Olá pessoal que acompanha o site dos Nobres do Grid,
Já de volta ao hotel estou dando continuidade ao nosso encontro diário com tudo de bom que aconteceu no Autódromo Internacional de Interlagos, palco da 5ª etapa do Campeonato Mundial de Endurance. Chegando pela manhã pouco antes das 9 horas para uma reunião corporativa (lamento, mas sobre esta não posso dar detalhes), dispensei o convite para estar na entrevista do prefeito de São Paulo, Sr. Ricardo Nunes, e fui para a área do Paddock e – quando não havia movimentação de carros – do pitlane para ver as primeiras movimentações onde as coisas realmente interessam. Como estava programado o início do 1° treino livre para o meio dia e se ontem conversei com Pierre Alves, o Chefe de Operações da Michelin para o seguimento de competição, hoje consegui conversar pessoalmente com o Mike McGregor, Diretor de Endurance, que explicou não apenas o motivo da decisão, mas também como foi avaliada a condição do circuito, que passou por dois trabalhos de recapeamento em alguns pontos, bem como as referências de consumo das etapas anteriores. Para Mike McGregor, com suas curvas fechadas, zonas de frenagem intensas e frequentes mudanças de altitude em um curto espaço (o Autódromo José Carlos Pace tem apenas 4.309m de extensão) fazia da situação um excelente local para avaliar a nova adição à linha do composto duro, diferente dos pneus médios, que foram usados nas etapas anteriores deste ano, inclusive nas 24 Horas de Le Mans, onde o desempenho, a resistência e o consumo abaixo do esperado foram bem animadores. Facilmente identificável pelas letras vermelhas na lateral, o novo pneu será usado por todos os competidores da LMGT3 no Brasil e em etapas selecionadas ao longo da temporada. Como a Goodyear oferece apenas um tipo de pneu slick para cada corrida, este é o único composto para pista seca disponível em Interlagos. “Apesar do desempenho dos pneus médios em Le Mans, onde as equipes disseram que os pneus aguentariam fazer até quatro stints, mas que na corrida estavam trocando os pneus ‘prematuramente’ devido às trocas de pilotos e aos limites de tempo de pilotagem. Usar os pneus médios aqui em Interlagos seria perfeitamente possível sem comprometer a condição dos pilotos na corrida, mas as características de Interlagos serão uma boa referência para o COTA, que tem variações de subidas e descidas com um asfalto mais abrasivo”. Mike McGregor também explicou que o programa de desenvolvimento do pneu incluiu 7.500 quilômetros (4.660 milhas) de testes envolvendo todos os nove fabricantes atuais de LMGT3 em uma ampla gama de circuitos, incluindo Almería, Barcelona, Paul Ricard e o Circuito de Monteblanco, no sul da Espanha. Duas tentativas de teste em Spa-Francorchamps foram canceladas pela chuva. Ele também informou que o pneu atual é composto por 33% de materiais sustentáveis, com o objetivo de aumentar esse percentual para 66% quando uma nova linha de pneus for lançada em 2027. FIA Girls on Track – Dia 2 Agradecemos muito a atenção de Mike McGregor, mas era preciso correr – não tanto quanto os carros e um pouco mais do que minhas botas permitiam – para voltar ao pit lane e acompanhar o 2° dia do programa FIA Girls on Track Brasil, que tem o super trio formado por Bia Figueiredo (que não estava lá devido a etapa da Copa Truck em Cascavel), Bruna Frazão e Rachel Loh num trabalho fantástico que ano após ano vem levando jovens estudantes, em sua maioria mulheres – e mesmo adolescentes – a estar em contato com o mundo do automobilismo. Esta sexta-feira foi o dia do FIA CareerShift. Este é um programa driado com base no FIA Girls on Track e que mostra todos os aspectos do universo de competição, não apenas a pilotagem, idealizado para ajudar a abrir espaço para mulheres trabalharem em todas as funções do esporte a motor. Neste dia aconteceram diversos workshops e encontros com profissionais nas áreas de engenharia, marketing, comunicação, hospitalidade, saúde, segurança e comissariado, onde as selecionadas puderam ver diversas mulheres em diferentes funções trabalhando nas equipes. Hora de ação na pista. Na falta de um acarajé para a baiana, me virei com um cheeseburger e fui acompanhar o treino livre 1 e a grande pergunta era: como iriam se comportar os pneus – Michelin para os Hypercars e Goodyear para os LMGT3 – nas três horas de testes dos treinos livres (duas sessões de 90 minutos) depois do recapeamento do circuito, o que certamente mudou a condição de abrasividade que a categoria enfrentou no ano passado, mas que a Toyota surpreendeu a todas as equipes dos Hypercars fazendo as 6 horas usando o composto médio, desprezando o composto duro. A primeira sessão teve início com 17 minutos depois do planejado originalmente, com o atraso sendo atribuído a uma perda temporária de dados de cronometragem no pit lane e não ao meio dia, com 30°C de temperatura na pista para amenos 22,5°C de temperatura, com pista seca e sol entre nuvens. Ao final dos 90 minutos iniciais Laurens Vanthoor estabeleceu o tempo mais rápido para a Porsche Penske Motorsport na sessão de treinos livres de abertura das 6 Horas de São Paulo. O belga pilotou o Porsche 963 #6 para uma volta de 1m25,176s, superando a Ferrari 499P #50 de Antonio Fuoco por 0,084s, que a princípio, não demonstrou uma grande perda após a mudança do BoP. Rene Rast ficou em terceiro lugar a bordo do BMW M Hybrid V8 #20, seguido por Mike Conway no Toyota GR010 Hybrid #7, enquanto o segundo BMW, pilotado por Raffaele Marciello, completou o top 5 geral. A dupla de Cadillacs V-Series.Rs da Hertz Team JOTA ficou em sexto e sétimo lugares, pilotados por Earl Bamber e Will Stevens, respectivamente, à frente da Ferrari #83, pilotada por Robert Kubica. O Alpine A424 #36 e o Peugeot 9X8 #94 completaram o top 10. José Maria Lopez liderou a dobradinha da Lexus para liderar a categoria LMGT3, com o argentino registrando o tempo de 1m35,010s aos comandos do Lexus RC F GT3 nº 87 da Akkodis ASP Team. Seu companheiro de equipe, Finn Gehrsitz, foi 0,124s mais lento, na segunda posição, seguido pelo Chevrolet Corvette Z06 GT3.R nº 33 da TF Sport, pilotado por Daniel Juncadella. No final da tarde quando os 36 carros (sim, eles vem todos juntos e os Hypercars precisam lidar com o tráfego dos LMGT3 na pista) a pista estava bem mais fria, com 22,7°C e a temperatura do ar em 17,7°C – suficientes para endurecer um azeite de dendê – mas com a pista bem emborrachada os tempos caíram consideravelmente para os Hypercars, 1.6s, enquanto nos LMGT3 a melhora foi menor, de meio segundo. A Porsche Penske Motorsport manteve sua posição no topo da tabela de tempos pela segunda sessão consecutiva de Treinos Livres antes das 6 Horas de São Paulo, com Kevin Estre liderando a dobradinha da fabricante alemã. O melhor tempo de Estre, de 1m23,508s, registrado a bordo do Porsche 963 nº 6 que ele compartilha com Laurens Vanthoor, foi 0,104 segundos mais rápido que o carro #5 pilotado por Julien Andlauer. Também foi significativamente mais rápido que o 1m25,176s que Vanthoor registrou para liderar a sessão de Treinos Livres de abertura na sexta-feira. Também semelhante ao TL1, um dos BMW M Hybrid V8s da Equipe WRT ficou em terceiro lugar, com o carro nº 15 de Raffaele Marciello a 0,110 segundos do tempo mais rápido de Estre. O Cadillac V-Series R nº 12 ficou em quarto lugar com Alex Lynn ao volante, seguido por Harry Tincknell no Aston Martin Valkyrie nº 007 da Heart of Racing Team. O segundo BMW ficou em sexto lugar com Sheldon van der Linde, à frente do Toyota GR010 Hybrid nº 7, pilotado por Kamui Kobayashi, e do Aston Martin nº 009, pilotado por Alex Riberas. A classificação geral dos dez primeiros foi completada pelo Cadillac nº 38 e pela Ferrari 499P nº 50, que andou bem abaixo do esperado. Na LMGT3, o herói da cidade, Eduardo Barrichello, impediu a segunda dobradinha consecutiva da Akkodis ASP Team, que lidera a categoria. Barrichello, natural de São Paulo e bom conhecedor da pista, fez 1m34,.493 a bordo do Aston Martin Vantage GT3 Evo nº 10 da Racing Spirit, da Leman, superando o Lexus RC F GT3 nº 78 de Yuichi Nakayama por apenas 0,067 segundos. O segundo Lexus, pilotado por Clemens Schmid, ficou em terceiro, à frente do McLaren 720S GT3 Evo nº 59 da United Autosports e do Chevrolet Corvette Z06 GT3.R nº 81 da TF Sport. A equipe BMW onde estão Augusto Farfus e Pedro Ebrahim teve uma sessão difícil, ficando com as duas últimas posições no grid. Depois dos treinos fui atrás do que as equipes falaram sobre o comportamento dos pneus nas duas sessões de treinos. Inicialmente consegui falar com o diretor de competição da Penske Racing, Travis Law. Ele falou que certamente todos estão analisando as mesmas coisas que a Penske. Na primeira sessão, atingimos nossos objetivos e metas para coletar os dados necessários para nos ajudar a tomar algumas decisões, mas que é muito cedo para definir uma estratégia para a corrida, deixando nas entrelinhas se o uso da estratégia da Toyota no ano passado seria exequível este ano. Também ouvi Mauro Barbieri, gerente de desempenho e regulamentos da Ferrari e o italiano disse a um grupo de jornalista que não crê que veremos muitos pneus duros durante a corrida uma vez que o clima mais ameno está nos deixando com temperaturas mais baixas e isso certamente favorece os médios em detrimento dos duros. Ele foi mais além quando perguntei sobre a degradação e de forma um tanto vaga, falou que a degradação pareceu “ligeiramente menor” que no ano passado. A expressão no seu rosto era de quem parecia estar escondendo alguma coisa. Conversei com alguns pilotos das duas categorias, mas para a leitura de hoje não ficar muito longa, trago a opinião dos pilotos amanhã. Muito Axé para Todos, Maria da Graça
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