Com a realização da etapa da Alemanha, tudo voltou ao normal no WRC, tanto em relação ao mundial de pilotos, quanto ao de construtores. A chegada das etapas de asfalto colocou fim, ao menos por enquanto, às constantes reclamações de Sebastien Ogier de que estaria sendo prejudicado pelo fato de ter que "limpar" a pista nos dois primeiros dias de provas nas etapas de neve e cascalho. Coincidência ou não, ele voltou a vencer. Depois de um longo e inesperado jejum de seis provas Sebastien Ogier conquistou a vitória na etapa e encaminhou de maneira inequívoca a conquista de seu quarto título mundial. Mas a contrário do previsto, a prova não foi nada fácil para o francês, já que nos primeiros trechos, enfrentou a forte concorrência de seu companheiro de equipe, Andreas Mikkelsen, o qual acabou o primeiro dia na liderança da prova, mesmo não sendo um especialista neste tipo de piso. Mas, posteriormente, devido a alguns erros e problemas mecânicos ocorridos com o norueguês, os adversários de Ogier foram os pilotos da Hyundai, Dani Sordo e Thierry Neuville, com Mikkelsen terminando o rally apenas na quarta colocação. Mas o fato que marcou a etapa da Alemanha, além de boa disputa pela vitória, foi sem dúvida nenhuma, o forte acidente envolvendo a dupla francesa Stephane Lefebvre e Gabin Moreau, os quais vinham imprimido um ritmo forte, inclusive, vencendo especiais, mas acabaram destruindo seu Citroen DS3, sofrendo varias lesões e fraturas. Devido ao acidente a prova chegou a ser paralisada por algum tempo para possibilitar o resgate dos acidentados. Restando apenas quatro provas para o final da temporada, com uma vantagem de 59 pontos sobre Mikkelsen, com apenas 112 pontos em jogo, a conquista do título por parte de Ogier não passa de uma mera formalidade. Com isso, Ogier entrará para o seleto grupo dos Tetracampeões mundiais de rally, junto a Juha Kankkunen e Tommi Makinen. Mas em que pese a grande vantagem de Ogier na classificação do campeonato, ela não reflete a realidade do que foi a temporada, visto que tivemos, até o momento, seis pilotos diferentes no lugar mais alto do pódio, e o mais importante, representando 3 marcas diferentes. Das equipes que disputam o WRC, apenas a Ford ainda não conquistou nenhuma vitória, devido principalmente a infelicidade de Ott Tanak, que liderava com folga a etapa da Polônia, quando nos últimos quilômetros, um furo num dos pneus de seu Fiesta tirou as esperanças da primeira vitória da carreira do estoniano, assim como prolongou o longo jejum da equipe Ford no campeonato. Devido aos fortes temporais que se abateram sobre a China, causando danos irreparáveis nas estradas, a etapa de estreia do país no WRC que seria realizada entre os dias 08 a 11 de Setembro acabou sendo cancelada. Com isso, Ogier irá disputar a próxima etapa em casa, a Tour de Corse, na França, entre os dias 29/09 e 02/10. Por falar em Sebastien Ogier, ele tem pressionado a FIA de maneira incisiva no sentido de alterar a regra que determina que o líder do campeonato deve abrir o rally nos dois primeiros dias de competição, chegando até mesmo ao ponto de ameaçar não disputar a temporada de 2017 caso essa regra não seja revista. Mas esse é o preço que se paga por ser o líder do campeonato, e o fato é que muitos pilotos gostariam de estar na situação de Ogier. A pluralidade de vencedores na temporada demonstra claramente que a regra está correta, pode não ser boa para o Ogier, mas é ótima para o campeonato. Além disso, nas etapas de asfalto, o líder leva vantagem pelo fato de pegar a pista limpa, sem a terra jogada pelos demais competidores quanto "cortam" às curvas pela grama, ainda mais se houver a ocorrência de chuvas. Situação semelhante ocorre nas provas disputadas na neve. No tocante as reclamações, Ogier está para o WRC assim como Vetel está para a F1. Chamou a atenção na etapa Alemã a visível evolução dos carros da Hyundai, os quais venceram vários trechos e terminaram a prova pouco mais de 20 segundos atrás de Ogier, preocupando integrantes da equipe VW, a qual possui de longe o maior orçamento do WRC. Além disso, a equipe VW perdeu seu diretor geral, Jost Capito, o qual deixou a equipe para assumir o cargo de CEO da McLaren na F1, sendo substituído pelo belga Sven Smeets, ex navegador do WRC. Resta saber se Smeets terá a mesma competência de Capito para continuar conduzindo a VW em direção às vitórias a aos títulos. O campeonato de 2016 está mais emocionante do que o previsto, sendo o melhor dos últimos anos, pois apesar do final ser previsível, as provas estão sendo imprevisíveis, para alegria dos espectadores. Até a próxima pessoal! Marcos Tokarski
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