Alô galera que lê os Nobres do Grid... Salve Jorge!
Nesse final de semana tivemos a abertura dos campeonatos mundiais das categorias de acesso à Fórmula 1 – a FIA Fórmula 3 e a FIA Fórmula 2 – que nesta temporada está bem limitada de representantes brasileiros, tendo apenas Rafael Câmara na disputa da FIA Fórmula 3. As projeções do campeonato apontam para uma temporada difícil para o brasileiro, com um concorrente muito forte e rápido dentro da própria equipe Trident (Noah Stromsted), além de outros pilotos que andaram muito bem no teste pré-temporada da categoria em Barcelona. Para boa parte dos pilotos, a abertura do campeonato será um desafio inédito para mais da metade do grid, entre eles o nosso representante. Na manhã da sexta-feira (início da noite no Brasil) tivemos o treino livre da categoria. Tínhamos sol, mas a temperatura ainda estava amena para os 45 minutos de treino programado. Aberta a pista e com cronômetro na regressiva os pilotos não demoraram a ir pra pista e na segunda volta já tivemos o acionamento do virtual safety car, mas como um exercício e na 3ª volta os pilotos coram descobrindo, emborrachando e acelerando. Rafael Câmara deu apenas a volta de instalação e voltou para os boxes. Faltando 33 minutos Rafael Câmara foi para a pista. Os tempos estavam na casa de 1m36s, mas como os pilotos estavam com pneus médios em uma pista verde, esses tempos certamente iam cair. A primeira volta completa do brasileiro veio com 27 minutos para o fim do treino em 1m36,618s e na segunda volta 1m34,901s, mesmo diante do desconhecimento do narrador (Napoleão de Almeida) e do comentarista (Thiago Mendonça) de que a Trident é a atual bicampeã da categoria (Gabriel Bortoleto em 2023 e Leonardo Fornaroli em 2024). Foi o primeiro a entrar na casa de 1m34s. Com 16 minutos para o Fim Tim Tramnitz tomou a P1 provisória de Rafael Câmara enquanto o brasileiro havia retornado aos boxes e o alemão aproveitou a pista bastante livre. Rafael Câmara voltou pra pista faltando 10 minutos para o final da sessão. Após aquecer os pneus em uma volta ele acelerou e marcou 1m34,652s, voltando para a P1. Louis Sharp ficou parado em uma posição perigosa a 6 minutos do fim e a direção de prova colocou a bandeira vermelha. Como em treino livre o cronômetro continua correndo, o treino terminou com o brasileiro na P1. Depois do treino livre 1 da Fórmula 1 era chagada a hora do treino de classificação que definiria o grid para as duas corridas fa FIA Fórmula 3 em Melbourne. O sol continuava firme e a temperatura no início da tarde da sexta-feira batia os 25°C. Agora era a hora de ir pra pista com os pneus macios e Rafael Câmara saiu do treino livre como o homem a ser batido. O treino livre da FIA Fórmula 2 teve muitos acidentes e fazer um bm tempo de volta com pista limpa e escapando de eventuais bandeiras amarelas e vermelhas. Abertos os 30 minutos de treino foi todo mundo pra pista e depois de duas voltas pra aquecer os pneus médios os tempos começaram a vir e Rafael Câmara marcou 1m36,194s, mesmo atrapalhado no último setor. Depois das primeiras voltas rápidas o brasileiro tinha a P3 provisória, atrás de Noah Stromsted e Roman Bilinski. Os tempos continuavam caindo entraram na casa de 1m35s e com 18 minutos para o fim da sessão Rafael Câmara e seus companheiros de equipe foram para os boxes com o Brasileiro na P7 provisória. Outros pilotos foram aos boxes, mas com 15 minutos para o fim Rafael Câmara voltou pra pista. Os três carros da Trident tinham pista livre para acelerar quando o narrador, que nada sabe falou sobre os pontos de abertura de asa (recurso não disponível na categoria) Rafael Câmara aqueceu cuidadosamente os pneus e cravou 1m34,999s assumindo a P1 a 10 minutos do fim e voltou para os boxes. A Trident apostou certo. A 5 minutos do fim tivemos uma bandeira vermelha com Brando Badoer batendo e ficando atravessado na pista. Os carros da Trident estavam prontos pra voltar pra pista com pneus novos e quando os boxes foram abertos e foi todo mundo pra pista tentar aquela volta voadora, mas Christian Ho ficou parado na pista e provocou outra bandeira vermelha a 2 minutos do final. Todos de volta aos boxes e o treino não foi reiniciado. Pole para Rafael Câmara. Na manhã do sábado os pilotos da FIA Fórmula 3 voltaram ao grid para a corrida sprint, com 20 voltas programadas. Com a inversão dos 12 primeiros do grid Rafael Câmara largava na 6ª fila e tinha a seu lado Noah Stromsted. Era preciso largar com a cabeça e evitar toques, danificar o carro e com uma pista que mesmo tendo poucos pontos de ultrapassagem, tentar chegar na zona de pontos. A posta estava seca, o dia ensolarado e a temperatura agradável. Após a volta de apresentação os pilotos voltaram às suas posições no grid e, apagadas as luzes vermelhas tivemos a largada. Rafael Câmara passou ileso pela primeira curva, mas perdeu muitas posições e caiu para a P17 depois de ter sido espremido pelo “companheiro” de equipe Noah Stromsted. O safety car virtual foi acionado depois que Charlie Wurz saiu da pista e ficou na brita. A bandeira verde na volta seguinte e Rafael Câmara acabou atingido por James Wharton, daí bateu em Laurens Van Hoepen e tanto ele como o holandês acabaram fora da prova. Definitivamente esse não era o resultado que a Trident esperava (dois carros fora da corrida em 3 voltas) e muito menos nós aqui no Brasil. Para Rafael Câmara era hora de esfriar a cabeça e se preparar para a corrida do domingo que tem a previsão de chuva. A corrida foi retomada na abertura da volta 9. Tivemos mais uma entrada dos safety car na volta 15 com Javier Sagrera e Bruno Del Pino. Noah Stromsted danificou o bico e foi para os boxes para terminar o pesadelo da Trident. A corrida terminou com safety car e a vitória de Santiago Ramos, seguido de Martinius Stenshorne e Roman Bilinski. Na manhã do domingo os pilotos da FIA Fórmula 3 voltaram ao grid para a disputa da corrida principal do final de semana, com Rafael Câmara largando na pole position e precisando de um grande resultado, se possível a vitória, para se recuperar da corrida do sábado, que terminou na 3ª volta com o acidente que o tirou da pista. O céu estava encoberto, mas o dilúvio prometido pelos meteorogistas não caiu, mas a pista estava molhada e, prevenindo acidentes, a direção de prova determinou a condição de “wet race” e largada atrás do safety car. A corrida estava programada para 23 voltas e depois da volta de apresentação começou a contagem de voltas com a procissão atrás do safety car. Após as 3 voltas o safety car saiu e tivemos bandeira verde. Rafael Câmara largou bem e abriu uma pequena vantagem para Noah Stromsted. Com viseira limpa e sem spray o brasileiro foi abrindo vantagem, mas um acidente com Nikita Tsolov e Callum Voisin na primeira volta valendo trouxe o safety car e acabou com os 2,5s de vantagem que o brasileiro havia conseguido. A relargada veio na abertura da volta 6 E Rafael Câmara relargou bem novamente e não só manteve a ponta como abriu novamente uma pequena vantagem. Um trilho já estava se formando, mas ainda bem úmido. Rafael Câmara abriu um boqueirão para Noah Stromsted. Vinha 7 a 8 décimos mais rápido que o companheiro de equipe. Com o ritmo de corrida que vinha impondo, tudo que ele não precisava era outra entrada do safety car. Na metade da corrida a vantagem era de 4s. Uma chuva leve começou a cair para atrapalhar a formação do trilho que vinha ficando claro na pista. Rafael Câmara continuava administrando bem a vantagem e seus pneus e fazendo melhor volta sobre melhor volta, que na FIA Fórmula 3 dá um ponto a mais se o piloto ficar entre os 10 primeiros. A vantagem chegou a 5,1s na volta 12. Na volta seguinte saiu um aviso de chuva forte em 5 minutos. Rafael Câmara ia administrando a vantagem acima dos 5s quando tivemos a entrada do safety car com a batida forte de Christian Ho. Tudo o que nosso piloto não precisava.  Faltavam 6 voltas para o final da corrida e a chuva mais forte veio, fazendo o trilho que estava formado desapareceu. Agora era importante que a corrida não fosse interrompida antes do tempo para que o brasileiro somasse os 26 pontos que estava conquistando. Além de tirar o carro de Ho, os fiscais ainda tinham que varrer a brita e limpar a pista. Faltando 3 voltas a pista estava limpa, mas a pista muito molhada, sem trilho e a direção de prova encerrou a corrida com bandeira vermelha com mais de 75% da prova disputada. Vitória brasileira de Rafael Câmara de ponta a ponta, que sai da Austrália líder do campeonato, com 26 pontos. Próxima etapa em Sakhir, no Bahrain, em meados da abril.  FIA Fórmula 2 A categoria dos aspirantes à Fórmula 1 fizeram suas duas primeiras corridas – e sem brasileiros – da temporada 2025 em Melbourne, na Austrália. Na corrida do Sábado tivemos a corrida sprint que teve a vitória de Joshua Durksen, segurando a pressão inicial do pole, Leonardo Fornaroli, que ficou em 2° e Luke Browning foi o 3° ao final das 23 voltas. No domingo era para termos a corrida principal, com a parada obrigatória para troca de pneus e 33 voltas, mas a condição de pista muito molhada, com poças e com o horário apertado após muito adiamentos a corrida foi cancelada. E assim concluímos assim mais um desafio, acompanhando as categorias de base com os brasileiros buscando uma oportunidade de crescer no automobilismo internacional em qualquer dos continentes pelo mundo e vamos continuar tentando manter o compromisso da coluna semanal. Um abraço a todos, Genilson Santos Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. |