| Olá leitores!
Como estão? Espero que todos bem. Já se recuperaram dos exageros alimentares da passagem de ano? Por aqui, confesso que resolvi assumir que 50+ não dá pra abusar e mantive a moderação… até porque eu tinha que trabalhar dia 02/01. Como mais uma vez não acertei aquelas 6 dezenas para colocar em andamento os meus planos, então o jeito é se comportar dessa maneira. Mas enfim, o ano começou e com ele o mais tradicional rali raid do mundo, aquele da marca Dakar, embora agora aconteça a mais de 6.500km de distância de voo de Dakar. Sábado tivemos o prólogo, e a primeira etapa aconteceu neste domingo. Mais uma vez, um trajeto totalmente dentro dos limites da Arábia Saudita, e devemos ter muita, mas muita areia fofa para complicar a vida dos pilotos. Dentre as motocicletas, vitória do espanhol Edgar Canet (apesar do sobrenome, zero parentesco com o Aron Canet), da equipe oficial de fábrica da KTM, acompanhado no pódio pelo seu colega de equipe, o australiano Daniel Sanders em 2º e pelo estadunidense Ricky Brabec, da equipe oficial Honda, em 3º. Único representante brasileiro nas motos, Luciano Gomes, que corre na Rally2 com apoio da equipe MED Racing Team, terminou o primeiro dia de competição em 57º entre as motos e 42º na categoria Rally2. Seu objetivo é terminar a corrida, o que para um piloto já veterano de participações no Rally dos Sertões que faz sua estreia em 2 rodas no Dakar é o foco realista a se ter. Dentre os carros, o primeiro dia de competições teve a vitória de Guillaume de Mévius (Mini X-Raid Team), que colocou 40 segundos de vantagem sobre o Dacia do campeão Nasser Al-Attiyah e quase um minuto e meio sobre o 3º colocado, Martin Prokop, que após 10 anos correndo com um Ford Raptor privado agora está ao comando de um carro oficial de fábrica, sob os cuidados da Orlen Jipocar Team, que na prática é a tradicionalíssima M-Sport, com décadas de experiência lidando com os Ford. O brasileiro Lucas Moraes, também integrante da fortíssima equipe The Dacia Sandriders, terminou o primeiro dia em 11º lugar, apenas 33 segundos atrás da lenda Sébastien Loeb, também seu companheiro de equipe. Adendo: imaginem só como deve ser aquela reunião com os pilotos e o chefe de equipe. Você olha para um lado, Al-Attiyah. Olha pro outro, Loeb. Olha pra outro, a Cristina Gutiérrez, primeira mulher depois da Jutta Kleinschmidt a vencer uma categoria do Dakar (no caso, a Challenger). Tá fraco de companheiros de equipe o Lucas, só que não. Temos também a dupla brasileira Marcos Moraes e Fabio Pedroso, que compete com um Toyota Hilux preparado pela equipe SVR e terminou o primeiro dia na 42ª posição. Na categoria T3.1, protótipos de peso leve, Enio Bozzano está como navegador do protótipo MMP T3 Rally-Raid, com seu motor VW 3 cilindros 1.0 de 185cv. Sim, é isso mesmo que vocês leram, praticamente um Up Tsi Stage 3. Terminaram em 13º na categoria Challenger. Na mesma categoria, temos Carlos Sachs navegando para o chileno Ignacio Casale, terminando em 19º com um protótipo Taurus da equipe BBR Motorsport. A categoria dos SSV (que são tipo uns protótipos dos UTVs) costumava ter mais representantes brasileiros, dessa vez só um, e como navegador. Maykel Justo navegou o luso Gonçalo Guerreiro para a 5ª posição no primeiro dia. A categoria dos caminhões não tem participação brasileira (aguardando as empresas patrocinarem o Shrek e o amigo Ivanilson para botarem pra quebrar nas areias do deserto), mas a competição continua acirrada. O primeiro dia terminou com o Iveco Powerstar preparado pela equipe InstaTrade Loprais Team De Rooy e pilotado por Ales Loprais (sobrinho do Karel Loprais, que conquistou 6 títulos dentre os caminhões entre 1988 e 2002 e que veio a falecer em 2021) na primeira posição, seguido pelo MM Dakar Evo4 da equipe Eurol Rallysport com motor FPT de 13 litros pilotado por Mitchel van den Brink em 2º e pelo MM Dakar Evo4 da própria equipe de fábrica, pilotado por Martin Macik, em 3º. Acharam os caminhões desconhecidos? Pois é, são os protótipos. Esse ano participam os seguintes modelos além dos dois já citados: na T5.1 (protótipos), o Renault C460, o Hino 600 e o Tatra Buggyra EVO3. Na categoria T5.2 (caminhões de assistência dos carros e motos) temos os MAN TGS, TGE e TGA, o Tatra 815-2 (com um interessante motor diesel V-12 refrigerado a ar), um Scania de 13 litros de capacidade cúbica identificado no site de maneira meio genérica como Torpedo, Iveco T-Way e Trakker, Daf CF75 e Volvo FMX. Após o prólogo e a primeira etapa feitas na cidade de Yanbu, na segunda etapa eles vão para AlUla (sim, a grafia é essa mesma, com uma maiúscula no meio; também achei estranho), com 104km de ligação e 400km de especial cronometrada, com a 3ª etapa começando e terminando nessa cidade no dia 6, e dia 7 começa a primeira etapa maratona do rali (aquela em que não se pode contar com a ajuda dos mecânicos nem do equipamento que está nos caminhões de suporte para a manutenção do equipamento ao fim do dia), neste dia começando e terminando em AlUla e no dia 8 saindo de AlUla para Hail. Dia 9 vão de Hail para Riyadh, com longos 589km de ligação e apenas 331 cronometrados, e sábado dia 10 é dia de descanso, com os competidores retornando à competição domingo dia 11, saindo de Riyadh e indo para Wadi Ad Dawasir com 414km de ligação e 462km cronometrados. Agora saindo um pouco do mundo do off-road, uma notícia que li essa semana passada que, sinceramente, só pude dar risada. Ferrari, aquela equipe altamente organizada, que consegue gerir tudo com a mais plena eficiência, vai fazer os testes de pré-temporada com DOIS CARROS DIFERENTES. Sim, vocês leram isso mesmo. Objetivo, segundo os comediantes da periferia de Modena, é “testar diferentes configurações”… após soltar uma sequência de impropérios digna do Shrek quando os locutores soltam uma bobagem muito grande, cheguei à conclusão que já devem estar testando algo para o carro de 2027, pois pelo jeito o de 2026 já foi para o vinagre (não era bem esse o termo, mas enfim…) antes mesmo da temporada começar. Eu não quero iniciar o ano zoando esse pessoal, mas os pocotós vermelhos também precisam fazer a parte deles, não é uma estrada de mão única… difícil. Até a próxima! Alexandre Bianchini Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid.
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