| Na temporada 2024/2025 tivemos a estreia do Pit Boost em algumas corridas da temporada na Fórmula E. Apresentado para ser utilizado nessas corridas específicas (a primeira foi o E-Prix de Jeddah, na Arábia Saudita) o inovador recurso, que fornece aos carros um aumento de 10% de energia (3,85 kWh) por meio de um impulso de 600 kW durante 30 segundos no pit lane, pelo regulamento específico destas provas obriga os pilotos a seguirem para os boxes quando a carga na bateria de seus carros estiver abaixo de 60% e ainda acima de 40%, dando às equipes e pilotos uma “janela” de parada para que esta seja feita. O tempo mínimo de parada é de 34 segundos, sendo 30 de recarga da bateria. Caso o carro precise de algum reparo na carroceria ou outro qualquer, o mesmo só pode ser feito após o Pit Boost, ou seja, sem ser durante a recarga da bateria (que envolve três integrantes da equipe de box). Após este primeiro ano de experiência com as paradas de recarga, como os pilotos viram a introdução deste elemento e como eles e as equipes podem se beneficiar, usando de observações estratégicas, para ganhar posições na corrida? Conversamos com alguns pilotos e vejam o que eles disseram. Antônio Felix da Costa – Piloto da Equipe Nissan Particularmente eu gostei. É uma parte dentro do leque de estratégias nas corridas que as equipes e os pilotos precisaram aprender a dominar e não apenas trouxe uma dinâmica boa para as corridas e também não é só isso. Este recurso de carregamento rápido trouxe uma mensagem para todo o mundo que está envolvida na mobilidade elétrica, mas que ainda carrega aquele estigma de que as recargas de baterias são longas a Fórmula E está a desmistificar isso ao carregar 600 KW de potência em seus carros em 30 segundos. No caso das corridas, como disse é uma possibilidade a mais para as estratégias de corrida. Para este ano não muda nada em relação a temporada passada, mas vamos ver o que pode vir com o GEN4, o carro para a próxima temporada. Lucas Di Grassi – Piloto da Equipe Lola-Yamaha Não são todas as corridas que o recurso do Pit Boost é oferecido. São Paulo não é uma delas, mas é um recurso interessante, sendo um fator a mais para alterar a estratégia durante a corrida. É possível planejar o momento de parada e fazer o pit stop na hora certa e isso adiciona uma variável a mais para as equipes conseguirem mudar o que está acontecendo durante uma corrida. Eu gosto deste recurso. A categoria fez um estudo bem feito sobre o momento para a recarga, entre 60% e 40% da bateria, o que evita um problema térmico no momento da recarga, no Pit Boost e também o tempo de recarga. Se a bateria ainda tiver muita carga a parada demoraria mais tempo e se a carga estiver muito baixa, a bateria esquenta muito na recarga. Pode ser que no futuro as baterias permitam uma faixa de recarga maior. Pascal Wehrlein – Piloto da Equipe Porsche Eu entendo o Pit Boost como um fator a mais para complicar as corridas, mas isso no bom sentido, uma vez que obriga pilotos e equipes a pensar alternativas durante a corrida e muitas vezes pensar rápido no que fazer, quando fazer e como fazer para ter um ganho real ou evitar uma perda de posições. Além do Pit Boost nós temos também o recurso do Attack Mode, que permite também momentos de alteração de estratégia. De uma forma geral, eu gosto dos recursos que essa tecnologia oferece, algo relevante que pode ser aplicado na frota mundial de carros elétricos, não apenas nos carros de corrida. Sébastien Buemi – Piloto da Equipe Envision Eu gostei da introdução do Pit Boost nas corridas. Fazer uma parada como a que fizemos em algumas corridas mudou a dinâmica da prova e quando a parada é feita no momento certo o piloto pode ganhar posições durante a corrida, mesmo todos os pilotos parando e gastando o mesmo tempo de parada que o seu. Se formos ver como são as paradas em outras categorias com trocas de pneus, reabastecimentos ou não, troca de pilotos ou não, o tempo de parada é muito próximo entre elas. Tem uma coisa que me incomodou nas corridas com o Pit Boost. Eu acho que nas corridas que tem o Pit Boost não deveríamos ter que fazer duas passagens pela área de Attack Mode. Eu acho que uma passagem seria suficiente para dinamizar a corrida que tenha o Pit Boost. Isso foi algo que falamos nas equipes e as equipes com a categoria. Vamos ver se algo será mudado ou não para essa temporada. |