| Olá pessoal que acompanha o site dos Nobres do Grid,
Vamos para nosso terceiro dia em Interlagos? Quem disse que baiano é preguiçoso? Quando abriram os portões para o público eu já estava lá (apesar da minha credencial dar acesso para entrar mais cedo). Achei que eu precisava ver como estaria o clima de entrada do público no autódromo antes da temperatura subir – o que não aconteceu muito em termos de termômetro – e com o passar das horas pela manhã a temperatura subiu com uma presença grande de público para o segundo dia de atividade de pista. Preciso começar com um pedido de desculpas. No diário de ontem fiquei de colocar no dia de hoje a impressão dos pilotos que fizeram os treinos livres 1 e 2 sobre o desempenho e o consumo de pneus no recapeado asfalto de Interlagos, mas simplesmente não registrei os aúdios (e eu jurava que tinha feito tudo certo. Como não vou inventar palavras aqui, prefiro assumir meu erro. Essa coisa de trabalho de jornalista eu tenho que deixar pra quem sabe como Flávio, Alexandre e Sam. Conhecendo a Fan Zone Aproveitei que ainda não tinha muita gente circulando para descer até a Fan Zone, que poderia chamar de espaço mais democrático do WEC em Interlagos. Afinal, todos os ingressos – da arquibancada de cimento ao mais top dos HCs – dão direito a quem estiver no autódromo ir até lá para se divertir com outra coisa que não sejam os carros na pista – e isso se aplica a quem também está no autódromo para trabalhar e conseguir dar uma escapada no meio do expediente. Ao contrário do que disse o release oficial da assessoria de imprensa, a Fan Zone já existia na primeira passagem do Campeonato Mundial de Endurance, quando o promotor local era Emerson Fittipaldi. Este modelo é algo que se popularizou nas 24 horas de Le Mans e que foi se espalhando nas outras etapas do campeonato ao longo de décadas. Em São Paulo o público tinha diversas atrações gratuitas, como stands de tecnologia, jogos, exposição de carros antigos, stands das montadoras envolvidas no WEC, shows musicais gratuitos com atrações de peso como as bandas Raimundos, CPM 22 e Capital Inicial (Faltou uma Ivete, Claudia Leitte, Xanddy ou Daniela Mercury). Mas nem tudo é gratuito na Fan Zone e o que é pago não estava barato. Um boné do WEC estava saindo pela pechincha de 250 reais (400 reais se você levasse dois). Os bonés das equipes não saíam por menos de 350 reais. Uma jaqueta então, não saía por menos de 1000 reais. Até no “outlet” – que tinha produtos de temporadas anteriores – era possível comprar um boné por 150 reais assim como uma camiseta. Nos stands das equipes ainda haviam produtos especiais, como miniatura de carros, relógios personalizados etc. Comer e beber também não estava barato na Fan Zone. Pelo que me falaram conversando com frequentadores do autódromo, os preços estavam no mesmo nível dos cobrados na F1. Exposição em homenagem aos 85 anos do Autódromo de Interlagos Entre as muitas coisas a se ver e se fazer, havia uma exposição muito especial, reunindo carros, históricos que competiram nas corridas em Interlagos ao longo de seus 85 anos de história (o Autódromo de Interlagos foi inaugurado em 1940, sendo o primeiro autódromo permanente asfaltado do Brasil). A exposição – durante o fim de semana do Rolex 6 Horas de São Paulo – traz protótipos, carros de turismo e monopostos, com destaque para o tradicional veículo brasileiro HEVE, modelos da Jaguar utilizados em Le Mans e chassis de Fórmula 1.  Pilotos como Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi Jr, José Carlos Pace, Nelson Piquet, Alex Dias Ribeiro, Raul Boesel, Tarso Marques, Helio Castroneves, Maurizio Sandro Sala, entre outros, estarão representados por esses veículos e peças de vestuário de competição. Treino Livre 3 O passeio estava bom, mas era preciso voltar para a área do Paddock e do HC para acompanhar o 3° treino livre que aconteceu pela manhã, sendo este mais curto, com apenas uma hora de duração. Era o momento dos últimos ajustes nos carros para na parte da tarde buscar o melhor tempo possível no treino que iria definir o grid. Ok, em uma corrida de 6 horas, com vários pitstops e tudo o que pode acontecer, a posição de largada pode não ser tão importante quanto numa corrida curta, tipo a Sprint da F1, mas é uma demonstração de força aos adversários e um incentivo mental, mostrando que está tudo certo. Às 10:10 da manhã estava frio (pra baianos), com 19°C de temperatura e o asfalto a 24°C, os carros das categorias Hypercar e LMGT3 deveriam ir para a pista, mas a sessão começou com 10 minutos de atraso devido ao reparo da barreira de proteção devido a um acidente na sessão da GT Cup Series Brasil, sem maiores incidentes com os envolvidos. Ao final da sessão Ryo Hirakawa colocou a Toyota Gazoo Racing no topo da tabela de tempos antes da classificação e da Hyperpole. O piloto japonês, no Toyota GR010 Hybrid #8, alcançou o melhor tempo da sessãoa em 1m23,695s. Hirakawa, que corre em dupla com o Brendon Hartley neste fim de semana, superou a Ferrari 499P #50 da AF Corse, de Antonio Fuoco, por 0,490 segundos. Os melhores tempos da sessão, no entanto, não foram mais rápidos do que os do TL2 da tarde de sexta-feira, que foi ritmado por Kevin Estre, da Porsche Penske Motorsport, com uma volta de 1m23,508. Dries Vanthoor colocou três fabricantes diferentes de Hypercars entre os três primeiros no TL3, pedalando seu BMW M Hybrid V8 #15 da Team WRT para uma volta de 1:24.287. O Toyota #7 de Kamui Kobayashi e o Cadillac V-Series.R nº 12 da Hertz Team JOTA de Alex Lynn completaram o top 5, seguido pelo Alpine A424 #35 e o melhor dos Porsche 963s, o Proton Competition #99. Os Penske Porsches, que dominaram as sessões de sexta-feira, estavam na parte inferior da tabela de tempos de 18 carros do Hypercar, presumivelmente sem ter tentado voltas de simulação de classificação. O LMGT3 foi liderado pelo TF Sport Chevrolet Corvette Z06 GT3.R #33 de Jonny Edgar, graças a um tempo de volta de 1m34,414 do piloto classificado como Prata. A marca foi apenas 0,071 segundos mais rápido que o herói local Eduardo Barrichello no Aston Martin Vantage GT3 Evo #10 Racing Spirit of Leman. Giammarco Levorato colocou o Ford Mustang GT3 #88 Proton Competition em terceiro lugar na tabela de tempos da classe. Um mar de gente no Pit Walk Foi um tsunami. Parecia a pipoca no carnaval de Salvador. Milhares de fãs de todas as idades lotaram o Autódromo José Carlos Pace para curtir a atmosfera e a emoção das 6 Horas de São Paulo do FIA WEC. Filas de pessoas aguardavam longamente antes do início do pit walk e da sessão de autógrafos dos pilotos, e o pit lane logo ficou lotado de fãs visitando as garagens de cada equipe. As equipes, como já é costumeiro se depararam com rostos felizes e sorridentes, mas o clima no Brasil é outro. Todos que ali estavam queriam fazer uma foto dos boxes, conseguir um autógrafo de seus pilotos favoritos, fazer uma selfie e como atender todo mundo? Os boxes mais concorridos foram o da BMW com Augusto Farfus Jr. e Valentino Rossi, o das Iron Dames, que no ano passado já causou um enorme frenesi e o da Aston Martin onde estava Dudu Barrichello. Lembrando que o acesso para o pit walk não é gratuito, sendo cobrado um valor a parte. A hora da definição do grid: vamos à Hyperpole! No treino de classificação as coisas funcionam de forma diferente dos treinos livres. Nesta hora é cada um no seu lugar e não há mistura das categorias. Hypercars e LMGT3 vão para a pista, separadamente e como já nos acostumamos a ver em várias categorias, após a primeira parte do treino, com todos os carros da categoria, os 10 primeiros se classificam para a Hyperpole (que tem esse nome também para a LMGT3). A primeira categoria a ir para a pista foi a LMGT3, com as arquibancadas na torcida por Dudu Barrichello, que teve uma ótima performance em todos os momentos que foi para a pista, e pelo carro #31 da BMW, que tem Augusto Farfus Jr. e Pedro Ebrahim. A primeira parte do treino tem 12 minutos e quem faz esta primeira parte do treino é o piloto menos graduado, o chamado piloto bronze. No caso do Aston Martin #10, quem estava no carro nesta hora era norte americano Anthony Mcintosh. Com 12 dos 18 carros no mesmo segundo, a definição dos 10 primeiros classificados foi nos milésimos. O piloto mais rápido foi estabeleceu o tempo de 1m35,090s. O carro de Dudu Barrichello, que tinha Anthony Mcintosh ao volante penou para se classificar e foi apenas o 10° colocado com o tempo de 1m35,340s. Para tristeza da torcida brasileira, o carro da BMW com as cores do Brasil ficou com a 17ª posição com Yasser Shahin ao volante, continuando na dificuldade que vem desde o início da temporada. Alguns minutos depois veio a Hyperpole da LMGT3, classificação que definia os 10 primeiros no grid e que estavam com os pilotos Prata e com isso a torcida na arquibancada ficou mais agitada com Dudu Barrichello no volante do Aston Martin #10. Em 10 minutos tudo estaria decidido e a arquibancada levantou quando Dudu Barrichello estabeleceu 1m33,849s, com apenas 24 milésimos de diferença para o austríaco Clemens Schmid. O Brasil tinha a pole position na categoria LMGT3. Em seguida foram os carros da Hypercar buscar a classificação para a Hyperpole. Ficou claro que a bigorna pesou para a Ferrari. As modificações determinadas pela categoria no BoP (Balanço de Performance) jogaram os cavalinhos rampantes para o fundo do grid, com a 14ª e a 17ª posição para os carros #50 e #51 da Ferrari AF Corse e apenas a equipe da Ferrari Amarela, da AF Corse, com Robert Kubica ao volante conseguiu entrar para a Hyperpole com o 9° melhor tempo. O primeiro tempo foi de Alex Lynn, com 1m22,829s no Cadillac Team Jota, que no ano passado usava motores Porsche. 16 dos 18 carros estavam no mesmo segundo. Para a Hyperpole tivemos mais 10 minutos de treino e a equipe Cadillac Team Jota fez os dois primeiros tempos, separados por exatamente um décimo. Alex Lynn fez a volta em 1m22,570s. A celebração era total na equipe, mas a alegria não foi muito longe. O Cadillac #38 que tinha Sebastien Bourdais ao volante foi punida perdendo uma posição de grid por atrapalhar a volta Paul Di Resta, piloto da BMW #93. Com isso o carro #5 da Penske, que teve Julien Andlauer ao volante. Amanhã é o grande dia. O dia da corrida e eu vou madrugar em Interlagos. Muito Axé para Todos, Maria da Graça |