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O Futuro Dominador do WRC? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 01 February 2026 21:33

No inicio desta década, o WRC pensava que tinha alguém que poderia dominar a competição para essa e as próximas, podendo até ameaçar e bater os recordes de Sebastien Loeb e Sebastien Ogier. Quando se soube que um adolescente finlandês, filho de um piloto de ralis, andava a bater recordes de precocidade atrás de um carro, parecia que tinha tudo para dominar a competição.

 

Mas no final de 2025, aos 25 anos, e depois de dois títulos mundiais, em 2022 e 2023, o finlandês Kalle Rovanpera chocou parte do mundo dos ralis ao decidir trocar a estrada pela pista, indo competir em monolugares na temporada de 2026, na SuperFormula japonesa, com o objetivo de chegar à Formula 2 – e quem sabe, à Formula 1 – antes do final da década.

 

Ao mesmo tempo, sem que muitos olhassem com atenção, outro jovem promissor estava a aparecer, e depois da conclusão do rali de Monte Carlo, a primeira prova da temporada, já estão a ver como o futuro do WRC. E se alcançar o título, poderá ter algo inédito até agora: o de ser o primeiro filho de campeão do mundo a alcançar o seu próprio título. Falamos de Oliver Solberg, piloto oficial da Toyota, e curiosamente, o substituto de Kalle Rovanpera.

 

 

Nascido a 25 de setembro de 2001 - tem, na altura em que se escrevem estas linhas, 24 anos - e com seis dias de diferença para Kalle Rovanpera - mas o finlandês é um ano mais velho, pois nasceu a 1 de outubro do ano 2000 - a família dele está metida nos ralis. O pai, Petter Solberg, foi campeão do mundo em 2003, pela Subaru, e tem uma carreira bem consolidada, o seu tio, Henning Solberg, participou ativamente no Mundial, como piloto privado, e até a sua mãe, Pernilla Walfridsson (nome de solteira), também tem participações nos ralis. Aliás, Oliver está a competir com licença da Suécia, país da sua mãe, em vez da Noruega, país do seu pai e tio.

 

Contudo, pode-se imaginar que ele, sendo filho de Petter Solberg, e com um “background” entre peças e volantes - o seu primeiro contacto com este ambiente, como espectador, foi em... 2002, no Chipre, ainda não tinha um ano - a sua caminhada tenha sido fácil, semelhante a Kalle Rovanpera. Mas não foi assim. Aliás, o seu primeiro contacto com os Rally1 foi uma desilusão.

 

 

Apesar dos pais não o terem forçado a escolher os ralis, aos oito anos de idade começou a correr no crosskarting, com bons resultados - campeão norueguês e nórdico - em 2017, aos 15 anos, passou para os ralis, correndo no campeonato letão, um dos poucos que dá oportunidades a jovens com menos de 16 anos para competir. Vice-campeão em 2018, batido apenas pelo local Martins Sesks - hoje em dia, outro promissor piloto no WRC, ao serviço da Ford - em 2019, foi campeão com um Volkswagen Polo GTi R5, com cinco vitórias, e no final dessa temporada, já com 18 anos, estreou-se no WRC no rali de Gales.

 

A temporada de 2020 foi uma de evolução, e a sua primeira chance aconteceu em 2021, quando a Hyundai o convidou para andar num dos seus i20 WRC. Um quinto posto no rali de Monza foi algo prometedor, e em 2022, fez uma temporada completa pela marca coreana.

 

 

Mas foi um desastre: apesar do sexto posto na Suécia, e depois, um quarto lugar no rali de Ypres, na Bélgica, e um quinto posto no rali da Nova Zelândia, os 33 pontos alcançados foram muito aquém das expectativas, ainda por cima, quando ao mesmo tempo, a Toyota tinha Rovanpera e esta caminhava, imperativamente, para o título mundial. A sua dispensa, dois ralis antes do final do campeonato, mostrava que, mesmo tendo 21 anos, e sendo quase um ano mais novo que o finlandês, parecia ainda não ter amadurecido o suficiente, ou tão rapidamente quanto Rovanpera.

 

Por causa disso, nas duas temporadas seguintes, 2023 e 2024, e a conselho dos pais, decidiu andar num Rally2, primeiro um Skoda Fabia, depois um Toyota GR Yaris Rally2, em 2024, que deu o treino suficiente para correr o rali da Estónia, em julho, num carro de Rally1 e, surpreendendo tudo e todos, ao ganhar a prova, perante pilotos bem mais velhos e mais experimentados que ele. E até bateu Rovanpera, que foi seu companheiro de equipa nesse rali e acabou na quarta posição.

 

 

Pensava-se que iria correr, mais tarde, noutro rali com esse carro, mas no final, existiam prioridades: afinal de contas, havia um título de Rally2 para ser ganho, e depois de dez vitórias nas últimas três temporadas, acabou por ser campeão a três jornadas do final, e assim, ficar pronto para o Rally1, porque a Toyota decidiu confirmar para a temporada de 2026. Ironicamente, ele irá substituir... Kalle Rovanpera, que decidiu tentar a sua sorte nas pistas, indo competir para a SuperFormula japonesa, e eventualmente, em 2027 ou 2028, subir para a Formula 2.

 

E no primeiro rali do ano, em Monte Carlo, perante um cenário de chuva, gelo e neve... Solberg dominou. O seu triunfo, com uma vantagem superior a um minuto sobre veteranos como Thierry Neuville e Sebastien Ogier - vencedor do Monte Carlo por nove ocasiões - deixou os peritos de boca aberta com a sua capacidade de andar numa superfície traiçoeira, com inúmeras possibilidades de sair de estrada e de terminar o seu rali. Aliás, ele chegou a sair de estrada, na 12ª especial do rali, no sábado, mas apesar de perder meio minuto e ter tido ajuda dos espectadores para voltar para a estrada - no WRC, isso é permitido - Solberg... acabou por vencer a especial!

 

E ainda por cima, este foi um dos ralis que nem o seu pai, nem o seu tio, nunca ganharam.

 

 

Com duas vitórias nas duas vezes que andaram num Toyota GR Yaris de Rally1, e o seu próximo rali ser “em casa” e debaixo de neve – irá ser o rali da Suécia e se realizará entre os dias 12 e 15 de fevereiro - as expectativas estão a ser altas, especialmente depois da sua performance num rali tão difícil como o de Monte Carlo. E se acabar novamente no lugar mais alto do pódio, poderá ser que ele esteja a caminho de, não só algo inédito no mundo dos ralis, como também ser o futuro do WRC, um lugar que parecia ser de Kalle Rovanpera, mas acabou, inesperadamente, nas mãos – ou no pé direito – do filho de Petter Solberg.

 

Saudações D’além Mar, 

 

Paulo Alexandre Teixeira  

 

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Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid.

    
Last Updated ( Monday, 02 February 2026 09:47 )