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As dificuldades do Autódromo do Algarve PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Saturday, 29 June 2013 12:10

A crise económica que a Europa - e um pouco o mundo - atravessa, teve consequências nos vários projetos existentes um pouco por todo o mundo, ao qual Portugal não foi alheio. Não é só nos “tilkódromos” como o da Coreia do Sul ou da India, que foram construídos "no meio de nenhures" e que agora são uma enorme dor de cabeça para os promotores. O Autódromo Internacional do Algarve, que foi construído na zona de Portimão e inaugurado em outubro de 2008, está em dificuldades e é mais uma das vitimas da crise do imobiliário. Neste caso, o irlandês.

 

No final do ano passado, soube-se que a Parkalgar, empresa que gere o Autódromo, estava a fazer um plano de reestruturação das suas dívidas, que são neste momento de 160 milhões de euros. E isso implica, por exemplo, o perdão de mais de 40 milhões de euros e o alargamento dos prazos da dívida até 15 anos. Nessa altura, a 3 de novembro de 2012, o jornal “Publico” publicou um artigo a falar sobre a situação da Parkalgar e sobre as razões pelo qual o circuito, apesar de ter uma ocupação elevada, não consegue livrar-se deste fardo pesado.

http://www.publico.pt/economia/noticia/autodromo-do-algarve-afundouse-com-a-crise-no-imobiliario-irlandes-1569947

 

Eis um excerto do artigo escrito na altura por Idálio Revez:

 

“O que afundou este projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), reconhecem, foi a crise no sector imobiliário. Por concluir ficou um hotel de cinco estrelas, com 194 quartos e 160 apartamentos, mais um parque tecnológico que não se construiu. A falência do grupo irlandês Harte Holding, com que a empresa tinha assinado um contrato de compra e venda dos apartamentos e hotel, deixou a Parkalgar numa situação periclitante. Ainda recebeu de sinal dois milhões de euros, em 2009, mas o negócio de 34 milhões e 350 mil euros pela venda dos apartamentos, mais sete milhões pela venda do terreno do hotel, não se concretizou.

 

 

O circuito automobilístico, apesar de o aluguer ser dos ‘mais elevados da Europa’, diz o plano, tem conseguido obter taxas de ocupação "elevadíssimas", sempre superiores a 85%. Para o futuro, a empresa retoma a ideia de desenvolver o projecto como ‘um todo’, compaginando a área do desporto automóvel com os negócios do imobiliário, tendo no sector imobiliário/turístico ‘uma das peças fundamentais desta estratégia e deste plano de viabilidade’. O hotel, construído com recurso a uma linha de crédito do BCP, parou as obras em Março [de 2012]. A dívida acumulada a credores (bancos e fornecedores) "impede a gestão da empresa em moldes que permitam sustentar a sua viabilidade económica.

 

“A estratégia para recuperar a empresa passa pela ‘ocupação permanente’ da pista, captando eventos e marcas internacionais. Mas há um ‘pressuposto fundamental’, lê-se no documento, que é a ‘conclusão imediata’ do complexo turístico (hotel e apartamentos). O sector imobiliário representa "um potencial de receitas brutas de cerca de 38 milhões de euros.

 

 

Além do autódromo e de um kartódromo, o projecto prevê ainda a construção de um parque tecnológico, com dez lotes de terrenos que no total possuem uma capacidade de construção de 60 mil metros quadrados, mais um lote para um complexo desportivo com dez mil metros quadrados.

 

O Plano Especial de Revitalização prevê para 2013 e anos seguintes alcançar um volume de negócios de 10,1 milhões de euros pelo aluguer do autódromo e do kartódromo, mais 13,5 milhões com a venda de apartamentos. Num cenário de crise no imobiliário, uma das peças fundamentais da estratégia passa pela ‘finalização da construção dos apartamentos’, sendo também ‘necessário que o hotel previsto para o complexo esteja terminado e apto a ser explorado'.

 

O empreiteiro que arrisque avançar com a obra não terá um ‘prazo fixo’ para o retorno do investimento, mas estima-se que o reembolso poderá ocorrer num período de dois anos. No que diz respeito aos credores comuns, é-lhes proposto um prazo máximo de 15 anos para serem ressarcidos da dívida. Em alternativa, poderão optar pelo pagamento através do recebimento de apartamentos e lotes do futuro Parque Tecnológico. O Estado poderá vir a liquidar a dívida num prazo até 12,5 anos. O fisco terá a receber mais de 318 mil euros euros, a Segurança Social 295 mil euros e o maior credor - o Millennium BCP - 117,35 milhões de euros. (…)”

 

 

Antes de se lançar criticas só por gosto - toda a gente inteligente já topou que noventa e muitos por cento das criticas que se lê por aí na Net é puro lixo - quem lê isto entende que as receitas que o autódromo têm atualmente servem para manter a estrutura a funcionar e pouco mais. Enquanto não se arranjar capital para fazer avançar os outros projetos, que foram feitos para que o autódromo pagasse os empréstimos que fizeram viabilizar todo este complexo, era preciso reestruturar a dívida de forma a que não se tornasse insustentável.

 

Mas quem também tem a inteligência para olhar para este artigo e ir para além do seu próprio umbigo, há de reparar que as coisas andam todas interligadas. Vivemos num mundo onde as fronteiras foram há muito esbatidas, mas em termos da nossa mentalidade, ainda vivemos no nosso cantinho, achando que o mundo acaba no final da rua. É certo que existem, quer em Portugal, quer no resto do mundo, “elefantes brancos”, projetos que foram construídos e que representaram dezenas, senão centenas de milhões de euros - dólares, reais, yuans, ienes, etc... - de utilidade altamente duvidosa. Eu vivo numa cidade, que é Leiria, onde a sua câmara municipal irá pagar durante mais de vinte anos um estádio de futebol que tem pouca - senão nenhuma – utilização para a prática de desportos, porque manter o complexo é caro e quando acontece, está “às moscas”, praticamente sem público.

 

 

E se alguém quiser apontar aos “elefantes brancos” portugueses, gosto de lembrar sempre que a Formula 1 corre desde há alguns anos a esta parte em elefantes brancos na Coreia do Sul ou Índia, e correu também na Turquia. Nesses tilkódromos, os governos locais gastam, em média, entre 30 e 40 milhões de euros por ano só para receber a Formula 1, metade dos quais vão diretamente para o bolso da firma de Bernie Ecclestone. Quase nunca encheram e não se sabe quando - e se - é que vão encher.

 

Como vêm, elefantes brancos há em todo o lado, uns mais inúteis do que outros. E caso algum dia a Formula 1 corra em Portimão, mesmo com o projeto imobiliário parado, existe a garantia de que, com a oferta hoteleira existente naquela zona do país, os seus visitantes nunca iriam passar as noites em motéis…

 

 

Post Sciptum: Por estes dias, a Policia Judiciária prendeu o vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão (chegou até a engolir provas!) devido a acusações de corrupção e desvio de fundos da empresa municipal da cidade para projetos megalómanos que nunca se concretizaram. O nome da Parkalgar nunca esteve envolvido neste caso, mas até agora, eles não contaram todos os pormenores.

 

Saudações d’além mar,

 

Paulo A. Teixeira

 

 

 

 

 

Last Updated ( Saturday, 29 June 2013 12:55 )