Todos os dias em que chega em seu colégio ou nos treinos de natação, Yuri Menozzi Brandão é mais um adolescente que leva uma vida semelhante aos meninos de sua idade, mas que o encontra nos finais de semana nos autódromos – no Brasil e no exterior – tem a oportunidade de conhecer um verdadeiro fenômeno de mídia. Extremamente desenvolto, articulado e dono de um excelente inglês, Yuri Turbo (não deixem de segui-lo no Youtube, no instagram e Tiktok) transita com desenvoltura e credibilidade nos boxes, paddocks e salas de imprensa das grandes categorias internacionais e nacionais. Conversamos com seu pai, Sr. Vladimir Brandão e, autorizados, entrevistamos este grande repórter mirim, Yuri Turbo. NdG: Como o seu pai nos disse, você hoje está com 15 anos, mas nós já temos visto você há algum tempo circulando nos autódromos e fazendo este excelente trabalho. Conta pra gente, como foi que surgiu o Yuri Turbo? Eu tinha 9 anos quando pedi para os meus pais para ter um canal no Youtube. Meus pais acharam melhor, não. Yuri Turbo: Eu sou fã de automobilismo desde muito novo e meus pais sempre me incentivavam e como criança, eu comecei a colecionar carrinhos, modelos. Um dia cheguei para meu pai e pedi para ter um canal no Youtube. Eu tinha uns 9 anos. Meus pais acharam melhor não. Então veio pandemia, onde a gente ficava muito preso em casa, e eu pedi novamente para ter um canal no Youtube. Eles concordaram e aí eu comecei. No início, eu comecei a fazer vídeos sobre os carrinhos que eu tinha, explicando as marcas, as características, essas coisas. Passados dois meses eu pedi para eles para fazer umas ‘lives’... e meus pais disseram não. Daí eu disse que queria entrevistar os pilotos. Meu pai nunca tinha mexido com automobilismo, mas ele foi maravilhoso e começou a procurar um jeito de eu entrevistar um piloto. Ele conseguiu o contato de Afonso Giaffone e ele foi o primeiro piloto que eu entrevistei, entrevista online, pois ainda estávamos na pandemia. Afonso Giaffone colocou meu pai e eu em contato com outros pilotos e as entrevistas foram acontecendo. Quando acabou a pandemia e com ele já conhecendo os pilotos, a gente começou a pedir credenciamento de imprensa para fazer entrevistas no autódromo. Como moramos em São Paulo, começamos por Interlagos e desde então, todos os finais de semana eu estou no autódromo, cobrindo uma categoria diferente. NdG: Uma coisa que é comum nesse meio da imprensa que cobre o automobilismo é que quem encara fazer uma cobertura em autódromo, andando de um lado para outro, garimpando oportunidades para produzir material é a paixão. Você é um apaixonado? Como nasceu a sua paixão? Yuri Turbo: Sou um apaixonado desde sempre. Minha primeira palavra foi “carro” e eu sempre pedia para meus pais me levarem para ver todos os tipos de eventos que tinham carros, como o Salão do Automóvel, que infelizmente não temos mais, apresentações de Monster Jam e muitos outros. Até que que veio a pandemia e não tinha mais nada, mas minha paixão por carros e depois por automobilismo só crescia. NdG: Como foi se descobrir repórter de autódromo, indo para os eventos e vendo esse mundo do automobilismo tão de perto? Yuri Turbo: Quando a gente conseguiu nosso primeiro credenciamento em 2021, numa competição da LDA (Liga Desportiva de Automobilismo) em São Paulo, que reúne diversas categorias no autódromo, é um final de semana com muitas corridas, muitos pilotos. Foi minha primeira experiência fazendo as entrevistas pessoalmente. Depois conseguimos credenciamento para uma etapa da Copa Truck e em seguida conseguimos credenciamento para a Stock Car e para a Porsche Cup. Além dos eventos de corridas também começamos a participar de feiras e exposições, até chegarmos nos eventos internacionais. NdG: Quando você apareceu nos autódromos todos perceberam esse trabalho diferenciado que você faz. Como as pessoas reagiram à chegada de Yuri Turbo? Eu comecei com 11 anos e todos olhavam para mim e viam uma criança, mas sempre me trataram muito bem. Yuri Turbo: No início muitas pessoas disseram não para certas coisas por eu ser um menor de idade, por questões de segurança, mas isso eu entendia. O importante é que todos me recebiam muito bem e isso até engraçado. Hoje eu estou com 15 anos. Eu comecei com 11 e eles olhavam para mim e viam uma criança, mas sempre me trataram muito bem e foram vendo que o trabalho do Yuri Turbo era um trabalho sério. Todos me tratam muito bem hoje, tive oportunidade de conhecer bastante gente nesses anos e hoje eu tenho mais acesso e não tem nada melhor do que isso. NdG: Seu trabalho logo se destacou, com sua desenvoltura e pelo conteúdo de suas perguntas. Como vocês conseguiram ser vistos por quem está fora do país? Qual foi o primeiro evento internacional? Yuri Turbo: O primeiro evento internacional foi as 24 Horas de Le Mans de 2024 e que também fizemos, com a proximidade das datas, as etapas da Porsche Cup em Portugal. Foi muito legal porque a gente já estava programado para ir para o Mundial de Endurance, mas logo em seguida tinha as corridas da Porsche Cup em Portugal, que a gente acabou fazendo também. Já que a gente ia para a Europa, as datas ajudaram e conseguimos fazer os dois eventos. Foi uma grande oportunidade, conheci além do circuito de Le Mans o autódromo do Estoril. NdG: Todo mundo que vai às 24 Horas de Le Mans fala que é uma experiência indescritível. Não vou te pedir detalhes, por favor, apenas põe pra fora o que você sentiu estando lá... eles te convidaram para ir para lá? Como eles “descobriram” o Yuri Turbo? Yuri Turbo: Não estava nada programado. Aconteceu uma coletiva de imprensa aqui no Brasil antes da vinda, na verdade do retorno do Campeonato Mundial de Endurance para o Brasil e nós fomos. Aproveitamos o evento, participamos, eu fiz pergunta e depois fui fazer entrevistas. A gente tem uma agência que trabalha conosco e eles fazem essa parte de contatos com os eventos e o que eu faço são as entrevistas. Nossa agência fez os contatos e conseguiu o credenciamento para irmos para Le Mans. NdG: Nisso tudo, uma coisa é inegável: é a tua iniciativa, teu desembaraço com um microfone na mão e uma câmera te filmando, é a tua desenvoltura que colocou você onde você está, a ponto de uma agência se associar ao Yuri Turbo... Eu não falo sobre meu trabalho no colégio. Para mim, a escola é um local de estudo, não de mídia social. Yuri Turbo: Sim, a agência que trabalha conosco é quem dá todo esse background, cuidando das postagens das redes sociais. É uma grande parceria entre nós e tudo que as pessoas estão vendo é o resultado de um trabalho conjunto. Para fazer um trabalho no nível que temos era preciso ter um trabalho de apresentação, de divulgação, de buscar marketing. A nossa parceria é ótima para eles e para nós. NdG: Está evidente que quando você vem para um grande evento, como a Fórmula E, onde estamos, há um planejamento. Como vocês fazem isso? Yuri Turbo: Nós fazemos um estudo do evento (na verdade eu mesmo faço isso). Vemos como ele vai ser, a sequência das coisas, os pilotos que virão para o evento, quais as equipes, que pessoas importantes estarão no evento e com isso organizamos uma agenda de quem vamos entrevistar e venho com meu pai, as vezes minha mãe vem junto e produzimos o material que a agência vai postar nas redes sociais. NdG: Com certeza quem sabe quem é você, e muita gente já sabe, sabe que você é um sucesso. Como é a busca da tua página, por exemplo, pelos teus colegas no colégio? Yuri Turbo: É uma coisa que eu não falo sobre o trabalho, procuro ser só o Yuri no colégio. Eu procuro separar as coisas. Claro, as vezes alguém vem e chega, pergunta coisas porque descobriu o canal e me viu entrevistando um piloto. Eu tento não entrar em detalhes, falar só o básico e cortar o assunto. Para mim escola é lugar de estudo, não é lugar de mídia social. Eu tenho um acordo com meus pais: no autódromo eu sou o Yuri Turbo, o youtuber, o jornalista. Na escola eu sou o Yuri, o aluno que estuda, que brinca, um aluno como os outros alunos. NdG: As pessoas que te veem no autódromo e no Youtube não conhecem o Yuri fora do automobilismo. Você se importa em falar um pouco do Yuri de fora do autódromo? Meu sonho é ir para a Inglaterra depois de terminar a escola aqui no Brasil e fazer algo à comunicação. Yuri Turbo: Eu sou um aluno normal, que estuda, faz esportes, que tem hobbies... eu adoro fotografia. Principalmente paisagens. Sempre que viajamos e vamos conhecer outros lugares em todo lugar que eu acho bonito eu tiro uma foto. Eu também sou um colecionador. Não só de carrinhos, eu coleciono diversas coisas. Tem uma coisa que eu amo: museu! Eu amo museu, gosto de visitar nas viagens os museus, sempre coisas diferentes, ter uma oportunidade de aprender sobre a cultura local. Se eu viajo como o Yuri Turbo para ir a um autódromo, eu tento arranjar tempo para também aprender com aquela viagem. NdG: A gente teve oportunidade de conversar um pouco nas 6 Horas de São Paulo, você me perguntou sobre intercâmbio. Ao longo da vida as vezes a gente muda de planos. Hoje, o que o Yuri gostaria de fazer em termos de estudo para o Yuri adulto? Yuri Turbo: Meu sonho é ir para a Inglaterra depois de terminar a escola aqui no Brasil e fazer minha faculdade lá. Eu ainda não defini o que eu quero fazer, só sei que tem que ser ligado a comunicação, mas quero estudar no exterior. Ainda tem tempo para decidir isso, mas em relação ao destino, isso eu já tenho em mente. Ir para a Inglaterra vai permitir eu melhorar meu inglês e com um inglês clássico. Estar na Inglaterra é estar perto de Silverstone e, de trem, posso ir para outros países e ir a outros autódromos, alguns dos mais importantes do planeta e eu nunca vou ficar sem conteúdo. |