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Ferrari volta a vencer no WEC com abandono da Toyota PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 07 September 2026 14:32

Alô Brasil!

 

Os carros das categorias são submetidos a corridas longas, mas nem por isso lentas. São provas de resistência com velocidades de corridas mais curtas.

 

Em corridas de endurance os carros são preparados para resistir trabalhar em alto nível de exigência por longas horas.

 

Mas o que é inegável, independente da categoria em que as corridas de automóvel aconteçam, um resultado só se confirma na bandeirada final.

 

O carro nº 50 (Ferrari 499P) da equipe Ferrari AF Corse, pilotado por Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, conquistou uma vitória surpreendente na prova Lone Star Le Mans, realizada no Circuito das Américas. O protótipo da categoria Hypercar (LMH) assumiu a liderança quando restavam pouco mais de 10 minutos para o fim da corrida, após o Toyota GR010 Hybrid nº 7 sofrer uma falha hidráulica que causou a perda da direção assistida, forçando o abandono do carro. Foi a primeira vitória da Ferrari na categoria Hypercar desde as 24 Horas de Le Mans de 2024, e a primeira vez que o trio do carro nº 50 subiu ao lugar mais alto do pódio desde a etapa de abertura da temporada passada, no Catar.

 

O resultado inesperado — que teve grandes implicações para o campeonato — ocorreu depois que Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries pareciam caminhar para sua segunda vitória na temporada e para a liderança do Campeonato de Pilotos.

 

 

"Foi um desfecho muito triste para um grande dia. Nós realmente demos tudo de nós e executamos bem o trabalho. Mas, infelizmente, é um esporte que depende de tecnologia, e ela nos deixou na mão hoje", disse Nick De Vries, visivelmente abatido.

 

Foi um final impressionante para uma corrida repleta de reviravoltas, que culminou em uma disputa intensa nos minutos finais — com 46 minutos restantes no cronômetro — após a segunda entrada do safety car. As neutralizações desempenharam um papel fundamental no resultado da prova, reagrupando o pelotão justamente quando diferentes estratégias de combustível e pneus estavam sendo colocadas em prática.

 

De Vries estava ao volante na fase final, com o carro nº 7 na liderança, e havia aberto uma vantagem confortável de dois segundos sobre os demais competidores após a última relargada, antes de o carro apresentar problemas. A equipe do carro nº 7 evoluiu bem ao longo da corrida, subindo da quarta posição — ocupada no momento do primeiro safety car (acionado devido a detritos na pista) — para a liderança, ao ultrapassar Earl Bamber (Cadillac nº 38) na Curva 1, quando faltavam pouco mais de duas horas para o fim. Eles mantiveram a ponta durante a segunda bandeira amarela (causada pela parada do Lexus nº 78 na pista com danos na dianteira). Mas todo o esforço acabou sendo em vão.

 

 

Logo atrás, Nicklas Nielsen garantiu o segundo lugar ao ultrapassar o Alpine nº 35 de Charles Milesi na fase final da prova, realizando uma manobra por fora em meio ao tráfego, antes de herdar a liderança. Foi uma manobra que acabou garantindo um resultado enorme para o "Cavallino Rampante", em um dia no qual o carro nº 51 (um 499P), que largou na pole position e disputa o campeonato, terminou em 11º lugar.

 

A “Ferrari irmã”, de número 51, que largou na pole, manteve a liderança no início e parecia destinada a assumir o topo da classificação por algum tempo, mas acabou não pontuando. O carro perdeu 45 segundos em um pit stop; James Calado explicou ao DSC que um erro do piloto e, mais tarde, a dificuldade da equipe com os pneus duros acabaram custando caro ao time.

 

“Foi um erro durante o turno de pilotagem do Giovi. Quando ele entrou nos boxes, isso significou que eu tive que realizar um ciclo completo de reinicialização do sistema; houve confusão e perdemos muito tempo. A partir daí, as coisas não saíram como o planejado; foi uma situação caótica, tivemos períodos de FCY (Full Course Yellow) que nos prejudicaram e, no fim, não havia mais chance de recuperação. É frustrante. Entramos na corrida achando que poderíamos vencer. Mas, ao mesmo tempo, tivemos sorte com o azar do carro nº 7. Não é bom ver essas coisas acontecerem, mas não perdemos nada na disputa, exceto mais uma corrida para tentar recuperar os pontos.”

 

O segundo lugar ficou com o Cadillac V-Series.R nº 38 da Hertz Team JOTA, que largou na primeira fila após o empate técnico na Hyperpole de ontem. O carro foi rápido durante todo o dia, mas foi prejudicado pelo momento da entrada do primeiro safety car — acionado justamente quando a equipe estava realizando um stint duplo com os mesmos pneus —, deixando Earl Bamber tendo que defender sua posição contra carros com pneus mais novos, tudo isso com os níveis de energia do pelotão zerados.

 

 

No entanto, isso não representou um grande revés, já que Jack Aitken terminou em segundo lugar após a corrida, beneficiado pela falha mecânica do Toyota e pela punição de cinco segundos aplicada ao Alpine nº 35 por uma liberação insegura dos boxes.

 

Pra Jack Aitken foi um resultado realmente fantástico, numa corrida de altos e baixos, com várias interrupções e muitos períodos de bandeira amarela e “safety car” na pista. “Oscilamos entre a liderança e posições mais atrás no top 10, tornando difícil prever onde terminaríamos. Mas conseguimos lutar e garantir um pódio fantástico em casa.” Milesi acabou caindo para o terceiro lugar com o carro da tradicional marca francesa, que manteve um ritmo forte durante todo o dia com seus dois modelos A424 e que, em outra ocasião, poderia ter conquistado uma vitória histórica.

 

O Aston Martin Valkyrie nº 007 — um dos dois únicos carros a utilizar pneus Michelin de composto duro na primeira metade da prova — conquistou um excelente quarto lugar. O carro mostrou velocidade e passou grande parte da corrida disputando posições que garantiam pontos. O Alpine nº 36 terminou em quinto, com Victor Martins ganhando várias posições após largar fora do top 10 na última relargada.

 

 

Mais atrás, o Toyota nº 8 ficou em sexto, à frente do Genesis nº 17, com a marca coreana alcançando seu melhor resultado até o momento. O BMW nº 15, o Cadillac nº 12 (que cruzou a linha de chegada em sétimo, mas sofreu uma punição de cinco segundos) e o Peugeot nº 94 completaram o top 10. Apesar de ter terminado fora da zona de pontuação, em 12º lugar geral, após um dia difícil para o BMW nº 20, o drama vivido pelo Toyota nº 7 no final da prova permitiu que Robin Frijns e René Rast mantivessem a liderança do campeonato mundial de pilotos nos critérios de desempate.

 

LMGT3

Na categoria LMGT3, tudo deu certo para a equipe The Heart of Racing, que conquistou uma vitória e um terceiro lugar com seus carros Vantage LMGT3. O carro nº 27 foi o vencedor, com uma atuação convincente sustentada pelo forte desempenho de Ian James, Zach Robichon e Mattia Drudi — este último tendo que lidar com a falta de ar-condicionado sob o calor na parte final da prova. O carro-irmão nº 23 conquistou um suado terceiro lugar. Essa foi a segunda vitória da Aston Martin na categoria LMGT3, após o primeiro triunfo ter ocorrido no mesmo evento, dois anos antes. Foi também a primeira vitória na categoria para Robichon e Drudi.

 

 

“Foi incrível! Uma jornada difícil. Estivemos perto da vitória algumas vezes na última temporada e meia e, finalmente, tudo deu certo com uma estratégia limpa e sem erros. A equipe tomou uma boa decisão ao nos ajudar a superar o Porsche que estava à nossa frente via estratégia de box (“undercut”), aproveitando a pista livre e pneus novos para construir a vitória. Depois, após o último “safety car”, havia um Hypercarro atrás de mim; na relargada, isso criou uma diferença que facilitou minha vida. Mas foi difícil, pois o ar-condicionado parou de funcionar; não recomendo a ninguém pilotar naquele calor!”

 

O Porsche nº 91 da Manthey DK Engineering ficou entre os dois Aston Martins, mantendo-se na disputa durante toda a prova. James Cottingham, em particular, destacou-se e conquistou o prêmio Goodyear Wingfoot Award pelo seu desempenho no início da corrida. A Ferrari nº 21 da Vista AF Corse conquistou pontos valiosos ao terminar em quarto lugar. O Ford Mustang nº 77 da Proton Competition cruzou a linha de chegada na quinta posição.

 

 

Foi um dia difícil para quase todos os principais carros na disputa pelo título. O Corvette nº 33, líder da classificação, teve dificuldades de ritmo — em parte devido ao lastro de sucesso — e perdeu tempo após um toque que fez Ben Keating rodar na Curva 1, terminando a prova em 12º lugar. “Sabíamos que seria um dia difícil; perdemos uma volta mais cedo do que esperávamos e não havia muito o que pudéssemos fazer”, admitiu o líder do campeonato, Jonny Edgar.

 

A BMW nº 69 da WRT sofreu um furo de pneu no início da corrida e perdeu uma volta, terminando em 11º, enquanto o Porsche nº 92 da Bend Manthey acabou nos boxes com um problema na direção depois que Riccardo Perra bateu em uma zebra. O Corvette da Racing Team Turkey, vencedor no Brasil, também terminou a prova nos boxes devido a um problema de direção. Com esse resultado, a equipe da Ferrari nº 21 subiu para o segundo lugar na classificação de equipes, ficando a 22 pontos do Corvette nº 33.

 

A próxima etapa será as 6 Horas de Fuji, em 27 de setembro. 

 

Tudo de bom, 

 

Geoff McNeelan

 

 

Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. 

 
Last Updated ( Thursday, 10 September 2026 19:57 )