Classificados

Administração

Patrocinadores

 Visitem os Patrocinadores
dos Nobres do Grid
Seja um Patrocinador
dos Nobres do Grid
As 12 Horas de Tarumã de 2015! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 23 December 2015 22:01

Há experiências que todo aquele que gosta mesmo de corrida deveria experimentar um dia. Ver um rally estando no meio da especial, por exemplo. Presenciar uma prova em oval de qualquer categoria e lembrar que “passarinho c@#$% na pista, bandeira amarela”, como diria Nelson Piquet. E... Assistir uma prova de endurance in loco, permanecendo acordado por mais de 24 horas. E é sobre essa ultima experiência que escreverei agora.

 

Desde menino, eu tinha vontade de assistir uma largada noturna na pista. Lembro que, quando bem garoto, as Mil Milhas, realizadas em Interlagos, iniciavam dessa forma. Meia noite. Faróis ligados. Adrenalina e tensão altíssimas. Mas, hoje, nem Mil Milhas, infelizmente, temos mais. Sendo assim... Qual a maior e mais tradicional prova de endurance temos nos dias de hoje no Brasil, aquela que os pilotos, preparadores e publico mais anseiam e torcem para chegar, e que além disso, tem sua largada exatamente à meia – noite? 12 Horas de Tarumã.

 

Localizado em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, o autódromo é um verdadeiro patrimônio do automobilismo gaúcho. Veloz, com muitas curvas de alta, a pista de 3.016 metros, tendo sido a primeira a ser totalmente asfaltada no estado do Rio Grande do Sul, e situada no bairro do Tarumã (daí o nome do circuito), tem uma infraestrutura apropriada para as competições automobilísticas, mas sem luxo. Porém, se falta o tal luxo ”coxinha” (desnecessário, por sinal) algo que sobra nesse lugar é alma. A alma do automobilismo. Algo tão em falta em alguns lugares, eventos e categorias, mas que sobra nessa parte do mundo.

 

 

Protótipo Tornado #3, vencedor na categoria, e que utiliza motor de Suzuki Hayabusa 1.3 Litros. Detalhe dos faróis bem diferentes.

 

 

Um automobilismo não feito para justificar investimentos, mostrar balancetes e agradar àqueles que não sabem nem o que é uma porca de roda. Um automobilismo puro, que nasceu, cresceu e vive dentro da suma maioria dos que estão lá. Um automobilismo que em muitas famílias, está na sua 3ª geração, e que ainda tem os pais incentivando os meninos a seguir, pelo simples prazer de domar uma maquina por curvas e retas, horas e horas a fio. Um automobilismo de beira de pista, e não de Hospitality Center.

 

E assim, temos os nomes de escuderias, como Mottin, MC Tubarão e Metalmoro, que correm o ano todo no Gaúcho de Endurance, mas mirando o Grande Prêmio do ano. Equipes que desenvolvem, corrigem problemas, acertam e ajustam e quebram e consertam seus bólidos, e que fazem o melhor que podem para terem o melhor carro que podem, para, nessas 12 horas, mostrarem o trabalho árduo de um ano todo. Apaixonados, que cuidam desse automobilismo com o respeito devido.

 

 

O Protótipo #46 durante os reparos que custaram meia hora de prova e deixaram o carro a 20 voltas do líder naquele momento.

 

 

 

Os pilotos, que por vezes seguem aquilo que pais e tios e avôs faziam, e que poderiam seguir para qualquer caminho nos dias de hoje, mas que persistem nisso, por poderem, por amarem o esporte. Preparadores, mecânicos, que se sacrificam por conta da prova, e vão à exaustão. Todo o staff de organização, seja parte de segurança de pista, sejam médicos e enfermeiros, sejam os jornalistas que cobrem há anos... E que definitivamente voltarão ano que vem, com os olhos preparados para receberem olheiras, mas um sorriso no rosto de poderem dizer “Mais uma 12 Horas!”

 

E o publico. Que merece uma parte especial no texto. Um publico que sim, se posta á beira da pista, acampado em barracas ou em tendas, com uma churrasqueira e sempre um bom assado sendo feito. Que sabe quem são os pilotos, quais são os carros, que suportam frio, sono, vento, somente para estar ali. Para verem carros e pilotos darem o melhor. E por fim, guardar para si, dentro de cada um, as lembranças dessa madrugada memorável.

 

 

Protótipo MRX – Honda Mugen #32, guiado de forma ótima e constante por Mauro Kern/Paulo Souza/Franco Pasquale, descendo a reta.

 

 

E... a prova? Um show, por si só. Como juntar todos esses ingredientes e ter algo ruim? Grid que, podemos dizer, tem os melhores protótipos produzidos no país, juntamente com maquinas menos sofisticadas, tanto de classes mais baixas de protótipos quanto de carros de turismo e GT, dividindo curvas e freadas e retas e saídas, andando em ritmo forte desde o inicio. E desde a largada, a “Serpente Luminosa”, como diria o Perna, narrador oficial, se mostra. Os sons. O brilho dos faróis. Um belíssimo espetáculo, que por si já justifica tudo o que acontece até aquele momento. E isso, sem falar do amanhecer na pista, momento em que muito do cansaço de pilotos e equipes começa a ficar mais pesado, mas que por sua vez traz imagens belíssimas para todos aqueles que aguentaram até ali.

 

E além disso, todo o drama da prova. Prova onde ninguém, em carro algum, deve ser descartado. Aonde um carro chega a perder meia hora em reparos elétricos enquanto estava em segundo, fica até 20 voltas atrás do primeiro colocado, mas que, contando com um conjunto bom, equipe com tática correta, e um quarteto de pilotos ótimos( palmas para Carlos Kray, Christian Castro, Pedro Castro e em especial para Vitor Genz, um monstro no fim da corrida), aparece na ultima hora da prova descontando voltas do primeiro colocado, até então o MRX – Nissan #27 de Rodrigo Machado e Cacó Pereira, e se colocando em posição de alcançar a liderança e, a 8 minutos do fim da peleia, passa o líder até então, e abre distancia para alcançar uma vitória que muitos davam como certa (inclusive eu) do MC Tubarão, carro este que veio liderando até pouco mais de 7 horas de corrida, e que sucumbiu por problemas de transmissão.

 

 

O Protótipo #46, após 12 horas de óleo, suor e lágrimas, seus pilotos recuperaram o terreno e venceram na geral!

 

 

Um final em grandíssimo estilo, com esse tempero de emoção que tanto faz bem ao automobilismo e a qualquer esporte... E, por que não, à vida?

 

 

PS: No carro 32, correu Franco Pasquale em vez de Elias Azevedo.

 

Até mais amigos do Nobres do Grid! E boas festas a todos!

 

Milton Pecegueiro Rubinho

 

Milton Pecegueiro Rubinho é Técnico de Testes de Motores na GM em São Paulo. 

 

 

 

Last Updated ( Friday, 01 January 2016 19:19 )