Alô galera que lê os Nobres do Grid... Salve Jorge!
Nesse final de semana não faltaram corridas envolvendo os pilotos brasileiros, aspirantes ao topo da carreira nas categorias mais importantes do automobilismo mundial. Foram tantas que não deu para fazer a crônica de todas elas. Quatro categorias foram para a pista com pilotos brasileiros envolvidos na disputa. Em Barcelona tivemos a 8ª etapa da Fórmula Regional Europeia, com Pedro Clerot ainda com chances (pequenas) de chegar ao título, mas já com lugar garantido na FIA Fórmula 3 em 2026. Na Eurocup-3, Em Jerez de La Frontera, Emmo Fittipaldi Jr. e Alceu Feldmann Neto (Filippo Fiorentino não fez esta etapa) estavam na pista. O primeiro, com passagem na mão para a FIA Fórmula 2 enquanto Feldmann e Fiorentino ganhavam experiência. Ainda tivemos a FIA Fórmula 4 Itália, correndo junto com a FRECA em Barcelona e a FIA Fórmula 4 Espanha, correndo junto com a Eurocup-3 em Jerez de La Frontera. Seriam mais 6 corridas o que transformaria a coluna em um voto de ministro do STF, tirando a paciência dos leitores e provocando a ira das Editoras. Como na próxima semana não teremos corridas, comentarei as duas categorias de entrada. Aproveito para agradecer o Flávio por fazer minha coluna da semana passada enquanto eu estava em provas. Ficou muito bom, melhor que as minhas. Parabéns. Agora vamos às corridas. Fórmula Regional Europeia A categoria continental mais importante na preparação dos pilotos que desejam chegar à Fórmula 1 desembarcou em Barcelona para sua 8ª etapa. O campeonato ainda estava aberto, especialmente com a performance aquém do normal dos líderes na etapa anterior. Na sexta-feira tivemos as duas sessões de treinos livres, onde pela manhã Matteo de Palo foi o mais rápido e Pedro Clerot ficou com o 5° tempo, em 1m36,595s, 547 milésimos mais lento. Na parte da tarde, o italiano da Trident voltou a ser o mais rápido e Pedro Clerot o 5° colocado, com o tempo de 1m36,753s, 426 milésimos mais lento que De Palo. O grid estava menor. Apenas 26 carros estavam inscritos para essa etapa. Em 2026 a Alpine deixará de dar o suporte técnico para a categoria e novos motores – além de outros componentes – serão de fabricantes distintos. Entre as baixas, a se lamentar a não participação de Doriane Pin. Na manhã do sábado, com sol, pista seca e calor leve, os pilotos retornaram à pista para disputa do treino de classificação da corrida daquele dia, como sempre dividido em dois grupos. Pedro Clerot estava no grupo B. O grupo A foi o primeiro a ir para a pista e o mais rápido foi Freddie Slater, marcando 1m35,250s, o tempo a ser batido. Logo em seguida os pilotos do grupo B foram para a pista, com nosso piloto no mesmo grupo do dominador da sexta-feira, Matteo de Palo. Na primeira metade dos 15 minutos, como de costume, os pilotos condicionaram seus pneus para as voltas rápidas na segunda metade do tempo regulamentar. Em sua primeira volta rápida, Pedro Clerot marcou 1m35,840s, atrás apenas de Matteo de Palo. Com a pista mais emborrachada, o grupo B tinha tudo para levar vantagem. Depois de uma volta para recondicionar pneus e resfriar freios eles partiram para mais duas voltas rápidas. Pedro Clerot fez 1m35,456s, novamente a P2. Ainda havia tempo para mais uma volta e o brasileiro melhorou para 1m35,407s, ficando em 2° no grupo, que não conseguiu tirar a Pole de Freddie Slater. Seis horas depois os pilotos da Fórmula Regional Europeia estavam de volta à pista para a primeira de duas corridas. Os 4 primeiros do campeonato estavam nas 4 primeiras posições e Pedro Clerot largava na P4. A pista estava seca, o sol garantia zero chances de chuva para a corrida. Após a volta de apresentação os pilotos retornaram às suas posições no grid e, apagadas as luzes para os 30 minutos +1 volta, tivemos a largada. Pedro Clerot largou no lado sujo e sem borracha da pista. Kean Nakamura fez uma grande largada e foi brigar no pelotão da frente. O brasileiro caiu para 5°, mas a 1ª curva ficou estreita pra todo mundo e Enzo Deligny levou a pior, sendo tocado e perdendo a asa dianteira. Pedro Clerot recuperou a P4com a confusão e Nikita Bedrin atrapalhou muita gente enquanto manteve a P5. O pelotão logo agrupou inteiro e Pedro Clerot tentava recuperar a posição perdida para Kean Nakamura. Na abertura da 3ª volta Pedro Clerot atacou e fez uma ultrapassagem sinistra, por fora, na curva 1. Kean Nakamura manteve o ritmo e colou no brasileiro que tentava se aproximar de Freddie Slater. A defesa o afastou 1s da disputa pela vitória. Felizmente não tem asa móvel na Fórmula Regional, mas tem “push-to-pass”. Mesmo com o recurso artificial, a corrida entrou em “modo procissão”. Pedro Clerot não conseguia se aproximar de Freddie Slater, mas se afastava devagar de Kean Nakamura. Chegando no terço final da corrida começaram a aparecer aqueles que usaram mais borracha do que deviam nos primeiros 20 minutos de corrida, mas não parecia ser o caso entre os 4 primeiros, separados entre eles por 1,5s há algumas voltas, mas Pedro Clerot começou a se aproximar de Freddie Slater a partir da volta 13. Slater errou na entrada da reta e Pedro Clerot atacou na abertura da volta 17. O inglês jogou duro e segurou a posição. O brasileiro atacou nas duas voltas finais e parecia ter mais carro, mas teve que se contentar com a P3. Na manhã do domingo os pilotos da Fórmula Regional Europeia retornaram à pista para a sessão de classificação da corrida que encerraria a etapa. O grupo B foi o primeiro a ir para a pista desta vez e Pedro Clerot estava nele e estava tudo diferente, com chuva e pista molhada. Aquecer os pneus de chuva é sempre mais complicado e os pilotos não tinham referência, pois era a primeira sessão com chuva no final de semana para se encontrar o limite. Na sua primeira volta rápida Pedro Clerot marcou 1m55,660s, mas esse tempo iria baixar e na 2ª passagem o brasileiro fez 1,54,937s. Como a intensidade da chuva e a quantidade de água eram variáveis, a decisão iria além do último segundo. A chuva apertou e nos 5 minutos finais os pilotos estavam com dificuldades de melhorar, mas Pedro Clerot conseguiu baixar para 1m54,365s e na volta seguinte para 1m54,154s. Nos segundos finais o brasileiro abriu mais uma volta rápida na disputa com Evan Giltaire, que errou enquanto nosso piloto fez 1m53,773s para ser o mais rápido da sessão. No final da sessão do grupo A a pista melhorou e Enzo Deligny ficou com a pole ao fazer 1m53,250s. Pouco menos de 7 horas depois os pilotos da Fórmula Regional Europeia estavam de volta à pista para a corrida de encerramento da etapa em Barcelona. O céu estava encoberto, mas já não tínhamos chuva, mas a pista estava úmida. Pedro Clerot largava na 1ª fila e tinha uma grande chance de repetir o pódio do sábado. A direção de prova decidiu pela largada para os 30 minutos +1 volta com os carros atrás do safety car. Pedro Clerot se poupou de um embate largando pelo lado sujo da pista e manteve sua 2ª posição. Após 2 voltas o safety car deixou a pista e tivemos a bandeira verde. Pedro Clerot largou bem, colou em Enzo Deligny e tentou tomar a liderança, mas não conseguiu colocar seu carro lado a lado com o francês. Na volta 3 Giovanni Maschio levou a pior na curva 11, quebrou a suspensão e ficou na brita, forçando a volta do safety car. A relargada veio na abertura da volta 6 e Pedro Clerot tentou novamente o ataque sobre Enzo Deligny, mas o francês conseguiu se defender novamente. O pelotão se manteve bem agrupado pelas voltas seguintes e aconteceu aquilo que costuma acontecer nas corridas em Barcelona: o “modo procissão”, onde todos andam juntos, mas ninguém consegue atacar ninguém. Os dois primeiros começaram a abrir em relação a Askhay Bohra, mas as tentativas de aproximação de Pedro Clerot não se mostravam eficazes. Como boa parte do tempo de prova foi consumido sob bandeira amarela, os pneus acabaram poupados para o terço final de corrida. Pedro Clerot se mantinha a 1s de Enzo Deligny, mas não conseguia diminuir a distância o suficiente para um ataque pela liderança. O brasileiro reduziu a diferença nas 3 últimas voltas, especialmente fazendo um grande 1° setor. O brasileiro tentou, mas teve que se contentar com o 2° lugar. O campeonato estava ficando interessante. Pedro Clerot era o 4°, empatado com Enzo Deligny em 198 pontos, 28 pontos atrás de Freddie Slater e Matteo de Palo, empatados na frente. A próxima etapa será no início de outubro, em Hockenheim. Eurocup-3 A segunda categoria de monopostos do continente europeu viajou para Jerez de La Frontera para realizar a penúltima etapa do campeonato. Como de costume, o péssimo site da categoria não apresentou os resultados dos treinos livres realizados na sexta-feira ou no sábado, bem como a classificação para a corrida disputada na tarde do sábado, onde apenas na tentativa de identificar onde estavam os brasileiros entre os 27 carros no grid. Emmo Fittipaldi Jr. largava na 5ª posição (observado na volta de apresentação). Alceu Neto estava além da P20. Após a volta de apresentação os pilotos retornaram às suas posições no grid e, apagadas as luzes vermelhas para os 30 minutos +1 volta, tivemos a largada. Emmo Jr. não largou muito bem e foi pressionado na curva 1, que ficou pequena para a confusão que se formou, com muita gente se tocando e indo para a brita. Fittipaldi caiu para 6°. Com carros presos na brita, no final da 1ª volta o safety car foi acionado com Lorenzo Castillo na brita. Alceu Neto fechou a 1ª volta em 20°. A relargada veio na volta 3 e Emmo Jr. relargou bem, indo pra cima de Aleksandr Abkhazawa. Alceu Neto perdeu uma posição e caiu para 21°. Aleksandr Abkhazawa fazia uma pilotagem muito defensiva e isso segurava o pelotão, que se afastava do pelotão da frente e permitia a aproximação de Ernesto Rivera e Jesse Carrasquedo. Kacper Sztuka vinha se recuperando e superou Alceu Neto. A corrida entrou em “modo procissão” em poucas voltas e ninguém passava ninguém. Emmo Fittipaldi Jr. tentava, mas não conseguia se aproximar o suficiente de Aleksandr Abkhazawa para tentar tomar a 5ª posição, mas ao menos se mantinha livre de qualquer ataque de Ernesto Rivera, que foi para os boxes na volta 13, dando uma posição para Alceu Neto, que na volta seguinte foi superado pelos irmãos Hellberg. Emerson Fittipaldi Jr. recebeu a quadriculada na 6ª posição e Alceu Feldmann Neto em 23°. Como não seria diferente, o péssimo site da Eurocup-3 não publicou a ordem da segunda classificação, disputada na manhã do domingo. Menos de quatro horas depois os pilotos estavam de volta à pista para a disputa da corrida que encerraria a etapa. Novamente foi necessário tentar “pescar” no grid onde estavam os brasileiros, Emerson Fittipaldi Jr. e Alceu Feldmann Neto, antes da largada. Emmo Jr. estava na P5 para a corrida, observando a volta de apresentação e a posição de largada de Alceu Feldmann Neto, pelas imagens, era a P22. Após a volta de apresentação os pilotos retornaram às suas posições no grid e, apagadas as luzes vermelhas para os 30 minutos +1 volta, tivemos a largada. Emmo Jr. largou melhor que no sábado e assumiu a 4ª posição, indo pra cima de Ernesto Rivera. Alceu Neto perdeu 2 posições e caiu para 24° nas primeiras curvas, mas nas voltas seguintes recuperou posições e subiu para o 21° lugar. Assim como no sábado a corrida entrou no “modo procissão” com os pilotos sem conseguir se aproximar dos adversários à sua frente. E todos usando o vácuo do carro da frente. A partir da 5ª volta Emmo Jr. começou a ficar mais distante de Ernesto Rivera e via Francisco Macedo se aproximar. O brasileiro reagiu e fez a diferença subir para 1s sobre o piloto português, mas o ritmo dos 3 primeiros era muito forte e a distância para eles aumentava volta a volta até a metade da corrida, quando Emmo Jr. começou a se reaproximar de Ernesto Rivera e deixou Francisco Macedo 1,6s pra trás. Alceu Neto continuava na P21 no pelotão que ia do 18° ao 21°. Garrett Berry foi para os boxes e Alceu Neto herdou uma posição. Na volta 15 Jesse Carrasquedo foi para os boxes e Alceu Neto herdou mais uma posição, indo para 19°. A situação entre os 5 primeiros continuava inalterada, com Emmo Jr. não conseguindo se aproximar de, mas aumentando a vantagem para Francisco Macedo. Em uma corrida (surpreendente) sem entradas do safety car, Emmo Fittipaldi Jr. conseguiu uma boa 4ª posição no final. Aleksandr Abkhazawa superou Alceu Feldmann No final e ele terminou em 20°. No campeonato, Emmo Fittipaldi Jr. deixou Jerez de La Frontera na 11ª posição do campeonato com 49 pontos. Alceu Feldmann Neto continuava sem pontos. A etapa final deste ano será em Barcelona, de 14 a 16 de novembro. E assim concluímos assim mais um desafio, acompanhando as categorias de base com os brasileiros buscando uma oportunidade de crescer no automobilismo internacional em qualquer dos continentes pelo mundo e vamos continuar tentando manter o compromisso da coluna semanal. Um abraço a todos, Genilson Santos Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. |