Alô galera que lê os Nobres do Grid... Salve Jorge!
Não estamos tendo corridas ou testes das categorias que envolvem pilotos brasileiros correndo em busca do sonho de disputar a Fórmula, a Fórmula Indy ou outra categoria top do automobilismo mundial neste final de ano, mas isso não vai deixar vocês sem coluna. Depois da mega bronca pelo mega textão da semana passada, as editoras pediram que eu fizesse uma retrospectiva das categorias de acesso. Falei que isso ia dar outro mega textão, mas elas pediram que eu dividisse em partes e assim vamos preenchendo as segundas-feiras até termos mais novidades. Este ano, por completa falta de horários, não vou ter como fazer o Toyota Racing Series, que passou a ser chamado de Fórmula Regional Oceania e provavelmente os campeonatos dos Emirados Árabes Unidos, que começam em meados de janeiro, para dar uma acelerada na minha tese de mestrado (que pretendo defender antes da metade da temporada... ops... ano). Então, vamos falar de FIA Fórmula 2 (mesmo sem brasileiros) e FIA Fórmula 3. FIA Fórmula 2 Mesmo sem brasileiros na disputa da temporada, encerrada no início do mês em Yas Marina, a FIA Fórmula 2 foi acompanhada por todos, especialmente pelo excepcional desempenho de Rafael Câmara na FIA Fórmula 3 e a certeza de que ele conquistando o título (o que veio a acontecer, com uma etapa de antecedência e quebrar recordes e ser o piloto do ano) seu lugar estaria garantido na categoria seguinte em 2026. A Invicta Racing, campeã de equipes em 2024 e campeã de pilotos com Gabriel Bortoleto, defendeu seu título e o garantiu na penúltima corrida da temporada, em Yas Marina, Abu Dhabi. Leonardo Fornaroli sagrou-se campeão de pilotos de 2025 na penúltima etapa da temporada, em Losail, no Catar. Com essa conquista, Fornaroli se tornou o quinto piloto estreante a ser coroado campeão de pilotos da Fórmula 2. Além disso, ele é o quinto piloto, depois de Charles Leclerc, George Russell, Oscar Piastri e Gabriel Bortoleto, a vencer os campeonatos de Fórmula 2 e Fórmula 3 da FIA em temporadas consecutivas, bem como o primeiro campeão italiano de Fórmula 2 desde a introdução da categoria em 2017. Este é o segundo ano consecutivo em que a Invicta Racing conquistou o título de campeã de pilotos e o de equipes, tornando-se a primeira equipe, depois da Prema Racing, a repetir esse feito. Apesar deste domínio recente da Invicta Racing, o campeonato foi bastante equilibrado, mesmo tendo Leonardo Fornaroli na liderança, seus principais adversários (Jak Crawford, Richard Verschoor, Luke Browning e Alexander Dunne) sempre próximos na pontuação e na disputa pela liderança. Ao contrário do que fez na FIA Fórmula 3, onde foi campeão sem vencer uma corrida sequer, Leonardo Fornaroli conquistou vitórias ao longo da temporada, mas conseguiu aliar isso à sua regularidade, marca maior no ano anterior. Como as coisas nem sempre são justas no mundo do automobilismo, vimos no final da temporada o britânico Avrid Lindblad, dono de uma temporada bastante irregular, com uma vitória na corrida principal, conquistada em Barcelona, ser anunciado antes do encerramento da temporada, no início de dezembro, que seu piloto de 18 anos vai estar em um carro da Racing Bulls, time B da fabricante de energéticos, em 2026, situação bastante frustrante. Para o campeão, Leonardo Fornaroli, o “prêmio de consolação” foi ser contratado pela McLaren para ser o piloto de reserva e de testes após a equipe papaia dispensar Alexander Dunne. Pela primeira vez na história da categoria, a Austrália sediou uma corrida da categoria. A 1ª etapa, contudo, devido ao mau tempo e as mudanças de horários para ter a F1, a corrida principal foi cancelada, e Joshua Dürksen, vencedor da corrida Sprint, largou na frente. Na rodada seguinte, no Bahrein o líder se atrapalhou. Ficou na P2 na corrida curta, mas foi desclassificado por uma infração técnica. Melhor para Leonardo Fornaroli, que assumiu a liderança do campeonato com um ponto de vantagem sobre Alex Dunne, que venceu a corrida principal. Em Jeddah, palco da 3ª etapa, teve o final de semana dominado por Richard Verschoor, mas o holandês punido em 5s na corrida Sprint e a vitória ficou com Avrid Lindblad, se tornou-se o vencedor mais jovem da categoria. Verschoor ganhou a corrida principal e era o líder do campeonato. A chamada temporada europeia começou em Imola onde Alexander Dunne foi o maior pontuador, vencendo a corrida principal e assumindo a liderança do campeonato em uma má jornada de Richard Verschoor. A etapa em Mônaco foi marcada por muita confusão. A maior delas foi na corrida principal, com um acidente na Saint Devote que envolveu muitos carros quando Alexander Dunne bateu em Victor Martins e ambos foram para a barreira de proteção. Muitos dos que vinham atrás não tiveram como desviar e fecharam o funil do circuito na direção tirando mais 5 da corrida. Depois de arrumada a bagunça e ter sido reiniciada a corrida, Joshua Durksen Bateu sozinho e a batida de Dino Beganovic na 14ª volta foi o ponto final. Jak Crawford venceu, mas só levou metade dos pontos pelo encerramento precoce da prova. Avrid Lindblad voltou a vencer – desta vez a corrida principal – em Barcelona. Richard Verschoor voltou a pontuar bem, vencendo a corrida Sprint e fazendo a P3 na corrida principal, encostando em Alexander Dunne no campeonato. A corrida no Red Bull Ring foi marcada por mais acidentes. O mais sério deles envolveu Sami Meguetounif, que passou por cima de Lindblad e de Browning, provocando o acionamento da bandeira vermelha na corrida sprint. Além disso, houve ainda a batida de Oliver Goethe em Beganovic, e Amaury Cordeel rodando na última volta e provocando a colisão de Gabriele Minì, Fornaroli e Josh Bennett, que vinham atrás. Josep Maria Marti venceu a Sprint, mas com a vitória na corrida principal, Richard Verschoor voltou a liderar o campeonato. Foi apenas em Silverstone – e na corrida com o grid invertido – que Leonardo Fornaroli encerrou um período de 4 anos (nisso coloque-se a FRECA e a FIA Fórmula 3) sem vitórias. Na corrida principal, a vitória de Jak Crawford e a má pontuação de Richard Verschoor colocou o norte americano na briga pelo campeonato. A gangorra do campeonato colocava fogo na disputa. Com mais chuva na Bélgica e tendo Richard Verschoor e Jak Crawford zerados na etapa, com a vitória e melhor volta na corrida Sprint e a P5 na corrida principal, o campeonato tinha um novo líder: Leonardo Fornaroli, mas ele, Richard Verschoor e Jak Crawford estavam separados por apenas 4 pontos. Antes de irem para as férias de verão tivemos a etapa da Hungria e foi lá que, vencendo a corrida principal e sendo o maior pontuador, que Leonardo Fornaroli conseguiu uma folga na liderança, mas seus perseguidores não estavam tão longe. Na volta das férias, em Monza, Luke Browning surgiu como alguém na briga pelo campeonato após a vitória na corrida principal e sendo o maior pontuador. A diferença foi que Leonardo Fornaroli “acionou seu ‘modo regularidade’” e começou a gerenciar a vantagem para seus adversários, que começaram a tirar pontos uns dos outros tentando alcança-lo. De volta as corridas de rua com a etapa no Azerbaijão tivemos o retorno dos acidentes na corrida Sprint. Na corrida principal Leonardo Fornaroli e Alexander Dunne bateram e o italiano foi punido com 10s por tirar o “piloto da McLaren” da prova, o que derrubou-o da 3ª para a 5ª posição. Jak Crawford venceu e foi o maior pontuador, mas no “modo regularidade”, o italiano da Invicta saiu para as etapas do oriente médio com 19 pontos de vantagem sobre Jak Crawford e 26 sobre Luke Browning. No Qatar o campeonato foi decidido. Fazendo 23 pontos, 20 com a pole e o 2° lugar na corrida principal, Leonardo Fornaroli conquistou o campeonato com uma etapa de antecipação com a baixa pontuação de Jak Crawford e Luke Browning, que foi superado na pontuação por Richard Verschoor. FIA Fórmula 3 O regulamento da categoria mudou para 2025. Um novo carro e novas regras poderiam mudar o equilíbrio de forças da FIA Fórmula 3, que vinha tendo a Trident como bi-campeã (títulos de Gabriel Bortoleto em 2023 e Leonardo Fornaroli em 2024). Desenvolvido para ser o carro da categoria por pelo menos 3 temporadas, o carro tem como novidades recursos como o Safety Car Virtual (VSC), o sistema de asa móvel acionável (DRS) otimizado e uma nova Unidade de Controle do Veículo (VCU) da Marelli, idêntica à do atual carro de F2. Diferente do que fiz na retrospectiva da FIA Fórmula 2, feito etapa a etapa, farei a retrospectiva da FIA Fórmula 3 equipe por equipe. Apesar de Rafael Câmara conquistar o campeonato de pilotos com uma etapa de antecipação, a Campos Racing largou atrás da Trident, mas logo adaptou-se perfeitamente aos novos regulamentos e uma formação experiente ajudou-a a conquistar o título de equipes na última corrida em Monza, levando dois de seus pilotos a brigar pelo título. O búlgaro Nikola Tsolov (P2) estava em seu terceiro ano na categoria e teve, sem dúvida, sua melhor temporada na Fórmula 3, tendo sido desde a vitória em Mônaco a maior ameaça a Rafael Câmara na disputa pelo campeonato de pilotos. Com 2 vitórias e 4 quatro pódios brigou até a etapa na Hungria pelo título. No entanto, ele não conseguiu brigar pelo título devido à inconsistência, especialmente no terço final da temporada. Mari Boya foi outro piloto em seu terceiro ano e sempre na Campos. O espanhol começou a temporada com a mesma inconsistência que o atormentou em suas duas primeiras temporadas. Em meados de 2025, no entanto, ele foi adicionado ao programa de jovens pilotos da Aston Martin, o que pareceu dar a Boya um novo fôlego. Quatro pódios na segunda metade da temporada fizeram com que Boya saltasse na pontuação e terminar em 3° no campeonato. O tailandês Tasanapol Inthraphuvasak fez sua primeira temporada no campeonato com a AIX mostrou potencial e chegando na Campos em 2025, não decepcionou e terminou em 7° no campeonato. A Campos Racing fez o campeão da temporada pelo 3° ano consecutivo. Rafael Câmara talvez possa resumir seu campeonato em uma palavra: dominação. Esporadicamente, sua liderança pareceu ser ameaçada, mas o nosso pernambucano “cabra da peste” estava simplesmente em um nível acima dos demais. Quatro vitórias em corridas principais e um recorde de cinco pole positions demonstram o nível de domínio de Câmara nesta temporada. Em 2026, ele subirá para a Fórmula 2 com a Invicta e buscará ser o terceiro piloto consecutivo a conquistar títulos seguidos com a Trident na F3 e a Invicta na F2, seguindo os passos de Gabriel Bortoleto e Leonardo Fornaroli. Nos testes pré-temporada o dinamarquês Noah Stromsted mostrou muita velocidade e dividia a tabela de tempos com Rafael Câmara, mas quando o campeonato começou acabou ofuscado pelo brasileiro, acabando por dazer uma temporada de estreia discreta, o que comprometeu a disputa da equipe Campos pelo campeonato por equipes. Seu destaque foi sua primeira vitória na corrida sprint da Bélgica, terminando a temporada em 6° lugar. Como permanecerá na Fórmula 3 com a Trident no próximo ano, espera-se que seja um dos principais candidatos ao título de 2026. Charlie Wurz, filho mais velho de Alexander Wurz, assinou com a Trident com expectativas muito maiores do que as alcançadas. No entanto, os resultados de Wurz provavelmente não refletiram a velocidade que ele costumava demonstrar, com vários incidentes fora de seu controle o fazendo cair para fora do top 10. Uma possível mudança para a Super Fórmula em 2026 poderia reacender a carreira de Wurz fora do circuito europeu de monopostos. A equipe holandesa MP Motorsport tinha um trio de pilotos promissores, mas talvez nem sempre tivesse o carro ideal para demonstrar velocidade consistente na frente do pelotão, como suas rivais Campos e Trident. O alemão Tim Tramnitz permaneceu na equipe e conseguiu alguns bons resultados, mas a disputa pelo título não se concretizou. Ele não conseguiu um lugar na Fórmula 2 e seu futuro é incerto. Alessandro Giusti chegou carregado de expectativas, mas passou quase despercebido em 2025, conquistando apenas treze pontos ao longo da temporada. O francês permanecerá na MP para uma segunda temporada na Fórmula 3 e, assim como Stromsted, espera-se que lute pelo título em 2026. Bruno Del Pino teve uma temporada irregular, terminando na 23ª posição e no ano que vem correrá pela Van Amersfoort em sua segunda temporada na Fórmula 3. A equipe francesa ART Grand Prix teve mais um 2025 decepcionante, não conseguindo atingir os padrões estabelecidos anteriormente. No entanto, nem tudo foi negativo, com algumas performances excelentes de seus pilotos. Tuukka Taponen, campeão mundial de kart e grande adversário de Rafael Câmara em outras categorias. Depois de uma primeira metade de temporada mais consistente, com quatro chegadas entre os cinco primeiros nas oito primeiras corridas, as coisas pioraram depois e ele ficou em 9°. Em 2026 vai estar na MP Motorsport. Laurens Van Hoepen fez sua segunda temporada do holandês e ficou aquém das expectativas, principalmente devido à falta de ritmo na classificação. Van Hoepen mostrou um bom ritmo de corrida ao longo da temporada e conquistou os resultados que merecia no final. Em 2026 vai estar com a Trident. James Wharton sempre foi visto como um talento nato, mesmo sendo só o 18° no campeonato, foi o único piloto da ART a vencer uma corrida em 2025. O australiano se transferirá para a Prema Racing, onde correu na F4 e FRECA. A Van Amersfoort Racing teve em Theophile Nael seu melhor piloto, com 3 pódios e terminando em 8° lugar no campeonato. Apesar de terminar na melhor posição, ele foi o único piloto com VAR que não venceu. Santiago Ramos, 15° e Ivan Domingues, 19°, venceram corridas, mas faltou consistência. A Rodin Motorsport não conseguiu fazer muito com o trio Roman Bilinski (11°), Callum Voisin (14°) e Louis Sharp (26°). Voisin fez uma pré-temporada promissora, mas não conseguiu brilhar e deve largar os monopostos para 2026. A Prema foi, certamente, a grande decepção da temporada. Equipe multi campeã não se encontrou com a introdução do novo regulamento de 2025 que trouxeram uma mudança drástica em seu desempenho, incluindo até a necessidade de abandonar a pintura tradicional em favor de um visual totalmente em fibra de carbono. Ugo Ugochukwu (16°) só conseguiu 2 pódios em corridas Sprint e foi dispensado do programa da McLaren Noel Leon (17°), mesmo com um desempenho abaixo do esperado vai para a Fórmula 2 pela Campos em 2026. Brando Badoer (25°), filho de Luca Badoer, só pontuou 3 vezes e se acidentou incontáveis vezes. Em 2026 continua na categoria, mas pela Rodin. A Hitech TGR amparou-se no ótimo Martinius Stenshorne, (5° colocado no campeonato) com o norueguês tendo grandes performances, vencendo duas corridas e fazendo outros três pódios. A McLaren errou ao dispensa-lo, com certeza. Ele fará a Fórmula 2 em 2026 pela Rodin. Gerard Xie (29°) foi o piloto regular ao lado de Stenshorne na temporada. O terceiro carro da Hitech TGR foi pilotado por Joshua Dufek, Jesse Carrasquedo Jr., Freddie Slater e Nikita Johnson, mas nenhum dos pilotos pontuou para a equipe britânica, sempre buscando um dinheiro a mais para fechar o orçamento do ano, mesmo caso da AIX, Com Brad Benavides, Nicola Mariningeli, Freddie Slater (sim, ele correu em duas equipes este ano e venceu o campeonato da FRECA, devendo fazer 2026 na Fpormula 3 pela Trident), Nikita Bedrin, Javier Sagrera, James Hedley (que também disputou a rodada final com o VAR), José Garfias e Fernando Barrichello também competiram pela equipe, com Hedley garantindo um 4º lugar na Sprint da Hungria. A equipe francesa estreou na Fórmula 3 na temporada de 2025 e, embora tenha terminado na última posição da classificação geral, com seus pilotos – Christian Ho, Matias Zagazeta e Nicola Lacorte – em 22°, 24° e 33° no campeonato, mostrou potencial em sua primeira temporada. O objetivo é conquistar seu primeiro pódio em 2026. E assim concluímos assim mais um desafio, acompanhando as categorias de base com os brasileiros buscando uma oportunidade de crescer no automobilismo internacional em qualquer dos continentes pelo mundo e vamos continuar tentando manter o compromisso da coluna semanal. Um abraço a todos, Genilson Santos Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. |