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É preciso Ordem para haver Progresso! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 03 September 2015 20:54

Desde o mês de abril os responsáveis pelo Projeto Nobres do Grid vieram trabalhando no projeto de apresentar um Calendário Unificado para o automobilismo brasileiro, englobando os três principais eventos promovidos no país, por promotores diferentes, levando em consideração os interesses das emissoras de televisão (abertas ou por assinaturas) e evitando a coincidência de datas e locais para permitir que os profissionais de mídia pudessem estar presentes em todos estes eventos locais, dando assim uma melhor cobertura e uma maior visibilidade a estes eventos.

 

No ano passado apresentamos um projeto semelhante, contudo, de forma tardia, apenas no mês de novembro, quando os campeonatos já tinham seus planejamentos previamente estruturados, mesmo sem o problema da Copa do Mundo para atrapalhar, vimos uma enorme quantidade de “coincidência de datas”.

 

Diante das coisas absurdas que vimos quando os calendários foram apresentados, com os promotores das duas maiores categorias do país agendando seus eventos para a mesma data em cinco ocasiões (sendo que um deles tem 12 eventos e o outro 10), chegando ao extremo de programarem corridas para o mesmo estado e em cidades distantes apenas 140 Km uma da outra (que felizmente foi mudado), não consigo pensar em outra coisa que não no desinteresse destas pessoas com o crescimento e o desenvolvimento do automobilismo brasileiro.

 

Eu sou uma pessoa muito persistente e não desisto diante de desafios. Busquei junto aos demais integrantes do Projeto Nobres do Grid levar adiante o projeto para o Calendário Unificado do Automobilismo Brasileiro para 2016, partindo do mesmo princípio de se evitar as coincidências de datas e locais para permitir que os profissionais de mídia pudessem estar presentes em todos estes eventos locais. Contudo, desta feita, trabalhamos para apresentar esta proposta junto aos promotores ainda no mês de agosto e o fizemos. Com isso, buscamos dar tempo para eles trabalharem nos seus calendários e esperar um entendimento entre estes promotores para o bem do nosso esporte.

 

No entanto, diante da notícia que nos foi dada neste 1º de setembro, fica evidente que existem questões mais complexas do que costumam ficar expostas para aquele fã que vai ao autódromo, que lê o noticiário nos sites de automobilismo, que se interessa pelos artigos que publicamos e pela história do automobilismo.

 

Vista aérea de uma montagem para festival de música dentro do Autódromo Internacional de Interlagos.

 

A SPTuris, responsável pela gestão do Autódromo Internacional de Interlagos, decidiu locar o espaço por pelo menos 14 dias (entre os dias 30 de novembro e 13 de dezembro) para a Holding “Time For Fun”, que tem entre suas Empresas a VICAR, promotora da Stock Car, Campeonato Brasileiro de Turismo, Campeonato Brasileiro de Marcas, F3 Brasil e Mercedes Benz Challenge.

 

Tal medida de ordem administrativa inviabilizou a realização da última etapa do Campeonato Brasileiro da Fórmula Truck, agendado desde o final de 2014 para o final de semana de 4 a 6 de dezembro de 2015 uma vez que foi marcado para os dias 4 e 5 um evento de música eletrônica num espaço que deveria ter como seu principal uso a prática do esporte a motor.

 

Não pretendo ser leviano, afinal quem acusa tem o ônus da prova, de afirmar que a Holding “Time For Fun” e a VICAR agiram de forma sórdida e vil, sabotando a categoria do eterno Aurélio Batista Felix e sua família, que mesmo sem as estrelas da Stock Car, seus ex-pilotos de F1 e a maior rede de televisão do país para divulgá-la, arrasta mais público aos autódromos do que qualquer evento com duas ou quatro rodas no território brasileiro, exceção feita à Fórmula 1.

 

Wilson Martins Poit (Diretor da SPTuris)/Maurício Slaviero (Diretor da VICAR)/Fernando Luiz Altério (CEO da Time For Fun).

 

Durante meses ambos os promotores colocaram em seus respectivos calendários com eventos para o final de semana de 4 a 6 de dezembro de 2015. Se os respectivos promotores parecem nem se falar, como encontrar um entendimento para o bem do automobilismo brasileiro? Quando da abertura do campeonato da Stock Car neste ano, em Goiânia, nosso enviado tentou conversar com o Diretor da VICAR sobre a possibilidade de se fazer um evento conjunto e uma ação promocional do automobilismo nacional que seria algo inédito no Brasil. Ele nem quis ouvir a proposta.

 

Por outro lado, a “demonização” da SPTuris é algo a se questionar. Os custos de manutenção de um espaço com um milhão de metros quadrados não são pequenos. Quando se tem contas para pagar é preciso encontrar meios para isso. É preciso que os contratos sejam assinados e pagos para a realização de eventos no espaço que o autódromo ocupa no centro da cidade.

 

Em nota, a SP Turis explicou que a questão esteve relacionada a pagamentos. “Por questões jurídicas, a divulgação dos eventos pela administração do Autódromo de Interlagos é feita somente após a ratificação dos termos contratuais, entre os quais está a quitação de todas as parcelas da locação dos espaços”, acrescentando que “a administração do Autódromo somente pode confirmar um evento quando o custo total da locação do espaço é quitado”, dando a entender que a Fórmula Truck não pagou pelo aluguel do espaço, algo que não surpreende quem tem acompanhado a categoria e vivenciado o ambiente rumoroso de que há um problema de fechamento de contas já há algum tempo.

 

A atitude da SPTuris, por mais imoral que pareça “impedir” a realização de uma competição de automobilismo, partindo da assertiva de que sua nota oficial seja de realidade fidedigna, não tomou nenhuma atitude ilegal ao exigir o cumprimento de compromissos financeiros. Contudo, pelo descrito em nota oficial da Presidente da Fórmula Truck, a SPTuris criou uma situação que inviabilizava a etapa, mesmo com uma alteração de data.

 

Um autódromo tem que receber corridas. Eventos outros podem ser feitos, mas a atividade-fim precisa ser preservada.

 

É sabido que a CBA não tem ingerência nos assuntos comerciais das empresas que promovem o automobilismo no país, mas não é aceitável que o Sr. Cleyton Pinteiro e sua diretoria sejam omissos ao ponto de, vendo todo o imbróglio que desenhou-se desde dezembro de 2014 e arrastou-se por todo o primeiro semestre de 2015, chegando ao ponto onde chegou, não tomasse nenhuma atitude para fazer com que houvesse um entendimento. Um autódromo tem que ter a sua atividade-fim respeitada e não excluída. Não se trata de uma corrida com carros de rolimã, mas da categoria mais popular do país! Um evento como este, de música eletrônica poderia ter sido feito no Anhembi, por exemplo.

 

Diante de tudo o que aconteceu, não sei se os promotores darão a devida atenção ao projeto que encaminhei para o calendário de 2016. Vou aguardar, mas caso depare-me com mais um calendário incoerente, onde ao invés de se buscar o crescimento do automobilismo brasileiro vejamos mais um episódio de “canibalismo”, estou disposto a entrar com uma ação junto ao Ministério do Esporte através do Conselho Nacional do Esporte para que o Automobilismo Brasileiro sofra uma intervenção como sofreu o esporte na Argentina em meados dos anos 90. Precisamos de ordem para haver progresso!

 

Fernando Paiva


Last Updated ( Wednesday, 23 September 2015 21:46 )