Classificados

Administração

Patrocinadores

 Visitem os Patrocinadores
dos Nobres do Grid
Seja um Patrocinador
dos Nobres do Grid
Alguém surpreso? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 30 November 2017 21:32

Há algum tempo temos visto campanhas de saúde como o Outubro Rosa, Maio Amarelo e Novembro Azul. Para o automobilismo brasileiro o mês de novembro não foi nada azul, foi um Novembro Negro. Alguém surpreso?

 

Não é segredo para ninguém que a classe política deste país toma atitudes que revoltam as pessoas cada vez mais, ao ponto de vermos gente pedindo a intervenção das forças armadas, um retrocesso sem tamanho, mas diante do que temos visto, como não até pensar que “ruim com eles, pior sem eles”?

 

O que vimos em São Paulo ao longo do mês de novembro foi simplesmente revoltante. Cumprindo o que prometeu o prefeito paulistano, João Dória, conseguiu que o projeto da venda fosse submetido ao congresso de comissões (reunião de vários colegiados da Câmara feita em plenário para acelerar a votação) na quarta-feira anterior ao GP Brasil de Fórmula 1, por decisão do presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), foi a votação e acabou aprovado no mesmo dia pelo plenário, com 37 votos a favor. A votação nesta semana foi um pedido de Doria, que queria ver o projeto aprovado antes da corrida.

 

O vereador Mário Covas Neto, do mesmo partido do prefeito, Entrou com uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu nesta quinta-feira o processo de votação do projeto. Covas Neto, que foi piloto da Stock Car, entrou com um mandado de segurança, argumentando que a tramitação do projeto burlou o regimento interno da Câmara ao ir para o plenário da Casa sem antes passar pela reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por ele.

 

 

A postura do prefeito é tão sórdida que ele chegou a utilizar os episódios de violência envolvendo a Mercedes e a Sauber como argumentos para ressaltar a importância de se privatizar o Autódromo de Interlagos, “esquecendo propositadamente” que a segurança pública, que ao lado do autódromo tem uma favela que, inclusive, é uma invasão em 200 mil metros quadrados de área do próprio autódromo e que a Polícia Militar é comandada pelo mesmo partido ao qual ele é filiado, que está no governo do estado desde 1999.

 

Uma comissão de bem aventurados, com desportistas, jornalistas, empresários (e nas cenas que vi no youtube não tinha nenhum piloto... parabéns pela omissão) foi até a Câmara de Vereadores da capital onde aconteceria uma audiência pública – acabou por não acontecer – mas a certa altura o Presidente da Câmara de Vereadores, o Sr. Milton Leite (DEM-SP) foi ao encontro dos presentes e tentou explicar qual seria a ideia do digníssimo Sr. Prefeito João Dória e dele, o presidente da Câmara de Vereadores. Sem a menor cerimônia o vereador disse que “haveria uma pista em Interlagos, que poderia não ser a atual, mais uma outra e que aquela área seria destinada a colocar 100 pessoas vivendo no bairro.

 

A ação do vereador Mario Covas Neto foi derrubada no mesmo TJ-SP apenas 5 dias depois. A suspensão da liminar que barrava o projeto de privatização do Autódromo de Interlagos libera a Câmara dos Vereadores para dar continuidade à tramitação da proposta, que deve passar pela segunda votação até o fim deste ano, antes de ir à sanção do prefeito.

 

 

Nesta semana o automobilismo tomou um outro revés: a etapa da Fórmula E, que estava no calendário oficial da categoria foi cancelada. Programada para ser realizada na área do Sambódromo não vai acontecer. Na verdade, esta corrida é como aquele título de filme das minhas brincadeiras de criança, “a volta dos que não foram”. a SPTuris confirmou que aconteceram negociações para a cidade sediar uma prova da Fórmula E no complexo do Anhembi, porém não havia sido fechado acordo para 2018.

 

O caso da Fórmula E no complexo Anhembi/Sambódromo é diferente do que acontece na Fórmula 1, que compete em um autódromo, uma instalação fixa e apropriada para a disputa de corridas de automóveis, movidos pelo que quer que seja. No caso do Anhembi, toda uma estrutura precisaria ser montada com a instalação de muretas de concreto, telas de segurança, possivelmente a interdição de algumas ruas ou avenidas e neste caso, uma pergunta deixou de ser feita e, consequentemente, respondida: quem pagaria a conta? A prefeitura do Dória?

 

 

O programa de privatização do prefeito de São Paulo, que inclui o complexo do Anhembi, tecnicamente, inviabilizava a realização da etapa na data marcada no calendário da categoria. A Câmara dos Vereadores do município aprovou em primeira votação no último dia 27 de setembro a privatização do Anhembi por 37 votos a favor e nove contra, em um processo que pode ser concluído apenas no início de 2018, dependendo ainda de aparecer ou não um comprador. A SPTuris e Formula E Holdings teriam então que considerar uma variável, como numa equação matemática, levando em consideração as posições do novo proprietário.

 

A verdade é que com a temporada prestes a começar, com menos de quatro meses para a data marcada, não havia sido apresentado nenhum plano efetivo de traçado ou de como seriam dispostos os boxes e demais estruturas necessárias para a corrida, que não seriam necessariamente iguais às da Fórmula Indy. Tudo apontava na mesma direção do que aconteceu com a ideia da corrida no Rio de Janeiro, que seria no Aterro do Flamengo. No caso, este ainda teve a possível pista apresentada.

 

 

A pergunta agora é se este acordo da Fórmula E, anunciado como um adiamento para a próxima temporada vai ser um adiamento ou vamos ficar fora do calendário da categoria para sempre. Existe uma lista nada pequena de cidades querendo receber o evento e sem um projeto que seja sério, independente de quantos pilotos ou campeões tenhamos na categoria, não vai ter Fórmula E no Brasil.

 

Paulo Alencar