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O Calendário da Stock Car em 2014 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 12 September 2014 00:00

Por conta da copa do mundo (e de outros problemas de ordem administrativa), a Stock Car precisou fazer diversas alterações em seu calendário de 2014, criando uma verdadeira maratona, bastante atípica para a categoria, com corridas a cada duas semanas.

 

Logicamente esta situação diferenciada provocou alterações na vida das equipes e dos pilotos e foi com eles que conversamos para saber como foi encarar mais este desafio em um campeonato tão competitivo como o da Stock Car Brasileira.

 

Andreas Mattheis – Chefe da Equipe AMattheis.

Realmente, devido à copa do mundo e às eleições, nosso calendário este ano ficou atípico e teremos agora uma sequência de cinco etapas com o intervalo de apenas duas semanas entre uma largada e outra., uso o referencial largada, mas para nós, temos que estar no autódromo já na quinta-feira, ou seja, são praticamente dez dias entre o final de uma etapa e o início da etapa seguinte.

 

Para enfrentar esta maratona tivemos que comprar mais material, aumentar o estoque de sobressalentes para ter como atender uma necessidade caso ela surja. O regulamento da Stock não limita a quantidade de peças que a equipe deve ter em estoque e muitas das peças que se usa são possíveis de se comprar no mercado de autopeças, mas nãopodemos correr o risco de não encontrarmos. Melhor ter em estoque porque certamente uma hora elas serão usadas.

 

A parte mais sensível a se trabalhar foi com a equipe, a mão de obra. A opção foi de não aumentar a quantidade de pessoas. Mantivemos o mesmo quadro, mas foi preciso fazer um estudo na logística para otimizar a questão tempo e preparação. Um exemplo: depois da etapa de Cascavel, a categoria corre em Curitiba. Seguimos direto para Curitiba, limitando apenas as pessoas e veículos da equipe que precisariam retornar a Petrópolis fazer esta viagem. Motorhome, caminhões de apoio, seguiram para Curitiba. Os carros seguem para Petrópolis para a revisão e seguem pra Curitiba. Como a etapa seguinte é a do Velopark, nós fizemos a revisão dos carros em Curitiba e seguimos para o Rio Grande do Sul. Quando sairmos do Sul para Salvador, passaremos na porta de casa.

 

Um fator, que é uma coisa que não mexemos, que é responsabilidade da JL, são os motores. Eles não são revisados no meio do ano. Eles tem uma vida útil bem superior ao que se usa ao longo do ano. Os motores que tivermos dúvida sobre sua potência, seu rendimento, nós levamos na JL para ser inspecionado e se for o caso trabalhado e equalizado. O regulamento determina que os motores dos três primeiros colocados e dois outros escolhidos é que vão para Cotia para a equalização. Motor é algo que, à princípio, não preocupa.

 

Allam Khodair – Piloto da Equipe Fulltime

Desde o início do ano a gente sabia disso que iria acontecer este ano e a equipe se preparou na sua parta administrativa, operacional e logística para poder fazer todo este processo que envolve a necessidade de equipamento, transporte, pessoal, mas a equipe é muito organizada e não vai ter problema em fazer isso.

 

Eu, além do calendário apertado da Stock Car tenho o Brasileiro de Marcas como a outra categoria em que corro e que terá etapas entre duas etapas da Stock Car, ou seja, vai acontecer situação de eu correr em três finais de semana consecutivos, além dos compromissos de relacionamento dos patrocinadores, que são eventos onde o piloto precisa estar presente que vão desde corridas promocionais de kart até uma feira do setor de óleo e gás no Rio de Janeiro, além de palestras motivacionais em empresas... até dezembro eu vou enfrentar uma maratona pesada, mas a gente vive disso, tem que estar preparado e junto com tudo isso tem a minha grande alegria deste ano que foi o nascimento do meu filho, que eu estou curtindo muito a experiência de ser pai. A vida está corrida, mas corrida é comigo, certo? (risos)

 

Mauro Vogel – Chefe da Equipe Vogel Motorsports

A gente está trabalhando mais do que poderia se o calendário fosse mais espaçado, mas este ano teve que ser assim. Toda a mídia esportiva do país estava voltada para a Copa do Mundo e não tinha como ser diferente. Não adianta a gente querer fazer corrida se não tiver a mídia.

 

Logicamente que isso gerou um sacrifício para todos nós, mas não havia outro jeito e o que tivemos que fazer foi um planejamento prévio, com o conhecimento do calendário, que já mudou algumas vezes, mas que no fim ficou essa maratona de corridas com intervalo de duas semanas para depois da copa do mundo e nos preparamos para encarar o desafio.

 

O que nós fizemos foi dar uma folga para o pessoal no período da copa e prevenir que, no retorno, o trabalho ia ser puxado. A gente fez um “banco de dias” como algumas empresas tem “banco de horas” e assim consegui manter um planejamento sem que houvesse necessidade de contratação de pessoal extra e de aumento de custo para a equipe.

 

Julio Campos – Piloto da Equipe Mico’s Racing

Na verdade, para nós, pilotos, acho que a maioria pensa assim, quanto mais corrida melhor! Por mim tinha corrida toda semana. O que eu mais gosto é sentar no carro e pilotar. A Stock tem só 12 etapas por ano e a gente vê o pessoal da NASCAR que tem 36 etapas por ano e acho que duas corridas extras, ou seja, eles correm 38 de 52 finais de semana e ainda assim a gente vê alguns deles correndo nas outras categorias da NASCAR no sábado e na sexta-feira.

 

Ter estas situações em que voltamos para a pista a cada duas semanas é muito gostoso porque não é só a corrida em si, mas também o entrosamento entre todos na equipe. Mecânicos, engenheiros, todo mundo no autódromo, em ambiente de competição. Sei que seria muito difícil ter uma coisa como a NASCAR aqui no Brasil, mas se a gente tivesse 20 etapas por ano seria fantástico.

 

Apesar de todo o tempo ocupado durante a semana com compromissos relacionados com a categoria e com a equipe, ficar sem ir para a pista no final de semana é meio “estranho”... daí a gente busca outras categorias para andar, vai andar de kart... o negócio é estar na pista.

 

Rosinei Campos (Meinha) – Chefe de Equipe da RC-Eurofarma.

A gente já sabia disso quando viu o calendário no início do ano e vimos que ficaria apertado. Isso nos fez abrir mão de participar de uma outra categoria por conta do calendário deste ano.

 

Um outro problema que temos que enfrentar e eu considero mais complicado do que a sequência de corridas a cada duas semanas são as distâncias que teremos que percorrer entre as etapas. Não é fácil sair de uma etapa no Rio Grande do Sul e seguirmos para uma etapa em Salvador duas semanas depois.

 

Foi necessário fazer um estoque de peças sobressalentes maior do que o habitual e também produzir mais peças de fibra, já pintadas. Essas peças levam tempo para ficar prontas e na Stock, como todos veem, tem muito toque, muita batida e ninguém está livre delas. Batidas mais fortes exigem que haja substituições de parte inteiras do carro.

 

Nós fizemos um planejamento de trabalho que não exigiu que fosse necessário contratar pessoal extra. O credenciamento da categoria permite um certo número de pessoas trabalhando e isso restringiria o acesso de pessoal extra. Com o planejamento que fizemos , também não foi necessário aumentar o efetivo do pessoal que fica na sede em Pinhais. Se for o caso, fazemos umas horas extras, mas acho que vai dar certo da forma que pensamos.

 

Atila Abreu – Piloto da Equipe Mobil Super Racing

A equipe trabalhou duro para se preparar para esse calendário diferente como está sendo o deste ano e acho que vamos conseguir manter o mesmo nível de competitividade que vínhamos mantendo desde o início do campeonato e andar entre os primeiros.

 

Para mim, como piloto, o ruim mesmo foi ficar tanto tempo sem correr. Essa parada da copa do mundo teve que ser feita, mas eu sou piloto e piloto gosta mesmo é de estar na pista.

 

Esta série de provas agora, separadas por duas semanas apenas vai ser corrido, vai ser puxado pra todo mundo. Talvez o ideal fosse fazer as corridas a cada três finais de semana para ter tempo de fazer os deslocamentos e as revisões dos carros com mais calma e cuidado... mas essa dificuldade está aí pra todo mundo.

 

A nossa equipe fez um bom trabalho e além da copa do mundo ainda teremos os finais de semana das eleições pra complicar um pouco mais o calendário, mas isso acaba se tornando um desafio pra todo mundo. Nós fizemos muito equipamento de reposição para o estoque.

 

Da minha parte, como piloto, por mim, tinha corrida todo final de semana! A gente gosta mesmo é de correr e quanto mais tempo a gente pode ficar na pista, melhor. Fica agitado, fica puxado, mas é gostoso!

 

Juan Carlos Lopez (Micos) – Chefe da Equipe Mico’s Racing

Sim, todas estas mudanças para este ano especificamente fizeram com que tivéssemos que mudar o andamento normal da equipe. Quando ficamos sabendo, no início do ano como seria o calendário de 2014, estabelecemos um plano de ação da seguinte maneira:

 

Contratamos mais gente para que, desde o início da temporada, tivéssemos na oficina da equipe, um grupo trabalhando paralelamente para preparar com calma todo o material que seria necessário para o retorno depois da copa do mundo.

 

Durante o intervalo da copa, entre as duas etapas de Goiânia, que foram praticamente dois meses, nos refizemos os dois carros. Este é um trabalho que se faz no início do ano, mas nós trabalhamos como se fôssemos começar uma nova temporada agora no retorno.

 

Trabalhamos muito na confecção das partes de fibra mais sujeitas a quebra. Fizemos um bom estoque de peças para não passar aperto com este intervalo curto. Aqui no caminhão, temos muitas partes reserva, mas se temos que usar e vamos para outro autódromo, lá na oficina, temos outras peças para substituir as que foram danificadas e não podemos usar mais, que precisarão ser refeitas.

 

O maior problema dos carros da Stock Car são as partes de fibra de vidro e a pintura. As partes mecânicas nos preocupam menos, são mais fáceis e até mais rápidas de serem reparadas ou substituídas. Com este regulamento novo, de rodada dupla e as corridas muito perto uma da outra, é muito importante isso.

 

Mas eu preciso te contar uma coisa: este ritmo mais puxado, com as provas perto uma da outra está sendo bom. Deixa você mais ligado, mais ativo. Essa parada de dois meses que tivemos não foi bom. A gente fica lento, perde o ritmo. Eu gosto muito dos americanos que tem uma corrida em seguida da outra. A gente devia tentar ter isso aqui também.

 

Thiago Camilo – Piloto da RC Motorsports.

No meu caso, na parte de preparação física não mudou praticamente nada. A Stock Car tem apenas 12 etapas no ano e eu acho que o piloto tem tempo até de sobra.

 

Eu, e acredito que todos os pilotos aqui da Stock se pudessem estariam na pista correndo todos os finais de semana. Seria muito bom se fosse possível a gente ter um campeonato com muito mais etapas, mas economicamente é algo que não dá pra fazer.

 

Nestes dois meses que tivemos que ficar parados por conta da copa do mundo a nossa equipe, e certamente as outras, tiveram tempo para revisar bem os carros e analisar os dados colhidos nas primeiras provas, especialmente por conta da mudança do regulamento do ano passado para este ano, e se preparar para essa maratona de corridas que estamos fazendo agora.