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A crise pisa no freio da Stock! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 13 March 2016 09:52

Olá leitores!

 

Como já tinha comentado na coluna a respeito da etapa final da Stock Car, o Site dos Nobres do Grid, que vem cobrindo a categoria in loco desde 2009 e sabe bem como funciona de perto os bastidores de uma etapa da Stock Car, esteve presente na etapa final de 2015, em Interlagos. Pela primeira vez em três enviados (eu, o Regi ‘Nat Rock’ e o Milton Rubinho), vimos que é uma estrutura grande, que envolve muitas pessoas, e que evidentemente não custa pouco dinheiro.

 

Automobilismo nunca foi um esporte barato. O velho Greco, já nos anos 60, dizia que quem quiser correr de carro tem que ter dinheiro, se não tiver que vá correr a pé. Na época, o piloto dependia de recursos próprios, hoje em dia esse dinheiro vem majoritariamente (os casos de "paitrocínio" estão casa vez mais raros) de empresas, Pessoas Jurídicas, que dependem de uma economia forte e/ou estável para poderem investir seu nome no esporte.

 

E é aí que a coisa complica: 2015 foi um ano MUITO difícil para o Brasil como um todo, e a Stock Car não teria como ficar imune a essa crise. A maior surpresa – até mesmo para o dono da equipe – foi o anúncio da saída do laboratório Prati-Donaduzzi como patrocinadora da Mico's Racing, isso em uma categoria onde a maioria dos patrocinadores vêm justamente do ramo farmacêutico. Assim sendo, fui pesquisar entre os donos de equipes como estava a situação financeira deles.

 

Evidentemente não esperava nenhuma revelação bombástica, mas foi bastante interessante fazer as entrevistas. Antes da corrida o que podemos perceber são pessoas muito envolvidas com a estrutura sob a sua responsabilidade, o que me levou a procurar esses homens de negócios (a gestão de uma equipe de corridas é um negócio, e não é dos mais fáceis) após a corrida. Tive a oportunidade de ver a operação de desmonte dos boxes após a prova, e o quanto existe de equipamento a ser empacotado e embalado é verdadeiramente impressionante.

 

O dono da Boettger Competições, Ereneu Boettger, acredita que o pior ano deve ser mesmo 2016, confiando que 2017 seja um ano melhor, com a situação político/econômica do Brasil apresentando alguma mudança no decorrer desse ano que permita sonhar com uma recuperação da atividade econômica de maneira a permitir um 2017 melhor. A pior situação é a do simpático argentino Juan Carlos, dono da Mico's Racing, que em pleno mês de novembro recebeu a notícia que perderia o patrocínio para 2016. Conforme confidenciou, já tinha acertado verbalmente a renovação, mas o patrocinador no final do ano anunciou a não renovação. E convenhamos, novembro e dezembro não são meses apropriados para se procurar patrocínio em lugar algum do mundo, nessa época do ano geralmente as empresas já possuem suas verbas publicitárias para o ano seguinte definidas. Mauro Vogel, da Vogel Motorsports, disse que a categoria como um todo passou bem pela crise em 2015, mas que precisam ver como vai ser 2016, e que já tem o pacote financeiro fechado para um dos carros, mas que vai correr em 2016 com os dois, de um jeito ou de outro. Carlos Alves, da Carlos Alves Schin Competições, afirmou que, mais do que a dificuldade em fechar os patrocínios para o ano que vem, está o fator de que a inflação e a alta do dólar fizeram os custos da categoria aumentarem, e os patrocinadores não querem reajustar os valores. Ele mesmo está feliz com a parceria de quatro anos completos com a Brasil Kirin, mas sabe que existem outras equipes passando por dificuldades.

 

Em alguns pontos todos eles concordaram. Nenhum acha que alguma equipe deve deixar a categoria por conta da crise. Como disse Mauro Vogel, quem faz automobilismo, mais do que negócio, faz por prazer, faz porquê gosta de automobilismo, e é muito difícil deixar de fazer algo que se gosta. Mais fácil partir para um sacrifício, abrir mão do lucro, do que deixar de competir a temporada por conta da crise. Juan "Mico" Carlos afirmou até que existe a possibilidade de alguma equipe deixar de trabalhar como uma empresa normalmente funcionaria, deixando de ter o seu lucro normal de empresa e trabalhando "no vermelho" para garantir sua participação na categoria. Carlos Alves também acha que 2016 será um ano muito difícil para algumas equipes terem o seu lucro merecido pelo trabalho que é fazer a categoria Stock Car. No geral, percebi que existe um clima de otimismo, de esperança com os anos futuros, mas um ceticismo quanto a 2016, que todos concordaram que deve ser o pior ano globalmente falando.

 

O que se percebe no contato com eles é que são empresários sim, mas são também pessoas apaixonadas pelo esporte, e que se incomodam com a possibilidade de não poderem fazer aquilo que gostam da maneira como gostariam.

 

Esse foi o cenário que nos apareceu na última corrida de 2015. O que vimos na primeira de 2016, a festiva prova de duplas, foi um reflexo disso: além do regulamento prever um jogo e meio de pneus (ou seja, 6 pneus) novos por etapa a partir da segunda etapa, em busca de redução de gastos, o número de convidados que correm no exterior diminuiu sensivelmente. Tivemos dois pilotos de ponta, o belga Vanthoor, campeão do FIA GT, e o ótimo português Felix da Costa. Os outros dois de ponta que vieram e que correm lá fora eram brasileiros, ou seja, não precisa muito para aceitarem um convite para virem correr aqui, o Augusto Farfus e o Nelsinho Piquet. Depois tivemos o (para mim) até então desconhecido belga Maxime Martin, e os argentinos Franco Vivian (com Rafael Suzuki), Damián Fineschi (convidado por Galid Osman) e Franco Girolami, convidado por seu irmão Néstor Girolami, que fará a temporada inteira da Stock. Uma lista um tanto quanto magra para a maior categoria de Turismo brasileira, mas que eu entendo tendo em vista as dificuldades gerais do país e as específicas da categoria.

 

Já que eu citei o regulamento, essa regra dos pneus fará com que o piloto mais cerebral, que souber poupar melhor os pneus, seja o campeão ao final da temporada. Já que o reabastecimento e troca de pneus na primeira corrida deixam de ser obrigatórios e passam a ser opcionais, e a primeira prova tem pontuação maior que a segunda, prevejo que haverão pilotos que preferirão fazer a primeira corrida sem troca de pneus nem reabastecimento e farão o possível para terminar a segunda corrida, na posição que for. A estratégia da equipe deverá ser essencial para maximizar a pontuação no final de semana, e isso no meu parecer deve levar a uma certa imprevisibilidade nas corridas. Esperemos para ver. Eu torço para que o resultado das mudanças seja o melhor possível, para os pilotos, donos de equipe e para o público, afinal é um espetáculo que merece voltar a ter dias melhores.

 

Alexandre Bianchini