena de julho, com os campeonatos nacionais já tendo feito ao menos duas etapas. As corridas de abertura foram disputadas em Le Castelet, na França, depois Mugello e encerrando em Monza, ambas – evidentemente – na Itália. Mais uma vez o desafio de Gabriel Gomez era enfrentar os pilotos da equipe Prema, estando novamente entre eles o “samurai” japonês, Kean Nakamura-Berta, além dos adversários que ele já enfrentava na equipe Prema no campeonato italiano. No campeonato europeu, contudo as coisas começaram diferentes, com o piloto da US Racing vencendo duas corridas e chegando à frente de seu maior adversário nas três provas disputadas na França. Infelizmente essas foram as únicas vitórias que Gabriel Gomez conseguiu no campeonato. Na etapa seguinte, em Mugello, nosso representante sequer conseguiu ir ao pódio e perdeu a liderança do campeonato. Nesta etapa, Aurélia Nobels, fazendo seu último ano na F1 Academy, esteve na pista com um carro da AS Motorsport ao lado de Mathilda Paatz. Nenhuma delas conseguiu pontuar. Dependendo de derrotar seu grande adversário no campeonato italiano da categoria, Gabriel Gomez foi para Monza com o título de vice-campeão da FIA Fórmula 4 já definido, mas podendo “dar o troco”, vencendo o campeonato continental, mas encontrou seu grande adversário do ano num final de semana inspiradíssimo (Nakamura-Berta venceu as 3 corridas) e mesmo fazendo dois pódios e uma espetacular corrida de recuperação na última prova, coube ao nosso piloto mais um vice-campeonato. F1 Academy A categoria dedicada às pilotas que buscam projeção teve sua terceira temporada disputada em 7 etapas com corridas na Europa, Ásia e América do Norte. Este ano tivemos duas pilotas brasileiras no grid: Aurélia Nobels, integrante da Academia da Ferrari por vencer o FIA Girls on Track em 2022, correndo pela equipe ART e Rafaela Ferreira, destaque na FIA Fórmula 4 Brasil no ano passado, competindo pela equipe Campos Racing, com suporte da Red Bull através da Racing Bulls. A disputa pelas vitórias entre Maya Weug, Doriane Pin e Chloe Chambers não demorou a por a verdadeira ordem do campeonato, com eventuais participações de Ella Lloyd e Alisha Palmowski no pódio. Rafaela Ferreira impressionou bem na etapa de estreia, na China, pontuando nas duas corridas, sentido oposto ao de Aurélia Nobels, que se envolveu em acidentes a abandonou ambas as provas. Em Jeddah as duas brasileiras ficaram fora dos pontos, voltando a pontuar na confusa etapa de Miami (EUA) devido as chuvas, que provocou o cancelamento da 2ª corrida, compensada com uma prova extra no Canadá, etapa seguinte, onde novamente as brasileiras passaram em branco. Com mais conhecimento do carro a cada prova, nas três últimas etapas Rafaela Ferreira foi conseguindo ser mais consistente, mas apesta de pontuar em 4 de 5 corridas, eram nas posições mais do final dos pontuáveis. Aurélia Nobels conseguiu fazer algumas corridas mais eficientes do que veio fazendo em uma temporada e meia e obteve um 4° lugar em Singapura para na etapa seguinte – a última do ano – repetir a posição na pista, mas com a desclassificação de Alisha Palmowski – ser classificada como 3ª colocada e ter sua melhor colocação antes de se despedir da categoria (as pilotas só ficam 2 anos na F1 Academy – ou 1, caso sejam campeãs na estreia). Rafaela Ferreira terminou o campeonato em 12° lugar e Aurélia Nobels uma posição abaixo com 18 e 17 pontos respectivamente. E assim concluímos assim mais um desafio, acompanhando as categorias de base com os brasileiros buscando uma oportunidade de crescer no automobilismo internacional em qualquer dos continentes pelo mundo e vamos continuar tentando manter o compromisso da coluna semanal. Um abraço a todos, Genilson Santos Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. |