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Luiz Antônio Greco PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 03 May 2011 22:41

 

 

Se nos dias de hoje a cidade de Taquaritinga ainda é pequena diante de suas vizinhas maiores e mais prósperas como Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto, seus pouco mais de 55 mil habitantes tem motivos para ter muito orgulho de pelo menos um filho ilustre: Luiz Antônio Greco. 

 

Filho do ourives Vicente Greco (que aprendeu o ofício ainda na Itália),  e da D. Luiza Pagliuzzo Greco, que como era comum naquela época cuida-va da educação dos filhos – Luiz Antônio Greco, que nasceu no dia 22 de outubro de 1935, foi o mais velho de um casal de filhos, sua irmã chama-se Beatriz – A família Greco veio para São Paulo, capital, no início da década de 50, instalando-se no bairro do Ipiranga, onde ‘seu’ Vicente abriu em casa mesmo, uma residência nos fundos do famoso museu, próximo de onde foi dado – segundo os historiadores – “o Grito do Ipiranga”, uma pequena oficina para consertos de jóias e relógios. Com o negócio prosperando, abriu uma joalheria no próprio bairro. A irmã de Luiz Antônio Greco ainda mora na mesma casa onde a vida dos Greco começou na capital paulista.

 

A cidade grande tinha atrativos em abundância, alguns bem diferentes dos encontrados em uma pequena cidade do interior, mas dentre todos aqueles que por seus olhos passava, eram os automóveis que o fascinava. Seu pai ainda tinha os hábitos bastante interioranos, gostava de ir para o interior nos finais de semana, caçar e pescar... mas aquilo não parecia “tocar a alma” do seu primogênito.  

 

Como os desígnios do universo da velocidade costumam conspirar de forma que nem sempre entendemos, ali perto de onde ‘seu’ Vicente resolveu morar havia um outro personagem que viria a ter seu nome marcado na história do Brasil: Olacir de Moraes. Naquela época, muito longe dos campos ou sequer sonhando em vir a ser um dos maiores produtores rurais do país. O futuro “rei da soja”, como um dia veio a ser chamado, tinha uma garagem... ali ele trabalhava com caminhões, carros de aluguel, caçambas, num negócio bem estruturado e aquele movimento atraiu Luiz Antônio Greco, que passou a seguir os passos do jovem empresário. 

 

 

A oficina de ourives e a cadeira de seu pai não era propriamente o que Greco queria para seu futuro... eram os carros que o atraíam. 

 

Para o meio das corridas foi um “pulo”. Afinal, aquela região do Ipiranga, Cambuci, Canindé era o reduto de algumas equipes de competição e logo o adolescente Luiz Antônio Greco foi começando a conhecer pessoas e adquirindo conhecimento sobre como funcionavam os esquemas das equipes, a preparação dos carros, quem eram os pilotos, num mundo bem distante daquele que ‘seu’ Vicente havia imaginado ver o filho, que achava que o filho deveria seguir os seus passos e vir a tornar-se um ourives como ele. 

 

Seguindo seu coração e aquilo que o fazia acelerar, Luiz Antônio Greco conseguiu seu primeiro emprego na Vemag, como comprador de peças. Neste emprego Greco pode fazer uma das coisas que sempre sonhou fazer e que adorava: dirigir carros! Claro que não em alta velocidade, afinal, ele trafegava pelas ruas e avenidas da cidade, mas a paixão pelo automóvel – que seu pai praticamente só tirava de casa nos finais de semana – já era um estímulo suficiente para deixá-lo feliz... e ainda tinha salário no final do mês! 

 

Greco, em uma premiação na Vemag. Ele bem que tentou correr, mas logo percebeu que poderia ser mais útil fora da pista. 

 

Dentro da Vemag seus superiores perceberam o interesse dele pelos automóveis, sua eficiência e sua paixão por tudo que era ligado às quatro rodas que acabaram convidando-o para vir a fazer parte do que viria a ser o departamento de competições da montadora, que estava começando... mas não para cuidar de peças ou de oficina: ele iria correr! 

 

Para correr e não “matar ‘seu’ Vicente do coração”, Luiz Antônio Greco valeu-se do expediente que muitos pilotos da época usavam parar correr “anonimamente”... e assumiu o pseudônimo de Gugagin. Greco fez poucas corridas, tendo estreado nas Mil Milhas Brasileiras em 1959. Em 1960 ele terminou as Mil Milhas em 11º e em 1961, teve seu melhor resultado, com um 7º lugar.

 

   

Em 1961 Christian Heins foi para a Willys e convidou Luiz Antônio Greco para ser seu braço direito na montagem da equipe. 

 

Nesta época Luiz Antônio Greco já namorava e sua noiva, com que veio a se casar em 1° de dezembro de 1959, também não gostava nem um pouco da idéia de ver o marido correndo. Na verdade, ela chegou a “ameaçá-lo”, dizendo que pintaria o cabelo de loiro se ele continuasse nas pistas. Greco continuou e a já Sra. Nadir Borges Greco chegou loiríssima nos boxes de Interlagos. O piloto disse que ela ficou linda de cabelos loiros... e ela teve que conviver com isso. O casal Greco ficou casado por toda a vida e deste casamento vieram quatro filhos, dois casais: Adriana, Fabio, Ornela e Giancarlo. 

 

Uma das características de Luiz Antônio Greco era a naturalidade com que ele construía bons relacionamentos. Dos tempos de comprador de peças, estreitou laços com os irmãos Kazinski, que ficaram famosos como os donos da Cofap, mas que na época a empresa era conhecida como a “Três Leões”, com a Mahle Metaleve, que tiveram papel de enorme relevância no início da indústria automobilística no país. Com isso Greco tinha um papel importante na equipe, não apenas ao volante, mas como um elo de ligação graças aos contatos que conquistou nos tempos de comprador de peças. 

 

A vida no departamento de competições da Vemag não foi muito longa. Em 1960, uma forte discussão entre o primeiro piloto da equipe, Christian ‘Bino’ Heinz, e o chefe do departamento, Jorge Lettry, culminou com o abandono do piloto às vésperas da disputa da prova mais importante do calendário nacional: as Mil Milhas Brasileiras. Christian disputou a prova como independente (e venceu), mas no ano seguinte, foi convidado pela Willys para montar o departamento de competições da montadora francesa aqui no Brasil... e uma das primeiras pessoas que ele chamou para trabalhar com ele foi Luiz Antônio Greco. 

 

 

Um momento histórico: Fangio visita a Willys e, com Chico Landi, Greco o ciceroneia, acompanhado de grandes nomes do país. 

 

Greco sabia que andava bem, mas ele também tinha consciência de que não possuía a mesma tocada dos pilotos de ponta que ele enfrentava e Bino também sabia disso... mas sabia da capacidade de Greco de agregar valores e pessoas em torno de uma idéia, de um projeto e foi para ser seu braço direito no departamento que Luiz Antônio Greco foi chamado. Sua atividade era tão intensa e o trânsito de informações tamanho que ele ganhou o apelido de "Gazetinha", alusivo a um dos jornais da época, pois simplesmente não parava. 

 

O projeto da equipe era ambicioso e um time de notáveis foi reunido para fazer da Willys a grande equipe de competição do país. Ao lado de Bino e Greco estava o publicitário Mauro Salles, que rebatizou a Berlinette Alpine como Berlineta Interlagos, carro com o qual a equipe correu para vencer algumas das mais importantes provas do país. 

 

 

Quando assumiu a equipe, Greco colocou em prática idéias novas e sua maneira de conduzir o time era a marca registrada da Willys. 

 

Todo o caminho de Luiz Antônio Greco poderia ser mais simples – ou menos glorioso – se não fosse a ocorrência de uma tragédia: durante as 24 horas de Le Mans em 1963, Christian Heins sofre um terrível acidente e perde a vida. Sem a presença do comandante de todo o projeto da Willys, Luiz Antônio Greco é alçado a condição de novo líder da equipe. Na verdade, Luiz Antônio Greco ofereceu-se para assumir o cargo e disse que aos diretores da empresa que não os decepcionaria. 

 

Diante do desafio, Greco não titubeou. Aos 27 anos tinha a chance de mostrar toda a sua capacidade de gestor e agregador de talentos... e uma de suas primeiras medidas foi a de buscar um piloto para tentar suprir a enorme falta que ‘Bino’ Heins faria nas pistas e no desenvolvimento da equipe. Para tal ele simplesmente “partiu para o ataque” e tratou de tirar de seu maior concorrente – a Vemag – um dos maiores pilotos daquela geração: Bird Clemente. 

 

 

A foto acima é emblemática. O Brasil inteiro curvava-se diante da Willys e sua equipe de verdadeiros ases das nossas pistas. 

 

Com uma visão empresarial e o aval da Willys, Luiz Antônio Greco fez para Bird Clemente a primeira proposta de profissionalização de um piloto no país. Foi um ato revolucionário e que viria a mudar toda a perspectiva de como os pilotos passariam a ser tratados daquele momento em diante, não apenas na Willys, mas nas outras equipes de fábrica. 

 

Ao longo dos anos 60, a equipe Willys foi um sinônimo de vitórias e seus pilotos consagraram-se, tanto no Brasil como no exterior. Foi com Greco e Bird Clemente que o Brasil voltou a vencer uma corrida fora do território nacional, em El Pinar, no ano de 1964, fato que não acontecia desde a vitória de Catharino Andreatta nos anos 50.  

 

 

Com Bird Clemente, Greco tinha uma relação ímpar. Ele "roubou" o piloto da concorrente Vemag e juntos venceram em El Pinar. 

 

Sob a liderança de Luiz Antônio Greco correram Luiz Pereira Bueno, Bird Clemente, José Carlos Pace, Wilson Fittipaldi Jr, Carol Figueiredo, Francisco Lameirão e mais um naipe de pilotos fora de série. Como se não bastasse, Greco trouxe para a área de projetos da equipe um dos maiores nomes de todos os tempos para trabalhar o desenvolvimento dos novos projetos e encontrar melhorias para os já existentes: Toni Bianco! 

 

Não bastasse o sucesso da equipe no meio das competições, Luiz Antônio Greco ainda tinha tempo para pensar projetos no sentido de promover a marca Willys e seus produtos. Ele foi um dos mentores do desafio do Gordini em andar 50.000 Km no autódromo de Interlagos e que tinha como maior objetivo mostrar a resistência e a capacidade daquele carro (que tinha a pecha de um leite em pó que havia no mercado cujo o slogan era: “desmancha sem bater!”). A empreitada foi um sucesso e a equipe e seus pilotos se superaram (leia aqui a narrativa do feito por um dos pilotos da equipe). 

 

 

Com Luizinho, uma outra relação de extrema afinidade. Dentre tantas vitórias, as Mil Milhas de 67 teve um forte significado. 

 

As coisas começaram a mudar no final de 1967, quando a Ford comprou a Willys aqui no Brasil e pouco tempo depois encerrou as atividades no departamento de competições. Contudo, a ligação entre a Ford e Luiz Antônio Greco continuou existindo de alguma forma, com a montagem da equipe Bino – nome dado em homenagem a Christian Heins – que tinha nos Bino Mk I e Bino Mk II dois dos carros mais vitoriosos daquela segunda metade da década.  

 

Luiz Antônio Greco era um visionário não apenas para os assuntos de sua equipe, mas para a formação dos pilotos – que tinham quase a mesma idade que ele – levando-os para alguns dos principais eventos do automobilismo mundial, como provas de Fórmula 1, as 24 horas de Le Mans e procurando fazer ver aos nossos ases que eles em nada deviam aos grandes pilotos do circuito europeu. O fato comprovou-se poucos anos depois, com Emerson Fittipaldi – que também pilotou para Greco – sagrando-se campeão mundial de Fórmula 1 em 1972 e bisando em 1974. 

 

 

Greco trouxe para a Willys Toni Bianco e com ele, além dos Mark I e II, fizeram o Fórmula 3 brasileiro que brilhou na Argentina. 

 

Foi essa visão que fez de Luiz Antônio Greco um dos mais importantes formadores de pilotos do Brasil. Foi ele quem articulou a montagem da mais bem sucedida categoria escola de monopostos já criada neste país: a Fórmula Ford, que ao longo de mais de 20 anos formou algumas centenas de pilotos e todos os grandes nomes de nossas pistas passaram por ela, com vários deles chegando à Fórmula 1. 

 

A equipe chamava-se, no início, Bino-Sandaco, que instalou-se na Av. da Consolação e a parceria com a Ford não ficou limitada às pistas, também invadiu as ruas com o lançamento do Corcel Bino, que nos anos 70 ganhou a denominação de Corcel GT e com a visão de Luiz Antônio Greco, a Ford lançou-se num desafio para mostrar que seus carros eram o que havia de melhor no país e assim, um Maverick, um Corcel e uma Belina lançaram-se num desafio de atravessar o Brasil, enfrentando todos os tipos de terrenos e adversidades possíveis: era o Raid da Integração Nacional – mais uma das idéias de Greco. Eles percorreram todos os estados – 25 mil Km em 28 dias – e em cada um deles Luiz Antônio Greco recebeu uma carta do governador do estado e as levou pessoalmente ao Gen. Ernesto Geisel, Presidente da República na época. 

 

 

Com a Ford, que comprou a Willys, Greco criou uma outra relação de cumplicidade e eficiência e ali nasceu a equipe Bino. 

 

Nos primeiros anos da década de 70 Luiz Antônio Greco e sua equipe haviam perdido a hegemonia do automobilismo brasileiro para a poderosa equipe Z – a Hollywood – com seu maciço investimento e com o fato de terem tirado de Greco seu melhor piloto – Luiz Pereira Bueno. Mas nem por isso deixaram de competir de igual para igual e vencido diversas provas com os Maverick de Bird Clemente e Paulão Gomes e também com José Carlos Pace. 

 

 

Com os carros da Ford, Greco teve imensos desafios à enfrentar. Apesar do apoio, a Ford não via o automobilismo com a Willys.

 

Luiz Antônio Greco foi o responsável por trazer para o Brasil algumas coisas que só se via nos carros europeus e fazendo esta busca em um tempo em que não havia internet e que uma revista estrangeira levava semanas para cruzar o oceano. Freios a disco e rodas de magnésio nos carros de corrida foram algumas das “inovações” trazidas por ele para as nossas pistas.  

 

 

Antes companheiros de equipe, Bird e Luizinho travaram grandes duelos. Greco e sua equipe enfrentaram a poderosa Hollywood. 

 

No final do ano de 1976 Luiz Antônio Greco estava um tanto desencantado com o meio do automobilismo. Não apenas pelas dificuldades em se fazer automobilismo, mas também pelas dificuldades extras que a crise do petróleo vinha causando para o esporte a motor. A idéia de não poder correra mais com carros à gasolina e ter que se usar o álcool em seu lugar levaram o experiente chefe de equipe a mudar sua vida radicalmente. Greco encerrou as atividades da equipe, pegou a esposa e os filhos e mudou-se para o estado do Mato Grosso. 

 

 

Com as corridas de carros de Gran Turismo, a equipe Greco também teve em sua parceria com a Ford uma forte participação. 

 

Luiz Antônio Greco não abandonou como um todo a sua ligação com os carros e nem com a Ford. Além de uma fazenda que ele adquiriu próximo da cidade de Cuiabá durante o Raid da Integração Nacional, em 1973. Ele também assumiu a concessão da revenda da marca – que até hoje se chama ‘Grecovel’ – capital do estado, que não possuía revenda Ford (a antiga estava praticamente quebrada... até que ele assumiu e a unidade de Cuiabá ser uma das mais fortes da Ford em todo o país.

 

 

Além da Fazenda São Vicente, a que era próxima de Cuiabá, Greco também veio a comprar uma outra, na cidade de Alta Floresta, cerca de 500 Km da capital do estado. A Fazenda Itaguaçu já era uma fazenda montada e o caminho para se chegar até lá era de tamanha deficuldade que por vezes se levava mais de um dia. 

 

 

Numa daquelas idéias que só poderiam sair da cabeça dele, Greco levou os carros da Ford para percorrer todo o país. 

 

Nesta incursão pelo interior do país, Greco foi seguido por um de seus mecânicos – João Mariano – que começou como faxineiro na Willys, mas mostrou tanto interesse que acabou aprendendo mecânica e tornando-se uma espécie de braço direito de Greco... a ponto de ter trocado a graxa pelo laço e tornar-se um boiadeiro na fazenda. 

 

A família ficou por praticamente sete anos afastada das corridas, mas como o “velocitococus” tem alta probabilidade de transmissão por via sanguínea, os filhos não escaparam do desejo de correr e foi o mais velho dos garotos – Fabio – que despertou novamente o desejo de ir para as pistas em Luiz Antônio Greco.  A volta foi em 1983, mais uma vez para correr com carros da Ford no então campeonato brasileiro de marcas e pilotos no ano seguinte.

 

 

De volta do "exílio" no Mato Grosso, Greco voutou para São Paulo e para as competições. Logo sua equipe dominava. 

 

Havia um pequeno problema neste reinício: a Ford já tinha uma equipe oficial de fábrica e Luiz Antônio Greco teria que procurar um esquema alternativo. Além deste, havia uma questão doméstica: o desejo de Fábio em correr na equipe. Talvez este tenha sido o mais fácil de ser resolvido... com a sua característica “voz de trovão”, Greco falou para o filho: “Se você quer correr, vai ter que mostrar que pode correr na equipe. Vai ter que andar rápido. Se não acelerar você não corre, vai ser um empregado da equipe como outro qualquer!” 

 

Como a competência era produto em abundância na equipe, bastaram quatro etapas para que os carros da equipe de Luiz Antônio Greco estivessem andando na frente dos carros da equipe oficial de fábrica. O presidente da Ford na época mandou chamá-lo para fazer uma proposta: assumir também a equipe oficial e dobrar seu efetivo, ficando com quatro carros e oito pilotos, além de toda a equipe de mecânicos e – claro – o orçamento dedicado ao projeto. Greco aceitou! 

 

 

Com competência e conhecimento, Greco assumiu a equipe oficial de fábrica logo em seguida. O título era uma questão de tempo. 

 

Para o ano de 1985, com um trabalho iniciado no ano anterior e melhor planejado, Luiz Antônio Greco optou por ter apenas 3 carros no campeonato... e dominou a temporada de forma incontestável. Era cena comum ver os três Escorts largando nas primeiras posições. Das oito provas disputadas foram 6 vitórias e o prazer especial de ver seu filho – Fabio – sagrar-se campeão ao lado de ninguém menos que Lian Duarte. 

 

Para 1987 as coisas mudaram... mudaram muito... e para Luiz Antônio Greco mudaram para pior. A Ford e a Volkswagen fizeram uma espécie de “fusão regional” e criaram a Autolatina, uma empresa que iria gerir os negócios das duas montadoras na região. No brasileiro de marcas e pilotos a equipe fundiu-se com a equipe da montadora alemã e, no final, Luiz Antônio Greco estava chefiando uma equipe que corria com Voyages. 

 

Greco sempre teve uma relação estreita com a Ford, desde os anos 60 e aquilo para ele era quase uma heresia. Ele nunca teve uma equipe na Stock Cars, que era uma categoria da GM e seus Opalas, que ele dizia não ser automóvel... que aquilo era taxi! Esta era uma outra característica típica de Luiz Antônio Greco: ele dizia o que pensava de forma direta, independente das consequências. Mas houve uma exceção: Na edição das Mil Milhas Brasileiras de 1986, em que ele chefiou uma equipe – a HG – com dois Opalas, que lideraram boa parte da prova, mas terminaram quebrando. 

 

Com a decadência do Brasileiro de Marcas e Pilotos, Greco partiu para a criação de uma categoria. A F. Uno foi um grande sucesso. 

 

A saída de Luiz Antônio Greco e sua equipe do campeonato brasileiro de marcas e pilotos no ano de 1991, quando o campeonato já estava no fundo poço, em grande parte por conta dos efeitos da fusão que criou a Autolatina. Contudo, Greco ainda tinha combustível no tanque para queimar e no ano seguinte, partiu para um projeto de tremendo sucesso. 

 

A FIAT, que havia deixado as competições alguns anos antes tinha modernizado sua linha de automóveis no Brasil e o Uno, seu carro compacto, já fazia algum sucesso nas ruas brasileiras. Luiz Antônio Greco, juntamente com Eugênio Martins, por quem Greco nutria uma grande admiração e respeito, muito além da amizade e que tinha um bom canal de comunicação da montadora italiana.  

 

 

Grids lotados, os maiores nomes do nosso automobilismo disputando as provas e uma categoria equilibrada. Fórmula de sucesso. 

 

Juntos, apresentaram um projeto para a criação de uma categoria monomarca, com baixo custo e acessível para os pilotos que estavam ficando “órfãos” com a agonizante opção do esvaziado marcas e pilotos e sem a verba necessária para correr na Stock Cars, que também sofria com um grid pequeno. Surgia a Fórmula Uno! Era a chance que a FIAT precisava para dar aumentar a credibilidade na sua marca no país, que ainda sofria de uma certa desconfiança por parte do público em geral.  

 

O trabalho de preparação seria na Greco Autocenter, empresa que Luiz Antônio Greco abrira em 1991 como alternativa à diminuição das verbas com a Autolatina e o marcas e pilotos. Assim, Luiz Antônio Greco trocou a sua posição de chefe de equipe para ser organizador de categoria, algo que nunca tinha feito, mas considerava-se apto a executar. Seu filho, Fabio, até deixou as pistas para trabalhar junto com o pai na empreitada. 

 

 

Ao longo de duas décadas, as marcas de suas equipes - Bino, homenagem ao piloto e amigo - e Greco são ainda referências. 

 

A categoria foi um sucesso! Na primeira prova foram 21 carros largando em Tarumã-RS com transmissão ao vivo pela antiga Rede Manchete (hoje Rede TV), uma forma de dar visibilidade à categoria, mas que na estréia, por conta de um jogo de tênis que a TV transmitia a largada foi postergada em 40 minutos (com os pilotos ‘cozinhando’ dentro dos carros) e a partir dali a categoria só cresceu. 

 

Na metade da temporada o grid já tinha 40 carros e Luiz Antônio Greco precisou segurar o número de inscritos porque não havia mais meios de logística para preparar motores, transportar carros e montar corridas para tanta gente naquele ano. No final co campeonato, a festa foi completa, com o campeão ganhando carro da FIAT e uma celebração em uma das mais badaladas casas noturnas paulistanas para entrar para a história.  

 

 

Em sua vida profissional, Greco envolveu-se de corpo e alma com seus projetos e sua família era uma parte importante do todo. 

 

O ritmo de trabalho frenético e a vida pouco cuidadosa com a saúde que Luiz Antônio Greco levava (era um fumante enveterado e não fazia exercícios físicos) fizeram “acender uma luz no painel” do comandante da categoria. Na etapa do Rio de Janeiro, em outubro daquele ano, ele deixou o comando da categoria nas mãos do filho, Fabio, e ficou em São Paulo sob cuidados médicos por conta de ter passado mal na semana que antecedia a prova. 

 

Terminado o calendário e com o planejamento do ano de 1993 em andamento, Luiz Antônio Greco já havia falado com o filho, Fabio, que estava cansado e pretendia tirar umas férias. Como os dois não poderiam se ausentar ao mesmo tempo, ele iria primeiro, com D. Nadir e os outros filhos, e depois, na volta, ele – Fabio – também tiraria um período de descanso. 

 

 

Greco e Nadir viveram um casamento de mais de 30 anos e seus filhos (Adriana, Fabio, Ornella e Marco) tem muito que se orgulhar.  

 

Luiz Antônio Greco seguiu para Miami, mais precisamente em Key Biscayne, nos Estados Unidos em dezembro daquele ano, na noite da festa da categoria, na qual ele nem ficou até o final. Perto da época do natal, ele almoçou com Emerson Fittipaldi e Raul Boesel, que corriam na Fórmula Indy. Depois do almoço, após uma caminhada, Luiz Antônio Greco disse a sua esposa que não estava se sentindo muito bem aquela foi a última noite de vida deste grande Nobre do Grid, que nos deixou em 23 de dezembro de 1992 devido a uma parada cardíaca. 

 

Seu legado será sempre lembrado por muitas gerações de pilotos que tiveram nele um mentor, um amigo, um líder e sobretudo um exemplo de dedicação, profissionalismo e amor pelo esporte a motor.

 

Fontes: Revista Autoesporte; Revista Quatro Rodas, Depoimentos de Fábio Greco, Adriana Greco e João Mariano; fotos do acrevo da família; CDO. 

 

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Last Updated ( Monday, 16 May 2011 16:21 )