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O grande dia chegou! Coloquei meu despertador para às 05:30 da manhã – ainda bem escuro – para arrumar a minha baianidade capilar, e me preparar para o último dia da etapa brasileira do Campeonato Mundial de Endurance.
Achei que seria a única pessoa no café da manhã quando cheguei no restaurante do hotel, mas o mesmo já tinha alguns torcedores às mesas, preparando o “espírito de Le Mans” que todos vivenciaríamos em alguns minutos. Encontrei os outros membros do staff da empresa às 07:00 como esperado e seguimos na nossa van para o autódromo. O trânsito já estava bem movimentado, mas o trajeto estava bem sinalizado. Como o hotel não era longe, não levamos muito tempo para entrar De dentro da van (com cuidado pra não ter o celular arrancado das mãos) fiz uma foto do público que chegava para a corrida. Muitas famílias vindo inteiras chegando bem cedo ao autódromo me animou. A programação de pista começou bem cedo, com a corrida preliminar da GT Series, categoria nacional que realizou sua segunda corrida (a primeira foi no sábado, após a classificação das 6 Horas de Interlagos). Enquanto os carros corriam na pista, correria no paddock do autódromo com a chegada dos pilotos que disputariam a corrida principal, mas antes disso, eles tinham um compromisso com o público presente: o segundo pit walk, que encheu o pit lane de fãs em busca de fotos com suas equipes e pilotos favoritos. Mais uma vez uma grande multidão buscando a frente dos boxes da BMW, onde estavam Augusto Farfus Jr. e Valentino Rossi (que tinha um laptop na mesa por onde ele estava acompanhando a corrida da Moto GP, onde tem uma equipe). As Iron Dames, como sempre, desde o ano passado, deixaram a mesa dos pilotos masculinos da equipe Manthey em segundo plano, mas talvez Dudu Barrichello não esperasse tanto assédio como o visto no domingo, poucas horas antes da corrida, durante o pit walk. Depois de ter conquistado a pole position para a corrida na categoria LMGT3, todos os holofotes estavam sobre ele. Homenagens e show na pista (e o hino nacional com tablet) Ícone da música brasileira e eterna musa do rock’n roll, Rita Lee foi homenageada na abertura dos eventos de pista pouco antes da largada das 6 Horas de São Paulo. Personagem 100% paulistana (nascida e criada na capital do estado) foi representada pelo grupo Ritaleena, interpretando grandes sucessos da cantora enquanto os alunos da Escola de Dança do Teatro Municipal que se apresentavam com adereços representando planetas, estrelas e as cores da bandeira nacional. Completando a apresentação, a Trupe Baião de Dois colocou no asfalto da reta dos boxes 12 artistas em pernas de pau fazendo coreografias. O hino nacional foi interpretado – em um modelo voz e violão – pela cantora Luciana Mello (filha do grande Jair Rodrigues). Afinadíssima e numa interpretação emocionante, o Hino Nacional Brasileiro foi cantado por inteiro, em suas duas partes. Porém, um detalhe não pode ser passado despercebido: a fim de evitar erros e tropeços na letra do hino (o que já aconteceu em diversos eventos, o último que me lembro na Fórmula 1 no ano passado) a interprete valeu-se de um tablete colocado em um tripé.  Neste momento eu estava no HC da empresa e me desloquei para fazer algumas fotos das arquibancadas, um pedido da nossa editora, Catarina Soares, para ter uma ideia da presença de público. Sendo a hora da largada – assim como seria nos minutos finais – teríamos o maior número de presentes identificado. Muitos espaços vazios contrastaram com a divulgação de que tivemos quase 85 mil pessoas no autódromo durante o final de semana. Não creio que, mesmo somando os presentes na sexta-feira e no sábado tenhamos chegado a tanto. Os ingressos não foram baratos, especialmente para a realidade do que é o Brasil e no domingo, durante a corrida, foi anunciado que quem comprasse o ingresso para 2026 nas bilheterias teria 50% de desconto. Largada com Rubens Barrichello As 24 Horas de Le Mans, corrida que originou e é o grande alicerce do Campeonato Mundial de Endurance tinha no passado como característica a largada com os pilotos atravessando a reta dos boxes correndo, entrando nos carros – posicionados na ordem de largada em ângulo de 45° – e saindo para a corrida, muitas vezes se amarrando com os cintos de segurança com os carros em movimento. Evidentemente uma cena como essa é impensável nos dias de hoje. Para manter o “Espírito de Le Mans”, em todas as corridas do campeonato os carros são colocados na reta dos boxes no ângulo de 45°, mas os pilotos entram nos carros, colocam o cinto de segurança de 6 pontos, que quase na totalidade são ajustados por mecânicos da equipe e é dada uma largada simbólica com a bandeira nacional de cada país onde acontece a corrida. No Brasil, esta honra coube à Rubens Barrichello, que estava acompanhando de perto os passos (e voltas) do filho. A corrida A espera acabou para a Cadillac e a General Motors! Na 20ª corrida do Campeonato Mundial de Endurance da FIA para a V-Series.R, a Hertz Team JOTA conquistou a primeira vitória histórica da marca americana no Hipercarro e uma dobradinha nas 6 Horas de São Paulo. O carro #12, de Alex Lynn, Will Stevens e Norman Nato, que largou na pole position, dominou a maior parte da corrida, com uma vantagem de 57 segundos sobre o carro irmão número 38, de Sébastien Bourdais, Earl Bamber e Jenson Button. Ambos os Cadillacs mantiveram a vantagem de ritmo durante toda a disputa e ficaram em primeiro e segundo lugares na corrida por cerca de quatro das seis horas. Foi uma exibição dominante em um dia que viu a sequência de quatro vitórias da Ferrari ser interrompida depois que os três 499Ps tiveram dificuldades para lutar na frente. Apenas a Ferrari número 83, vencedora de Le Mans, marcou pontos, terminando em oitavo. Para a equipe vencedora da Cadillac, foi uma performance verdadeiramente impressionante, recuperando-se de um drive-through precoce por usar pneus com pressão muito baixa para garantir a vitória. A punição ocorreu em meio a um início de dia complicado para os dois Cadillacs da JOTA. O Porsche Penske Motorsport 963 #5 teve uma largada espetacular, com Julien Andlauer assumindo a liderança na primeira volta, partindo da segunda posição no grid, para assumir o controle inicial sobre os dois protótipos LMDh com motor V8. Mas a liderança da Porsche não durou muito, com os dois Cadillacs reagindo no final da segunda hora. Assim que os V-Series.Rs conseguiram passar na segunda rodada de paradas, eles mantiveram a posição até o final. O carro #5 terminou em terceiro, apenas 1,8s atrás do #38, mas não conseguiu se aproximar o suficiente para disputar o segundo lugar quando Andlauer teve a tarefa de alcançar e ultrapassar Bourdais na hora final. Ainda assim, foi um resultado bem-vindo para Andlauer e seu companheiro de equipe Michael Christensen, que não conseguiram subir ao pódio na primeira metade da temporada. Eles também foram a única equipe a terminar na volta da liderança com os Cadillacs. O Porsche nº 6 terminou em quarto após uma corrida consistente de Laurens Vanthoor e Kevin Estre. O BMW #20 completou o top 5 depois que Sheldon van der Linde superou Loic Duval no Peugeot nº 94 nos minutos finais. Não foi um fim de semana que trouxe títulos para a Peugeot, mas ambos os carros conquistaram pontos valiosos no melhor fim de semana do ano para a montadora francesa até então. Mikkel Jensen levou o #93 para casa em sétimo, atrás do carro irmão. Foi uma corrida notavelmente limpa na Hypercar, sem incidentes graves e sem abandonos. Os únicos dramas da corrida foram o BMW #15, que passou 27 minutos na garagem com um problema de freio, e o Alpine #35, que sofreu um problema híbrido e chegou ao final 41 voltas atrás. A corrida foi envolvente do começo ao fim, com as equipes lutando arduamente no curto, técnico e recapeado circuito de Interlagos, com apenas 3 “Full Course Yellow”, uma delas por queda de uma pipa próximo a pista (coisa que só no Brasil aconteceria) e nenhuma entrada do Safety Car. A estratégia de pneus desempenhou um papel, embora a maior parte do grid tenha corrido exclusivamente com pneus médios, em forte contraste com o ano passado, quando o composto duro da Michelin se mostrou mais útil para todos, exceto para a Toyota. Na LMGT3, foi mais um resultado marcante. A AKKODIS ASP garantiu à Lexus sua primeira vitória no WEC com o RC F LMGT3 #87, pilotado por Jose Maria Lopez, Clemens Schmid e Petru Umbrarescu. A equipe francesa finalmente encontrou uma maneira de converter o ritmo de uma volta em alta velocidade em vários turnos. Com os novos pneus Goodyear Hard, ambos os carros da equipe conseguiram se manter competitivos durante toda a corrida, com o único contratempo sendo um erro cometido por Lopez, que excedeu a velocidade no pit lane em uma das paradas, mas a punição com o “drive through”, no final, não custou ao carro #87 a liderança. Lopez levou o carro vencedor para casa 35 segundos à frente do TF Sport Corvette #81, que lutou arduamente para assumir a segunda posição, à frente do Porsche Iron Dames nº 85, no final. Charlie Eastwood ultrapassou Michelle Gatting com uma forte corrida por dentro na Curva 1, faltando menos de 15 minutos para o fim. Gatting não conseguiu reagir, tendo subido brevemente para o segundo lugar na última rodada de paradas, e foi forçada a olhar nos retrovisores. A dinamarquesa, que ainda se recupera de uma fratura no pé, cruzou a linha de chegada em quarto lugar, depois que Dudu Barrichello conseguiu ultrapassá-la a poucos minutos do fim, com o carro da pole position, o Racing Spirit #10, da Leman Vantage, em uma manobra que causou uma explosão de alegria nas arquibancadas. Atrás do Porsche Iron Dames, em quarto, o Lexus #78 AKKODIS ASP terminou em quinto, após cair na segunda metade da corrida, partindo do segundo lugar. A equipe líder do campeonato, Manthey 1st Phorm, composta por Ryan Hardwick, Richard Lietz e Riccardo Pera, fez bonito ao terminar em sexto com seu Porsche, que estava carregado com lastro de sucesso. O desempenho ampliou sua liderança no campeonato sobre a equipe nº 21 Vista AF Corse. Após a chegada a pista foi invadida (organizadamente liberada) pelo público que tomou a reta dos boxes e posicionou-se em frente ao pódio onde os pilotos do Team JOTA Cadillac e Porsche Penske Motorsport, que receberam a premiação referente às conquistas na categoria Hypercar acabaram sendo “meros coadjuvanes” para a massa que esperava a chegada de Dudu Barrichello para sua consagração no pódio – entre aplausos e homenagens do público e lágrimas de felicidades de Rubens Barrichello. Terminadas as atividades referentes a corrida, depois de quatro dias de trabalho, a baiana voltou aos seus anos de adolescente e foi para o show da banda Capital Inicial na Fan Zone (a vida não pode ser só trabalho, concordam?). Meu retorno para o Canadá será apenas na segunda-feira e durante a madrugada a nossa última página do diário estará publicada. Para 2026, espero que a assessoria de imprensa do WEC atenda nosso pedido de credenciamento para a produção do Magazine Nobres do Grid. Muito Axé para Todos, Maria da Graça |