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Interlagos está em risco? (3ª Parte - Imprensa) PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 22 February 2017 11:21

Diante de diversas notícias veiculadas na imprensa internacional e das palavras de alguns políticos da capital paulista, fomos ouvir pessoas ligadas ao automobilismo e ao Autódromo de Interlagos sobre até onde o maior autódromo do país corre risco de desaparecer.

 

Nos últimos anos o Autódromo Internacional de Interlagos vem recebendo investimentos e passando por reformas para poder atender melhor àquela que é a sua maior atração como atividade-fim: o GP Brasil de F1. Contudo, ao longo de 2016 falou-se com uma certa frequência na Europa sobre uma possível saída da etapa brasileira do calendário. Em um dos casos, isso foi dito pelo próprio Bernie Ecclestone.

 

Interlagos tem uma peculiaridade que o difere dos principais autódromos do mundo: ele está encravado no meio de uma das maiores metrópoles do mundo, tendo os seus cerca de 1 milhão de metros quadrados extremamente cobiçados pelo mercado imobiliário.

 

Caso o Brasil venha a perder sua etapa do mundial de F1, o espaço físico Interlagos conseguirá sobreviver como autódromo sem um grande evento internacional de automobilismo? Inclusive o prefeito eleito anda “buscando alternativas” para concretizar esta sua promessa de campanha.

 

Castilho de Andrade – Diretor de Imprensa responsável pelo GP Brasil de F1.

Eu acho que Interlagos não corre este risco de desaparecer. Ao longo dos anos ele vem sendo atualizado, modernizado, para atender a Fórmula 1. É praticamente a Fórmula 1 quem assegura a permanência e a existência do Autódromo de Interlagos.

 

A Fórmula 1 é o maior evento automobilístico do autódromo e é o maior evento do esporte a motor no Brasil. Como já vimos e estamos vendo acontecer problemas nos autódromos pelo Brasil, como foi o desaparecimento do autódromo do Rio de Janeiro, dos riscos que sofre o autódromo de Curitiba, da indefinição quanto ao futuro do autódromo de Brasília, eu penso que seria muito difícil para o autódromo de Interlagos a sua sobrevivência sem a Fórmula 1.

 

De qualquer maneira, a gente continua trabalhando tranquilos e confiantes para a realização do GP Brasil de 2017. Tudo está sendo conduzido da maneira como tem que ser para o cumprimento do contrato que vai até 2020. Quanto à nova gestão com o Prefeito João Dória, nós sabemos que ele é um empresário, um homem de negócios, que sabe o que é um evento com esta magnitude e tem consciência da importância do GP Brasil e acredito que não teremos obstáculos para a realização do GP Brasil nos próximos anos.

 

Claudio Carsughi – Jornalista que dispensa apresentações.

Antes de qualquer coisa, eu tenho uma posição que já invalida a questão. Para mim, o que vimos até o ano passado foi aquela costumeira pressão que o Bernie [Ecclestone] sempre fez. Ele fez isso o ano passado com Monza. Podem ter a mais absoluta certeza que o Brasil, como mercado automobilístico no cenário mundial, é por demais importante para que a Fórmula 1 deixe de vir para cá para uma de suas provas válidas para o campeonato. Assim sendo, eu não acredito que Interlagos venha a perder a Fórmula 1.

 

Numa hipótese, para mim altamente improvável, que isso venha a acontecer, eu acho que São Paulo, através da Prefeitura, tem forma de manter Interlagos e evitar o desastrado e desastroso evento ocorrido na cidade do Rio de Janeiro com aquele autódromo, que era maravilhoso, e foi destruído.

 

Quanto às ideias de privatização de Interlagos do prefeito João Doria, privatizar não significa necessariamente que aquilo venha a ser loteado para construir residências. É possível privatizar o autódromo e ele continuar a ser utilizado. Nós temos vários exemplos de autódromos na Inglaterra que foram privatizados e continuam funcionando. Eu não acho que o grupo americano que comprou a Fórmula 1 venha a renunciar a um cenário tão prestigioso e tão importante no cenário do automobilismo mundial.

 

Celso Miranda – Jornalista do Grupo Bandeirantes.

Eu acho que Interlagos é o maior desafio para o esporte a motor brasileiro, o maior desafio para a comunidade, e quando falo isso falo dos que estão envolvidos direta e indiretamente. Vergonhosamente nós deixamos morrer o Autódromo de Jacarepaguá, um mercado importantíssimo. Mas, Rio de Janeiro a gente sabe o que vive, socialmente falando, e talvez isso tenha contribuído.

 

Interlagos é diferente. Interlagos tem uma história, é o primeiro e maior palco do automobilismo brasileiro. Com a Fórmula 1 tem história desde os anos 70 e desde os anos 40 com o automobilismo brasileiro. Vai ser a maior vergonha e estaremos decretando o fim do esporte a motor no Brasil caso Interlagos sucumba aos interesses econômicos, políticos ou de quem queira explorar somente a Fórmula 1.

 

É importante lembrar que existem muitas pessoas que vivem de automobilismo no Brasil e se estas pessoas não conseguirem colocar seus egos de lado e trabalhar para que Interlagos não desapareça, vai ser a maior vergonha, a maior prova da falta de união e da capacidade de todas as pessoas que atuam neste meio.

 

A realidade é que nunca houve uma união entre os automobilistas. Bird Clemente talvez tenha sido o um dos poucos líderes de movimento neste sentido. Quando a CBA nasceu, apartada do Automóvel Clube do Brasil, pra cuidar do seguimento de competição, ela se mostrou fraca ao longo do tempo, permitindo coisas como o fim de Jacarepaguá e o estágio que vivemos no automobilismo hoje. Praticamente monopolizado, sem uma categoria de Fórmula pra formar pilotos e dependendo da atitude de alguns abnegados que fazem automobilismo com suas próprias mãos. Temos automobilismo no sul do Brasil, mas não temos automobilismo no Brasil e isso é uma vergonha.

 

Se a gente não tiver dinheiro para ter uma corrida de Fórmula 1 no Brasil, nós não vamos tê-la. Existe uma pressão econômica muito forte em torno disso. Muita gente quer ter a Fórmula 1. Agora, Interlagos é um patrimônio do automobilismo brasileiro e isso não tem sido assim nos últimos anos, porque a cada reforma, o autódromo fica fechado por meses e meses.

 

Ninguém se mobilizar sobre isso é uma vergonha. Tem que se procurar o Ministério Público e fazer valer todas as leis de que aquilo é um espaço que deve ser usado só para o esporte a motor e mesmo que a realidade hoje diga que é preciso usar o autódromo para outras coisas, que o esporte a motor seja sempre a prioridade, o que não tem acontecido. Esta ameaça é uma grande oportunidade para a comunidade do esporte a motor se unir pra defender seus interesses.

 

Dinho Leme – Assessor de Imprensa da CBA na gestão Cleyton Pinteiro.

Com certeza sobrevive e não apenas sobrevive. É importante lembrar que além do Autódromo de Interlagos temos o Velocittà, em Mogi-Guaçu, dois excelentes autódromos. É menos do que no Rio Grande do Sul, que tem quatro e do Paraná, que tem três, mas nenhum deles tem a relevância, a importância de Interlagos em termos de estrutura e de história.

 

O campeonato paulista de velocidade é um sucesso, todas as etapas leva para o autódromo mais de 200 carros em diversas categorias. Os boxes ficam lotados e tem uma corrida atrás da outra. É um espetáculo. Não tem como Interlagos deixar de existir como autódromo.

 

Tivemos agora a eleição do prefeito João Doria e ele vem falando em privatização. Eu sinceramente não acredito que ele venha conseguir um comprador para aquela área se houver a obrigatoriedade de manter o autódromo e mesmo que ele queira muito, Interlagos é Interlagos e não vai deixar de existir.

 

Livio Oricchio – Correspondente Internacional do Portal Globoesporte.com.

Eu sei que o Prefeito João Doria tem planos de privatizar Interlagos. O autódromo não é viável economicamente e, para a iniciativa privada, não vejo como fazer de Interlagos um empreendimento que gere receitas diante do investimento e do custo de manutenção, principalmente se o autódromo continuar fazendo parte da F1. O caderno de exigências da FIA não tem como ser coberto com a renda gerada. São pouquíssimos casos de autódromos privados que recebem a F1 ou não e se mantém na Europa.

 

A F1, há algum tempo vem sendo usada como fator de promoção por governos. São eles que custeiam reformas, melhorias e a taxa que se paga para a FOM. É uma forma de divulgar o país, de atrair turistas em um mundo cada vez mais globalizado. Nurburgring, que há algum tempo é de um grupo russo, não tem como pagar para a FOM 25 milhões de Euros para cada etapa. Hockenheim pode ter tido sua última corrida de F1 em 2016, porque os moradores e o governo local não quer mais pagar esta conta. Se Interlagos passar para a iniciativa privada, podemos esquecer da Fórmula 1.

 

Interlagos tem um milhão de metros quadrados. Se a prefeitura vender este patrimônio, naquela região, o que se pode fazer lá em termos de possibilidades é impensável. Com este dinheiro, a prefeitura poderia construir um autódromo em outro local, mesmo que fosse em outro município da grande São Paulo e haveria briga pra isso, pra oferecer este terreno, este valou que ela receberia por Interlagos seria muito maior do que o investido para fazer um autódromo, sem a suntuosidade dos árabes ou da China, com acessos fáceis, sem essa dificuldade que é chegar em Interlagos, que lembrasse o traçado original com suas características. Interlagos formou pilotos. A pista atual não exige do piloto. É uma pista de freio e motor. Isso atenderia a F1 e ao automobilismo brasileiro, mas para isso, é preciso ter visão e enfrentar os saudosistas. Se fizer da maneira certa, é possível se recriar Interlagos em outro lugar.

 

Luiz Silvério – Jornalista do Grupo Bandeirantes.

Interlagos é o berço sagrado do automobilismo brasileiro e tem três anos que eles estão reformando, modernizando e eu acho que quando se faz uma reforma é com o intuito de melhorar e manter a Fórmula 1 aqui no Brasil. A Formula Truck correu em Interlagos em 2014, não correu em 2015 e voltou em 2016 e a gente viu sempre obras por aqui... nunca para. Na corrida de 2016 só pudemos usar metade do paddock, por que estava em obra pra atender a Fórmula 1.

 

Diferente do que vemos nas categorias nacionais, a Fórmula 1 quando assina um contrato assina logo por cinco anos e todos os anos vem com novos  pedidos, de mais construção, mais obra mais tempo tomado do calendário brasileiro e atrapalhando a gente, que quer fazer corridas das categorias que correm no Brasil.

 

Agora com a eleição do prefeito que disse que quer privatizar o autódromo de Interlagos. Em 2016 o autódromo de Curitiba, que é bem menor do que esse aqui quase virou um condomínio e se não foi agora, uma hora vai ser concretizado o negócio e vai fechar. Aqui, se alguém comprar, é muito difícil que alguém queira deixar tudo isso como autódromo. Imagina o que dá pra fazer com uma área do tamanho dessa aqui? O que será que vai se passar na cabeça de um governante desses?

 

Odinei Edson – Jornalista do Grupo Bandeirantes.

Quanto a continuidade do GP Brasil de Fórmula 1, acho que não perde até o final deste contrato, que tem uma multa pesada e vai até 2020. A menos, claro, que seja algo feito de comum acordo ou um fator completamente diferente e que venha a gerar uma quebra de contrato.

 

Uma possível venda do autódromo pela prefeitura de São Paulo é uma coisa completamente nova. João Doria não é o primeiro prefeito a tentar ou a pensar em mudar Interlagos, em dar outra destinação àquele milhão de metros quadrados, mas a legislação interna e nem a vontade política, uma vez que um projeto desses passa pela câmara dos vereadores, nunca permitiu. Eu não sei com que carta o prefeito conta para falar de privatização com tanta intensidade como tem falado.

 

Se um projeto de privatização pudesse apresentar uma forma de aproveitamento melhor daquele espaço, seria algo positivo, há espaço para muito mais do que apenas a pista de corrida e se fazer mesmo um trabalho mais social para a cidade. Se ele vai conseguir ou não, não podemos afirmar. Eu estou numa expectativa muito grande pra saber o que é que ele tem em mente, de argumento político e de planejamento com empresários para poder fazer algo diferente ali.

 

Caso tudo isso seja ultrapassado e Interlagos deixar de receber a Fórmula 1, sem renovação de contrato, indo para outro local ou mesmo saindo do país e nisso eu acho que São Paulo não sabe usar a Fórmula 1 corretamente pra se promover, pra se projetar, se for depender apenas do automobilismo brasileiro, que parece estar regredindo no tempo, Interlagos não sobrevive por hipótese nenhuma.

 

Reginaldo Leme – Jornalista da Rede Globo de Televisão.

A SPTuris e a prefeitura tem um contrato assinado com a FOM – Formula One Management – até 2020 e antes disso não vejo o menor risco da Fórmula 1 deixar o Brasil e mesmo sair de Interlagos. A reforma, quando concluída, vai deixar Interlagos numa condição muito boa em termos de instalações e hoje o GP Brasil já é o terceiro mais tradicional da categoria por conta da saída de alguns países europeus como França e Alemanha.

 

Qualquer piloto dessa nova geração que não tenha corrido no Interlagos antigo, quando ele chega aqui ele sabe que está em Interlagos, com a importância que ele tem como Spa-Francorchamps ou como Silverstone. Então a Fórmula 1 não quer e não vai perder esta corrida. Agora, nós temos três anos para “criar alguém novo” na Fórmula 1. O Felipe Massa já está com 15 temporadas nas costas, o Felipe Nasr, ficou sem equipe e seu futuro é incerto e precisamos que venha alguém das categorias de acesso. O Sergio Sette Câmara, o Pedro Piquet, o Pietro Fittipaldi ou outro piloto.

 

O prefeito João Doria deveria olhar para o que aconteceu no Rio de Janeiro com o Cesar Maia, que foi o grande responsável pelo fim de Jacarepaguá. Ele nunca se elegeu para mais nada. Eu duvido que este ou qualquer prefeito consiga vender Interlagos.

 

Rafael Lopes – Jornalista do site Globoesporte.com.

É uma questão complicada. Interlagos depende muito do que é a Fórmula 1 e o impacto dela no Brasil. Todas as reformas que Interlagos sofreu desde 1990 foram visando a Fórmula 1 e as demais categorias acabaram se beneficiando delas, mas de princípio eu não acredito que a gente vá perder a corrida aqui no Brasil. Tem um contrato até 2020 e a FOM vai cumprir.

 

O problema é depois disso. Se não houver uma renovação desse contrato, o que poderá acontecer com Interlagos sem a vinda da Fórmula 1 pra cá. Apesar da gente saber que o automobilismo nacional, com suas corridas, eventos, treinos e tudo em volta, no somatório, dá pra sustentar Interlagos, somado com as outras coisas que tem sido feitas aqui pela SPTuris, com shows e outros eventos, um autódromo no meio da cidade é uma coisa complicada. A gente viu o que aconteceu no Rio de Janeiro: a especulação imobiliária conseguiu destruir o autódromo.

 

Eu tenho confiança de que Interlagos consiga sobreviver se a Fórmula 1 sair daqui um dia, mas a batalha vai ser muito grande e não vai ser apenas dos promotores, da federação paulista, da CBA. E se todos não estiverem juntos, vai ficar difícil, porque todos sabemos que os interesses são grandes.

 

Thiago Alves – Jornalista do Fox Sports.

Eu acho extremamente perigoso para o futuro de Interlagos ficar sem a etapa de Fórmula 1. O grande problema é que Interlagos deveria ter uma ocupação maior, uma ocupação melhor. Outros tipos de eventos logicamente são bem vindos, desde que não entrem em conflito com a função principal que temos lá que é ser um autódromo, um local para o esporte a motor.

 

Ter shows como já acontece aqui há algum tempo não é um problema. Este tipo de utilização acontece também em outros lugares na Europa, é uma forma de gerar recursos para manter o espaço funcionando, mas é bom lembrar que nada traz tanto investimento para Interlagos como a Fórmula 1 traz, uma vez que estamos sempre vendo reformas e melhorias sendo feitas na pista, nos boxes, no paddock e é o maior volume de dinheiro injetado no autódromo todos os anos.

 

Sem estes investimentos, sem ter como custear Interlagos, há sim o risco dele ser vendido. O prefeito está com essa ideia e poderia ser uma grande ideia, uma visão diferente, a visão de se gerar lucro aqui e com isso, quem sabe, não estimular mais o automobilismo, outros esportes ou outras atividades como uma escola técnica, uma escola de mecânicos. Existem vários autódromos no mundo que são muito bons.

 

Wagner Gonzalez – Jornalista e ex-assessor de imprensa da CBA.

Se for feita uma administração honesta, decente, eu não vejo porque Interlagos não continuar sendo o maior e mais importante autódromo do Brasil, mesmo sem a vinda da Fórmula 1 para cá, mas não acredito que vá haver uma alteração ou quebra do contrato que existe com a Formula One Management antes de seu final, em 2020.

 

Quem já teve oportunidade de ir a Monza, o complexo é um parque, aberto ao público e é um dos maiores e mais emblemáticos autódromos do mundo. O que acontece é a execução, a instalação de um modelo de gestão sério e honesto. O autódromo de Interlagos é uma fonte de receita para a prefeitura. Interlagos dá retorno, dá lucro e esse dinheiro vai para a prefeitura, através da SPTuris.

 

Eu estou com 62 anos e não creio que promessas de políticos devam ser levadas realmente ou totalmente a sério. Muitas das vezes aquilo que ele promete é exatamente aquilo que ele não quer fazer.