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JL - O império dos Giaffone PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 27 December 2012 23:25

 

 

Distante poucas centenas de metros da Rodovia Raposo Tavares, uma das principais ligações da capital paulista com o interior do estado, no município de Cotia, engolido pelo gigantismo da maior cidade do continente, onde a Rodovia virou uma Avenida é o caminho para um exemplo de que se pode ter no Brasil um complexo capaz de produzir meios para se chegar a um automobilismo de primeiro mundo.

 

Sob a tutela de um dos mis importantes sobrenomes da história do nosso automobilismo, o da família Giaffone, um projeto começou. Inicialmente, no final da década de 80, José Próspero Giaffone, o Zequinha, começou a produzir karts: os ZF, com os quais seus Filhos, Zequinha e Felipe correram e que acabou investindo em uma vitoriosa parceria com a italiana Birel.

 

Uma vista geral da JL. São mais de 3.000 metros quadrados de área industrial com um alto nível de tecnologia... e no Brasil!

 

Apesar de produzirem um ótimo kart, era difícil conseguir chegar ao padrão de qualidade dos italianos e os componentes produzidos na Europa, mas os Giaffone aprenderam muito com a parceria que durou cerca de 5 anos, mas que acabou dando lugar a uma outra que alavancou a empresa dos Giaffone a um platamar talvez nem imaginado por eles.

 

Zequinha e seu irmão, Affonso, foram dois dos maiores pilotos da história da Stock Car, a maior e mais longeva categoria de competição do país. No início do ano 2000 a Chevrolet, empresa apoiadora da categoria, não via com bons olhos o uso do ultrapassado modelo do Ômega nas competições e aí entrou o ex-piloto e empresário Carlos Col, que procurou os Giaffone com um verdadeiro desafio: construir o carro da temporada daquele ano.

 

Carlos Col foi a Argentina e comprou um projeto do construtor Edgardo Fernandes. Assim, o grande carro brasileiro é na verdade, argentino de nascimento. Construído o carro, de estrutura tubular, o mesmo foi trazido para o Brasil e entregue na JL para ser copiado e produzido em série. Zeca Giaffone e seus filhos tiveram três meses para produzir 24 carros... e conseguiram!

 

Zequinha Giaffone, o mais velho dos filhos de Zeca, deixou os karts e assumiu a carreira de empresário, "pilotando" a JL.

 

O novo carro usou ainda na temporada de 2000 o velho motor de 6 cilindros, mas seu design e método de construção foi a tal ponto inovador e atraente que a categoria deu um salto de qualidade. Isto poderia ser o suficiente para uma acomodação. Afinal, a fórmula deu certo. Contudo, a JL não dormiu sobre os louros da conquista.

 

Para o ano seguinte – 2001 – a categoria abraçou um novo pacote mecânico, que teria como estrela maior um motor V8, importado dos Estados Unidos, o que também exigiria um aprimoramento do carro como um todo. Mas o maior problema era a “fragilidade” dos motores, que tiveram um percentual de quebras elevado demais, surpreendente, uma vez que o motor não trabalhava no regime máximo de rotação e potência.

 

Entre as temporadas de 2001 e 2002 os motores foram abertos e examinados, sendo constatados os pontos que precisariam ser modificados para que os mesmos pudessem trabalhar com as condições da categoria (óleos, lubrificantes e combustível). Assim, deu-se a “tropicalização” dos motores.

 

Dentro da JL, pode se fazer um carro novo, reparar um antigo, corrigir problemas... o departamento de engenharia pode tudo.

 

O projeto original, de Edgardo Fernandes, foi utilizado até o final deste ano, como estrutura dos carros da Copa Montana e anteriormente nos Stock Light. Este projeto foi substituído por um de concepção da própria JL, mais moderno e com novos itens de segurança, estudados e desenvolvidos após o acidente que vitimou um piloto após uma colisão em T, na curva do café, em Interlagos.

 

A concepção do projeto argentino já era bastante segura e outros acidentes provaram isso, mas a JL buscou aperfeiçoar-se no quesito segurança e a estrutura dos seus carros seguem rigidamente o que está prescrito no Anexo J da Federação Internacional de Automobilismo, utilizando-se de materiais de alta qualidade e de um processo de construção rigidamente monitorado em todas as suas etapas.

 

A estrutura tubular dos carros da Stock Car é montada dentro da JL, em Cotia-SP. Os tubos de aço, produzidos pela Manesmann, multinacional com sede em Belo Horizonte, dona de altíssimo knowhow na produção de tubos. A especificação 41/30 garante aos carros a rigidez de impacto e torção, necessários a um desempenho para um carro de competição.

 

No almoxarifado, tem de tudo. dos tubos utilizados na construção das "gaiolas" até as menores peças. Não falta nada nunca.

 

Os tubos vem cortados milimetricamente, com corte a laser, da fábrica, conforme o exigido pelo gabarito de montagem do carro. Na JL, os mesmos são soldados para a montagem da estrutura tubular com soldadores certificados e especializados, usando eletrodos do mesmo material de construção dos tubos. Após a solda, as mesmas passam por um método de verificação de integridade conhecido como “contraste”, onde é aplicado um produto nas mesmas e, com uma luz de infravermelho verifica-se a integridade da mesma e, caso haja alguma falha, a solda é refeita. Depois de montado, o carro é todo medido dentro do ‘gabarito’ do regulamento técnico da categoria.

 

Os carros fabricados pela JL não passam por “crash test” como estamos acostumados a ler sobre os carros de Fórmula 1. Acontece que este tipo de ensaio não é obrigatório e devido ao seu alto custo, outras categorias de turismo também não o fazem. O que costuma ser feito é o teste em alguns componentes do carro e um “crash test virtual”.

 

O "noose box", montado e em detalhe (abaixo) vem da Itália e passa por "crash test", mesmo sem ser exigência da FIA.

 

Na parte dianteira dos carros da Stock Car resiste um componente de fibra de carbono, chamado de “noose box”. Esta estrutura, produzida na Itália, passa por um”crash test”, mesmo sem que haja uma exigência legal. É uma preocupação da empresa em relação aos seus clientes. Além do “noose box”, a categoria importa uma série de componentes para a montagem do carro da categoria, como o sistema de freios, a caixa de câmbio e o sistema eletrônico (PI).

 

Que o amigo leitor não pense que Carlos Col foi um louco irresponsável ao apostar numa fabriqueta de fundo de quintal que fazia karts “para consumo do mercado interno” para fazer os carros da Stock Car. A JL em 2000 tinha um quadro de mais de 50 funcionários, que ia desde o engenheiro responsável aos montadores. Pouco mais de uma década depois, a empresa mais que dobrou de tamanho e em seus mais de 3.000 metros quadrados trabalham mais de 100 pessoas, com um corpo de engenharia de 13 profissionais.

 

Os carros não precisam passar por "crash test", mas passam por uma espécia de testador de esforços que pode simulá-los.

 

As instalações da JL não deixam deixam nada a dever se comparadas as da mais famosa corporação do seguimento automobilístico do hemisfério sul, a planta de Oreste Berta. No impecável espaço de trabalho, encontramos três dinamômetros de bancada e um dinamômetro eletrônico igual ao que possui a Scuderia Ferrari, em Maranello. Além disso, a JL disponibiliza para qualquer equipe que queira alugar, um dinamômetro de rolo.

 

Em uma ala completamente separada, por razões obvias, pois as partículas podem contaminar facilmente a atmosfera e comprometer o trabalho de siderurgia e mecatrônica, está a seção de fabricação das peças de fibra de vidro, que segue estritamente os limites dos gabaritos e que as equipes tem que seguir e enquadrar-se quando fazem elas mesmas os reparos necessários em seus carros entre as etapas do campeonato.

 

Dentro da JL também são feitas todas as peças de fibra de vidro que os carros das categorias que produz utilizam.

 

Cada equipe tem duas opções quando vai buscar um carro da Stock Car na JL. Pode comprar só a estrutura (gaiola) ou o carro completo. Sempre que um carro sofre algum acidente, as equipes podem enviar o carro de volta para verificação, reparo, com a substituição de partes da estrutura ou mesmo comprar outro carro.

 

No início da temporada, todos os motores de todas as equipes são revisados, amaciados e aferidos em dinamômetro, sendo entregues antes do início do campeonato para que as equipes façam a montagem e seus testes de verificação individuais, uma vez que o regulamento da categoria não permite testes de pista entre os treinos.

 

Os motores são equalizados todo início de temporada e as equipes que quiserem, podem alugar o dinamômetro de rolo.

 

Cada equipe pode, sempre que achar que deve e/ou precisa, enviar os motores de volta à JL para uma revisão, em caso de sobreaquecimento, sobregiro ou desconfiança de perda de potência. Durante as etapas da categoria, uma equipe de profissionais da JL está sempre à disposição das equipes para buscar soluções para qualquer problema que venha a acontecer.

 

A JL parece estar sempre em busca de novos desafios e parcerias. No ano de 2010 foi mais uma vez encomendado pela VICAR um novo projeto, para um campeonato de marcas que trouxesse uma identificação do público com os carros que eles tem nas ruas. A empresa foi buscar, mais uma vez, inspiração na Argentina, no TC 2000, um campeonato que é um sucesso de público.

 

Entre os dinamömetros de bancada que a JL possui, um deles é idêntico ao que existe na fábrica da Ferrari, em Maranello.

 

Seguindo um modelo semelhante, mas coma as particularidades do Brasil, a JL construiu uma nova estrutura tubular para ser utilizada por todas as montadoras participantes do Campeonato Brasileiro de Marcas. Como a motorização seria única, com um motor preparado pela planta de Oreste Berta, o projeto do carro tinha que ser condizente com o conjunto mecânico inteiro. A experiência dos argentinos foi importante para os primeiros passos.

 

Além do trabalho nos carros das categorias que produz, a JL durante os anos de existência da Formula Futuro e do Mini Challenge, cuidou da revisão e condicionamento dos carros da categoria, mesmo não tendo sido responsável por nenhum dos projetos, o renome alcançado pela empresa deu aos Giaffone a confiança por parte da BMW e da FIAT para realizar este trabalho.

 

Durante seu tempo nas pistas, categorias como o Mini Challenge e a Fórmula Futuro tiveram seus carros cuidados pela JL.

 

E os desafios não param. Ao longo do ano de 2012, a JL trabalhou sem alarde em um outro projeto: um carro para ser a nova categoria de acesso para a Stock Car. Com a saída do apoio da fábrica, aliado ao fato de o carro ser um projeto de mais de 10 anos, era hora de mudar.

 

Um projeto concebido pelo departamento de engenharia da empresa produziu um carro de belo design, mais largo e estável que a pickup e com um apelo bastante agressivo. O motor será o mesmo V8 da categoria principal, mas com restrição de alimentação, o que limitará sua potência aos 350cv.

 

Para 2013, o novo projeto está no carro que fará a categoria de acesso da Stock Car. 100% novo e produzido pela JL.

 

O campeonato será chamado de “Campeonato Brasileiro de Turismo” e os primeiros protótipos já estão prontos para o início da temporada, que está previsto para começar junto com a terceira etapa da Stock Car, no final de abril, no autódromo de Tarumã-RS.

 

Que os Giaffone continuem crescendo mais e mais e dando orgulho aos que nela trabalham e a nós, que assistimos e aplaudimos seu trabalho.

 

 

 

 

 

Last Updated ( Friday, 28 December 2012 00:58 )