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A Lenda do Jegue Voador PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 21 August 2013 23:31

Nos anos 80, em Pernambuco, ainda  não existia o Autódromo Internacional de Caruaru e as corridas do campeonato regional eram disputadas em um pequeno circuito, de pouco mais de 1700 metros, bastante estreito e com curvas sem área de escape, instalado no que foi uma das diversas tentativas de desafogar o caótico trânsito da cidade: os estacionamentos rotativos.

 

Nestes locais os recifenses deveriam parar seus carros e tomar ônibus executivos, com ar condicionado, que circulariam pelas principais ruas da cidade. Uma boa ideia... não fosse, talvez, os locais escolhidos para a instalação destes estacionamentos, como o da Ilha Joana Bezerra e o da Avenida Agamenon Magalhães, ao lado de duas enormes favelas, o que gerava uma enorme insegurança para os potenciais usuários.

 

 

 

O “Autódromo do Recife” era na Ilha Joana Bezerra, ao lado da Favela do Coque, onde também foi o ponto de concentração para a missa celebrada pelo Papa João Paulo II e não era fato estranho ver pessoas – e até animais como cachorros e até cavalos – cruzarem a pista, exigindo dos Ases locais – Zeca Monteiro e Joca Ferraz – verdadeiros malabarismos. Eles talvez não contassem com que um “outro animal” para perturbá-los.

 

Disposto a quebrar a hegemonia dos campeões regionais consagrados, Rogério dos Santos não apenas estabeleceu-se no automobilismo pernambucano, mas – ao contrário dos anteriormente citados – partiu em direção ao sul do país e disputou alguns dos principais campeonatos de carros de turismo então existentes, com grandes performances e diversas vitórias. Nascia a lenda do Jegue voador!

 

Durante boa parte dos anos em que correu, o nosso novo integrante da equipe de colaboradores do site dos Nobres do Grid, Diego Freitas, ainda nem havia nascido. Foi no final de julho deste ano de 2013, passados pouco mais de 25 anos do sucesso do Jegue pelas pistas brasileiras que o nosso jovem Diego foi apresentado ao grande piloto de sua terra.

 

 

 

Fomos até o bairro de Jardim Atlântico, na vizinha Olinda, nos encontrar com Rogério dos Santos e conhecer um pouco mais sobre a sua vida, dentro e fora das pistas, além de conhecermos Rogério dos Santos Neto, herdeiro do talento da família e que começa a dar seus primeiros passos no kart.

 

Sendo o primeiro trabalho do Diego, eu fui junto com ele, mas apenas como um “fotógrafo metido”, pois acabei dando uns dois ‘pitacos’ na conversa. O mérito é todo do Diego, que mesmo sem nunca ter feito o que fez naquela tarde ensolarada de sábado, realizou um grande trabalho

 

Agora, vamos acelerar com o Jegue!

 

Grande abraço,

 

Flavio Pinheiro - Editor

 

NdG: Êta... ok! Estamos gravando com Rogério dos Santos, o “Jegue Voador”!

 

RS: Vou deixar estes troféus e este pôster do Rogerinho por aqui só dando uma caracterizada em alguma coisa, quando vier em outra oportunidade vou fazer lá em cima, no escritório, uma galeria com os troféus e fotos da família. Esta foto do em Serra-ES. Ele foi para o brasileiro este ano. Ele tem esquema de kart aqui em PE, mas decidi contratar um amigo meu que tá morando em Serra, campeão, que já fez corrida comigo no Rio a gente ganhou e tudo... Era pra ser o nosso preparador exclusivo na cadete. Quando cheguei lá já não tinha mais exclusivo, tinha um cara lá parente de um deputado que já ia correr, aí eles dispensaram a atenção todinha pro cara “o homem é ele” os cabras foram no “cara” errado, aí sabe o que foi que aconteceu? Na hora de sair pra classificar o cabo do acelerador correu [...] sabe desses cinco aí, onde for tu vai atrás, que eu estou com a referência dos caras que ficam virando rápido ficam em trenzinho, no vácuo, aí quando a turma saiu... o cabo do acelerador tinha corrido, aí o mecânico correu, apertou lá... a Federação excluiu ele da classificatória.

 

NdG: Aí ele teve que largar em último?

 

RS: Largou em último, 38°. Aí no outro dia em 29º aí o cara disse que ele tinha que largar em último de novo.

 

Eduardo Pinheiro, pai de Rogerinho: Esse modelo do brasileiro [de kart] é complicado. Você não faz a tomada aí você tem que vir recuperando, remando vindo lá de trás...

 

NdG: Você também correu de kart, não? Naquele circuito do estacionamento do ‘Geraldão’ (Ginásio Municipal Geraldo Magalhães). No Joana Bezerra,você chegou a andar no kartódromo ou só na pista?

 

RS: Eu corri a pista mesmo, aí eu ganhava as três categorias e me expulsaram dali [risos], corria de Fiat, Passat e Hot Car, ganhava todas 3. Chamavam pro pódio aí eu ficava lá, o pódio era no final, geral né?! Aí eu subia em 1º... Categoria Fiat! 2º e 3º outros caras, Passat! Rogério fica! Desce 2, sobe 2... Hot Car também, era uma onda arretada!

 

NdG: Rogério, conta uma coisa, antes de partir para disputar as categorias nacionais, por quanto tempo você correu apenas aqui na região? Já te chamavam de “Jegue” por aqui?

 

 

 

RS: Eu corri aqui nos anos 80. Tive 12 títulos na região, entre pernambucano, NNE, fui pentacampeão da copa Fiat de velocidade e tricampeão do torneio NNE de Passat. Aí eu fui correr fora pra ver se eu era bom, ou se o nível da turma daqui era baixo. Aí fui pra lá, quando cheguei, logo na estreia, ia largar em 4º numa categoria que tinha 60 carros. Foi aí o finado Cardoso, me deu o apelido de “Jegue Voador” disse: “Ó chegou um Jegue!” Ele era uma figura do automobilismo.

 

NdG: Como era o nome dele mesmo?

 

RS: O Cardoso? Eu não lembro o nome dele... mas todo mundo chamava ele de Cardoso.

 

NdG: Ele era daqui? Pernambucano?

 

RS: Não, ele era do RJ. Era uma cara que ‘sentava no colo’ do presidente da VW pra você ver como ele era brincalhão. Aí ele disse: “Ó chegou um Jegue aí pra correr!” Porque dificilmente aparecia um ‘cabra’ do NE, aí “Jegue” porque era nordestino, mas a turma pensava que era jegue porque eu tinha um pau grande, mas não era não. [risos]

 

NdG: Isso tá gravado e vai sair na integra! [risos]

 

RS: Não, pode não, dá não! [mais risos]

 

NdG: Não, deixa, tem que contar!

 

RS: Aí quando eu larguei na frente ele disse: “É o Jegue, mas é o Jegue Voador” foi quando eu ganhei esse apelido. Depois, já em São Paulo, daí começou a vida do “Jegue Voador” lá. Corri muito tempo lá na [equipe] Milano na Copa Fiat, que tinha o Átila [Sipos], o [Luiz] Paternostro, o Xandy Negrão, a turma de peso, a nata do automobilismo...

 

NdG: Foi quando você mobilizou pra trazer a categoria[F-Uno] para Caruaru?

 

 

 

RS: Aí ficou correndo aquele movimento todo... a gente ainda tinha a pista do Joana Bezerra, aí depois o João Lyra [Neto. Então prefeito de Caruaru, hoje vice-governador de Pernambuco] construiu o autódromo de Caruaru porque foi provocado né? Porque iam fazer em Bezerros, aí ele disse: “- Não! Vai ter um autódromo no quintal de Caruaru?! Vou fazer em Caruaru!” Ele tinha uma fazenda lá, doou o terreno para a prefeitura, construiu o autódromo e nesse autódromo foi quando surgiu a oportunidade da gente levar a F-Uno, só que o pessoal não acreditava. Eu participava com o pessoal, o Ingo [Hoffmann], o Paulão [Gomes], estava sempre em contato com eles e fiz durante uns 4, 5 meses sempre conversando...

 

“- Mas Rogério rapaz...”

“- Jegue tu garante que a gente vai?”

“- Lá você não vai comer jornal não, meu amigo. Você vai ler o Jornal. O café da manhã e um café realmente. Você come cuscuz, vai ter macaxeira, inhame, vai ter um munguzá... pode ficar tranquilo!”

 

Então consegui fazer. Criar um formador de opinião, passar a ideia de vir.  Só que quando veio na oportunidade o [Fabio] Greco, que era filho de Luiz Antônio Greco, criador da F-Uno, que faleceu em 1992, inclusive foi ele que me colocou na categoria, me disse: “- Olha Jegue eu quero que você entre”. “- Eu não posso participar que eu estou participando na Marcas e Pilotos pela Ipiranga”. E era um compromisso muito grande que eu tinha, então eu não tinha como. Então ele me ligou e disse: “- Olhe eu estou mandando o 1º carro que está embarcando eu estou olhando embarcar o carro e é um carro “no prime” nº 46, Jegue Voador! E você vai ter de correr lá! E a corrida é em Guaporé! Pegue o avião ai e venha! Não venha de carro não!”

 

Porque ele sabia que eu andava muito de carro, nas doideiras. Cheguei em casa e disse a minha mulher: “- Olha, estou indo pra Guaporé, quer ir?” Aí ela disse: “- Vou!” “- Então faça as malas aí pra gente ‘arrastar’”. Pegamos uma F-1000 que eu tinha turbinada, toda preparada e ‘arrastei’ pra lá.

 

NdG: Você foi de carro pra Guaporé?

 

RS: De carro pra Guaporé! 4400Km. Aí quando cheguei lá fui pra Encantado, cidade que eu tinha morado lá no RS, já por questão de corrida. Que em 1984 eu era da fábrica e em 1985 eu sai, não renovaram comigo. O espanhol que era o preparador fez um “migué” porque o carro quebrava, mas quebrava por causa da preparação mecânica, não era que eu quebrava o carro. Só andava na frente e carregava o “Coelho”, José Rubens Romano que até ele botou em uma revista da VW ele botou pra caçoar, um jegue um carregando um coelho, sabe?

 

Aí foi quando eu vim e o menino (Greco) disse: “- Vai ter a F-Uno em Caruaru!” “- Beleza!” Aí eu fui encontrei com Ricardo Albuquerque, a gente foi em Caruaru com o [Fábio] Greco e tal... depois o Greco foi embora pra São Paulo, e disse: “- Tal dia tem que ir no Recife Palace levar um cheque pra dar a Ricardo [Albuquerque]”, um compromisso da prefeitura e a gente esperou 12 horas no hotel e não apareceu e pessoa, que era o Moura, secretário do atual prefeito José Queiroz. O camarada 21:30 da noite não chegou, aí o Greco ligou e disse: “- Como é Ricardo, tá com o cheque aí, e o dinheiro?” Aí ele disse: “- Não, o homem nem apareceu! Só estou com o Jegue aqui, Rogério está comigo aqui desde de manhã, a turma tomou mais de 40 cafés aqui!” Aí o [Fabio] Greco disse: “- Então aborte que essa corrida vai pra Cascavel!” Pra você ver a história como é! Aí ele [Albuquerque] me disse que essa etapa iria ser transferida pra Cascavel. Aí eu pedi pra falar com o Fábio no telefone “- Fabinho, queria que você desse atenção a esse pedido que vou lhe fazer, e que seu pai atenderia com certeza! Eu quero que você confie em mim que o evento seja aqui! O que precisar eu vou ficar responsável.” Ele respondeu: “- Então você dê um cheque do que seria, na época, uns “R$ 90 mil” a Ricardo e R$ 12 mil em dinheiro amanhã de manhã, pode dar o cheque seu agora e amanhã você dá R$ 12 mil em dinheiro.” Para o que era eu não sei, só respondi. “- Então tá fechado! O evento vai ser em Caruaru!” Aí foi quando a gente divulgou mesmo, já tínhamos tudo certo.

 

Foi a maior vitória que eu tive no automobilismo foi trazer uma prova nacional aqui para o autódromo de Caruaru, foi quando abriu a pista de Caruaru pro Brasil inteiro. A Band apresentou Caruaru e tudo... foi um negócio arretado, de 1ª qualidade!  Fiquei com um Alfa-Romeo 0Km carregando os pilotos, principalmente os que eram formadores de opinião. Fechamos um boate lá e levamos os caras na boate. E esses “R$ 90mil” eram só para garantir a hospedagem, passagem de avião. Só que eu fui atrás de gente que eu nunca pedi. Fui atrás do Cleso Callenberg, que era secretário de esportes, fui atrás dele pra ele conseguir as passagens. Aí ele deu 98 passagens. Fui atrás de Frederico Lopes pro hotel, ele deu não sei quantos apartamentos... aí resumindo a história, o prejuízo [financeiro] foi de R$ 5mil. Mas não foi prejuízo, foi um grande lucro que a gente teve. Com isso aconteceu o evento que até hoje eu tenho o orgulho disso. E daí surgiram vários pilotos. Bruno Santos, que é o meu filho, que correu na Stock Car, na [Copa] Palio, depois na Inglaterra, só que eu fui errado né? Na época era pra eu ter ido, se tivesse naquela época a internet do jeito que é hoje, eu teria ido pra Itália com o Titônio Massa, que é o pai do Felipe Massa e é amigo meu, corria na VW e ele corria paralelamente, que ele não foi piloto oficial, mas a gente tinha muita amizade. Aí ele me disse: “- Mas Rogério, se você fosse pra Itália a gente tinha ido junto. Inclusive a gente poderia ter dividido uma casa, ou alguma coisa assim”. Mas fui pra Inglaterra com Bruno.

 

 

 

Aí o Inglês “deu no gogó”... cheguei lá pra correr de F. Swift quando eu cheguei lá, olhei, era um carro esquisito... que eu conhecia o Swift por foto, televisão... aí perguntei: “- Good Car?” o cara disse: “- Good!” Era um ‘Jamun’, só que quando eu cheguei em Brands Hatch tinha 38 carros inscritos. 36 Swift e 2 ‘Jamun’. Um era de Bruno e outro era da fábrica, o cara [outro piloto do 2º Jamun] já “de barba”. Aí eu fui passar 15 dias, fiquei 5 meses com ele, fiquei com medo de largar ele lá. Contratei um cara que era interprete, porque eu não falava nada de Inglês e os caras ficavam ‘mangando’ (gozando) da gente. Você nota quando estão ‘mangando’ da gente. Levei uns casacos da Ypióca, eu tive patrocínio da Ypióca durante 23 anos, né? Aí a turma pensava que eu era o dono.

 

O “Jeguinho” é que não pegou [patrocínio], porque a agora ela [Ypióca] foi vendida pra DIAGEO [fabricante do Johnny Walker], mas quem sabe pra o futuro... qualquer dia eu vou lá na fazenda dele conversar com ele, porque ele ainda é o único destilador exclusivo pra aguardente, aí pode gerar algum apoio. [a carreira do neto de 9 anos no kart] Já que ele patrocinou durante tanto tempo. Rogerinho, o “Jeguinho” é neto, filho de Eduardo com minha 2ª filha. Ele também é Rogério, me deram essa honra de botarem o nome dele Rogério dos Santos Neto. Aí ele me disse:

 

“- Vôinho, seu nome é Rogério né, e o seu apelido é Jegue Voador né?”

“- É.”

“- Já posso ser o Jeguinho Voador?”

Ele andando de kart, aí eu disse: “- Você já é. Não pode ser não, você já é”!

 

NdG: Conseguir se destacar e mais, se estabelecer no cenário nacional saindo de uma realidade tão precária quanto a existente aqui em Pernambuco quando você começou a correr é uma vitória e tanto, concorda?

 

RS: Pra você ter uma ideia, estávamos passando uma fase agora muito pior! Que eu estou tentando levantar. Diego, você está convidado para ir à prova [2ª etapa do PE de marcas e pilotos, dia 01/09/2013], porque eu passei 2 anos fazendo aí eu me afastei, por causa da família. Eu tinha uma agendazinha, aí pegava a agenda e só “no vermelho” Aí meu filho disse: “- Ô pai, não estou correndo para o Sr. não ficar apertado, o Sr. está cheio de filho na pista, fica comprando carro, etc”. Fazia prova, apurava a inscrição e o que faltava [dinheiro pra organização do campeonato] ficava completando [do próprio bolso]. Agora criamos um site: http://marcasepilotospe.com.br estou vendo com Rodrigo Forester se podia ser “GP Forester”, “-Pode, desde que você pague a despesa mínima, não tem problema algum” outras pessoas se podemos mudar o nome para a ajudar na manutenção do site. E ele é fabricante de marcas esportivas, Rodrigo Forester. E estamos trabalhando para arrumar patrocínios. Aí ele me ligou e disse que iria botar o “GP Forester”. Para pagar pelo menos a despesa mínima que eu estipulei em R$ 12 mil. Aí ele vai entrar com essa grana. E o patrocinador usar a área que quiser, que eu vou lá e pago, porque fica arrendado o autódromo, né? Você [organizador/patrocinador] pode usar toda a área, aí estamos correndo atrás disso.

 

Meu genro também teve uma deia que ele viu um “jimmy fest” em uma reportagem em São Paulo, que o Átila Abreu estava participando, e o cara da Suzuki aqui é amigo meu, Aldemar Freire, liguei pra ele e ele está todo animado para a gente criar o “jimmy fest” aqui no autódromo, entendeu? Aí faz a inscrição lá na Imbiribeira (bairro em Recife), em frente à [concessionária] Suzuki, coloca uns brindes e tal...

 

NdG: - Para a pessoa andar de Jimmy lá no autódromo?

 

RS: Entre o retão e a reta dos boxes tem uma área muito boa, dá pra ter atoleiro e tudo. A gente dá uma improvisada, pega uma máquina antes se precisar fazer alguma mudança para agregar outras coisas. Para despertar o interesse da turma ir ao autódromo, porque não existe esse interesse, essa cultura por automobilismo.

 

NdG: Mas fazem lá os “Track Days”?

 

 

 

RS: É, mas isso aí é pelo fato de ser novidade no Brasil inteiro. É o que eu digo, isso é um negócio que é passageiro, entendeu? Daqui a pouco vai embora, baixa a poeira e acabou-se. Ninguém nem lembra mais. Então o que existe pra vida inteira desde que eu sou menino, digo desde o tempo que eu comecei a correr é o turismo, esse não tem quem acabe. Já inventaram muitas coisas... já correram de CTM lá no Ceará... isso tudo vai embora e ficam só os carros “de lata”, como chamam. Aí eu estou querendo inovar, botar Fiesta novo pra participar, ter Prisma, vir com outros carros diferenciados pra começar a renovar os carros e despertar o interesse da turma aqui, agora não é fácil não. Mas na próxima corrida acredito que teremos uns 21 carros. O que já é uma vitória. Largaram 16 na 1ª etapa, porque eu parei de fazer e tinha parado. Aí eu fui fazer no Ceará levantei lá, os carros “de lata”, começou a ter 18, 19, 20 aí me arretei com uns pilotos lá, voltei e estou trazendo de lá pra cá. Aí vieram [na 1ª etapa do PE] 2 convidados por mim correr e já garantiram a participação deles em dezembro, isso é uma coisa que ninguém sabe ainda, dia 08/12 com certeza. Porque eu iria fazer a Copa Nordeste, que eu fui o criador, essa ideia foi minha. Sempre teve, só que esse ano está havendo uma briga muito grande no Ceará por causa do regulamento e também dos próprios pilotos brigando.

 

NdG: A próxima etapa do dia01/09 seria valendo pela NNE?

 

RS: Não, vai ser somente pelo Pernambucano. Não vai ter a copa NNE este ano porque eu tentei várias vezes, falei com o pessoal do Ceará... eles estão brigando muito e não vai ter. Eu falei: “- Eu mando daqui agora uma carreta pra aí com 10 carros se vocês garantirem em dezembro para o dia 08/12”. Aí a gente iria em agosto agora, mas não deram nem satisfação. Encontrei com o presidente da federação cearense [Haroldo Scipião] agora em Serra [durante a etapa do brasileiro de kart] e ele disse que a briga estava grande por lá e ele quer copiar o regulamento daqui de PE pra lá no ano que vem pra igualar o regulamento do cearense com o regulamento do pernambucano, o que é o obvio, o lógico. O nosso aqui é dentro do nacional, a única coisa que muda são 20kg a menos de peso, que no nacional são 900 e aqui são 880, no “Turismo A”. O resto é tudo igual, até as rodas estou negociando com a mesma roda, iam mudar agora, mas os pilotos pediram porque já temos mudança dos pneus que estamos usando Pirelli, igual aos de lá, aí agora também estou obrigando 2 jogos pra classificação e corrida, para equilibrar mais. Porque tem cara com muito dinheiro e outros que não tem tanto, então vamos botar pneu novo na frente, classifica e corre as duas provas. E para o ano aí já estamos com tudo certo, Se tiver algum piloto meu que for correr ele vai correr em carro alugado lá, não quero que levar carro daqui, porque eu já levei.

 

Esse formato do Brasileiro de Marcas e Pilotos [Copa Petrobras], quem passou pra CBA está na frente de vocês aqui. O Cleyton quando assumiu ia ter o mesmo regulamento que tinha com o Toninho de Souza, o mesmo formato, com o campeonato no Brasil inteiro. Aí eu disse: “- Cleyton não entre nessa por que vai haver esvaziamento. Tem 10, 12 carros correndo, termina a corrida tem 6, 8 carros. Vamos fazer como foi a copa Fiat de Velocidade em 1978.” “- Como foi?”. Aí eu fui lá no escritório dele, ele aceitou e perguntou: “- O que é que você vai fazer?” Eu disse: “- Vamos levar 10 carros daqui, 5 do Ceará, 5 de Pernambuco, a CBA paga a carreta”. Fechamos na hora! Aí eu fiquei esperando os pilotos do Ceará, pra a carreta sair de lá, eu conheço todo mundo, pra mim a carreta sair de lá ou daqui é a mesma coisa. Uma carreta carrega os carros de lá e daqui e vai embora. Mas aí não apareceu ninguém pra carregar aí eu falei com um rapaz e só saiu daqui mesmo. Botei 4 carros na marra, peguei os caras e mandei pra Cascavel, aí foi naquela prova que teve em 2010, largaram 28 carros. Depois de um sucesso tão grande, mas nem houve reconhecimento, ninguém me disse nada. A ideia partiu daqui e evaporou. O ingrato é isso.

 

NdG: Hoje na última etapa do Brasileiro de Marcas, se não me engano foi assim no final do ano passado, ele pega 2, 3 carros de cada campeonato regional, com o custo de transporte financiado e os caras iam correr.

 

RS: Isso, a minha ideia era assim. Os 5 melhores de cada região.

 

NdG: Exatamente, aí São Paulo tinha em regulamento diferente e não foi, aí já esvazia bastante né?

 

 

 

RS: São Paulo tem uns 14 carros. Mas eles disseram que não iriam pelo fato de o regulamento ser diferente, em um a roda ser aro 13’’ e em outro ser aro 14’’, uma confusão da porra. Aí não deu. Mas a CBA tinha de ter uma determinação pra isso aí. Chamar o pessoal das federações...

 

NdG: E chegar em uma conta que fique mais barato e a partir do próximo ano  porque aí a gente faz e incentiva o cara que ganha conseguir da VICAR ser bancado pra correr o Brasileiro de Marcas com os carros bolha preparados com o motor do Berta. Mas, voltando novamente no tempo,  o automobilismo daquela época, final dos anos 70/80, ainda era mais forte o campeonato aqui do que hoje?

 

RS: - Era, eu tive patrocínio que foi me buscar em Fortaleza, porque aqui não tinha corrida e eu fui morar no Ceará. Aí eu corria lá, o Marcos Meira Lins mandou me chamar, um amigo meu me procurou lá porque queriam que eu fosse piloto da Meira Lins [Revendedor VW em PE], foram lá pra ver qual padrão [de vida] que eu tinha. E ele fez uma proposta irrecusável, aí eu voltei pra cá. Eu era pernambucano mas me profissionalizei no Ceará. Tanto é que o patrocínio que eu tive durante 23 anos foi do Ceará, a Ypióca. Aluízio Ximenes, da Five Star, foi um patrocinador que a gente negociou até com o Emerson Fittipaldi, o Emerson naquela época da Copersucar, fui buscar ele no aeroporto de Fortaleza, a gente trocou boné, dei a ele um da Five Star e ele me deu um da Copersucar, ele ia em um carro de bombeiros, não quis. Foi num Fiat 147 que eu fui campeão, levei o carro pra fazer o marketing, naquela época ninguém falava em marketing, mas eu já era “marqueteiro” aí o Emerson falou: “- Não vamos no carro do Jegue!” ficamos amigos e tudo... tanto é eu nunca pedi nada, mas se eu tiver um pedido pra fazer a ele é pra ele dar um empurrãozinho nele [na carreira do Neto “Jeguinho”], porque ele tem futuro, realmente.

 

NdG: Me diz uma coisa Rogério, dentro do site a gente tem no site uma série que chama-se Raio-X dos autódromos brasileiros. Onde em algumas matérias eu tive acompanhamento de gente local, temos no site várias pessoas trabalhando para o site em vários locais do Brasil e 2 na Europa, um em Portugal e outro na Holanda. E a gente fez o Raio-X de Fortaleza e vim fazer o daqui. O Pedro Manoel ainda é o administrador?

 

RS: É o administrador!

 

NdG: O Pedro nos mostrou o projeto da reforma, que estava tudo aprovado...

 

RS: Em R$ 28milhões.

 

NdG: 28?! Na época ele me falou em três!

 

 

 

RS: Não. Existem R$ 28 milhões aprovados na Caixa Econômica Federal, O engenheiro da Caixa é amigo meu e ele disse que tem o projeto lá aprovado. Que é pra fazer boxes, mudanças em toda pista, todo o asfalto de acesso às arquibancadas... tudo. E até uma passagem iria ter naquela BR [104], ele falou tudo pra mim. Que estava tudo aprovado, R$ 28 milhões.

 

NdG: Por que não sai?

 

RS: Ninguém sabe, fiz essa mesma pergunta a ele e ninguém sabe. É questão política e uma coisa até incrível porque o João [Lyra Neto] ele é o vice-governador e foi quem construiu o autódromo.

 

NdG: Mas o prefeito hoje lá em Caruaru é situação ou oposição?

 

RS: É oposição. E ele apoiava o [José] Queiroz até antes da eleição em 2012, quando eles brigaram.

 

NdG: Está explicado porque a coisa não vai, briga pessoal. Mas Rogério, o que você está mostrando pra gente é que você tem uma visão administrativa, gerencial da coisa. Por que o automobilismo brasileiro é tão mal gerido, de uma forma geral? Não é criticando o Cleyton Pinteiro, nem o antecessor dele o Paulo Scaglione, não é questão de nomes.

 

RS: Eu acho que a coisa não evolui por causa das federações. Essa mentalidade não é nem da CBA, que o pessoal meteu o pau no Scaglione, falaram do Cleyton... ele é uma pessoa que eu conheço a muito tempo, foi presidente da federação durante muito tempo. A federação aqui promovia corridas o que é uma coisa dificílima de você ver que era promover corridas. A maioria só faz supervisionar. A federação pernambucana durante muito tempo promoveu corridas aqui, na época do Paulo Sérgio Macêdo que era no Joana Bezerra, o Cleyton Pinteiro que já era o presidente da federação, teve essa evolução todinha aí e ele sempre esteve no automobilismo. Agora o pessoal falar, criticar é a coisa mais fácil do mundo e elogiar é dificílimo. Porque os erros todo mundo está vendo e os ‘cabras’ acertar ninguém vê. É a coisa mais certa. Eu tenho um exemplo mesmo comigo. Eu fui piloto da VW durante 5 anos e toda vez a gente andava na frente, sempre andávamos na frente e perdi 3 títulos por causa de equipe. Comprovado que eu perdi por causa da equipe mesmo. O chefe da equipe deu um sinal pra mim em Tarumã como que tive pedindo pra troca de pilotos, porque tinha faltado energia, o placar não acendeu. Aí quando eu parei no box tinham os 2 Escorts da Greco e no meu box estava o carro do Amadeu Rodrigues/Paulo Judice da Malt90 que nem oficial era sendo atendido no meu box, que era o oficial de fábrica. E a diretoria da VW estava todinha em cima, aí viram tudo. Aí o Bob [Sharp] disse: “- Não Rogério, a gente viu aí que o erro do Igor foi uma coisa primária, isso não existe, você ficou entalado. Todos entenderam que era pra você entrar no box.” Mas ele [Igor] estava me perguntando como estavam os pneus, porque a pista era abrasiva e se dava pra dar mais 2 voltas. Isso em 1986, eu fui vice-campeão brasileiro. Em 1987 a dupla era eu e o Ingo [Hoffman] e a gente era imbatível, porque eles fizeram uma dupla que era considerada imbatível na Volks que era Ingo Hoffman e Claudio Girotto, aí eu combati tanto eles com o “Coelho” [José Rubens], que era um piloto “B” que eles viram que o cara certo pra andar na frente era o “Jegue”. Aí o Ingo foi correr comigo, foi quando ganhamos 2 ou 3 corridas e a fábrica fechou com a Enchebrás aí o japonês exigiu que fosse eu e ele pra a gente desenvolver o turbo. Passamos 4 dias no Rio de Janeiro lá em Jacarepaguá, usamos mais de 20 turbinas G-21, aí eu disse pra o Luizinho que o carro seria difícil pra andar até com aspirado, pelo tamanho pequeno da turbina não ia dar, mas eles insistiram e fomos pra Cascavel e lá os aspirados na frente da gente e o Ingo já com uma “tromba”, falei com o Pedro Muffato e um baixinho que fazia o carro dele, me fugiu o nome agora... conversei com ele e o “Cabide” que havia sido mecânico do Muffato também, aí eu perguntei a ele se a gente podia rebaixar o cabeçote dos motores e ele disse: “- Na hora! Vamos na oficina do Muffato e a gente tira.” Aí falei com o Luizinho, engenheiro da VW que estaríamos em uma situação dificílima com o carro turbo, a turma da Enchebrás iria vir todinha e a gente andando atrás dos carros com motor aspirado. “- O que é que tem ali de taxa?” Ele olhou pra um lado e pro outro como fosse um segredo e disse: “Tem 8,5 de taxa.” Eu disse: “- Vou tirar o cabeçote e vamos dar uma rebaixada.” Ele autorizou, a gente fez o rebaixamento, trocamos o comando [de válvulas] o carro no outro dia estava em condições de andar com os turbos, aí deu uma melhorada grande, mas a gente perdeu o campeonato. Na época tínhamos 6 carros de fábrica patrocinados pela Cofap, que era um co-patrocinador da fábrica e o Toninho da Matta/Gunnar Volmer corria pela HG e não era oficial de fábrica e foram campeões. Aí a HG colocou na entrada de Interlagos: “A quantidade não vence a qualidade”. Quantidade: 6 carros de fábrica oficiais Cofap e a HG foi campeã com 1 carro.

 

 

Tem coisa que marca e isso foi aí foi uma coisa que me marcou mesmo e é uma preocupação que tenho, e passei esse caso com ele [o neto Rogerinho] agora em Serra. Pra me livrar um pouco do compromisso de pista, de fazer o kart, que eu tenho um menino como conversei aqui, tenho um mecânico já de muito tempo aí vi que não levava a nada. Como eu conheço muito de mecânica, que eu tive de partir pra mecânica, porque eu sofri muito. Pagava e os caras enrolavam, aí eu estudei e botava lá na frente. Hoje me tornei um grande acertador de carros e faço tudo, sei fazer motor e tudo... só não sei montar câmbio. Agora negócio de suspensão, se eu botar a mão anda na frente. Aí agora no caso de Serra: “- Não Rogerinho vou pegar o James que é um amigo meu que tem a HP Competições em Serra, já falei com ele e você vai ser o piloto da Cadete.” Quando a gente chegou lá tinha um menino chamado Igor Simon, o pai dele era o dia todinho olhando o carro, só podia mexer no carro do filho dele. Ele [Rogerinho] ficou sem mecânico, eu fui o mecânico. Eu não ia ser mecânico, ia fazer a estratégia de corrida dele, terminou prejudicando e ainda teve a negligência deles que o kart sofreu a quebra do cabo do acelerador e ele largou 2 corridas no final do grid e depois ainda largou na final em 19º. Que ele é danado! Largou só olha pra frente, aí foi se envolveu numa enroscadinha, porque ele é muito afoito, aí eu disse: “- Vai com calma!” Eu expliquei a ele: “- Você faz uma curva de alta e tem uma de baixa aqui pra esquerda que é onde você tem que tangenciar e olhar.” Porque os caras não olham e quando ele entrou os caras botaram e eles ficaram enroscados.

 

NdG: Naquele tempo da Joana Bezerra você também preparava os carros dos concorrentes não é?

 

RS: Isso, dos concorrentes também e se não andasse eu sentava e virava tempo. Não tem esse negócio de carro acertado pra Fulano, Cicrano ou Beltrano. O carro tem um setup que ele é rápido, aí o piloto tem que sentar e ele virar. Aí os carros hoje estão virando... você vê o Vectra, o carro tem um setup que é rápido. Mexeu uma besteirinha a mais, pode ser Vectra ou outro não vira. Então o cara tem que sentar e tem que virar não tem essa de o carro ser feito para o estilo do piloto isso é conversa.

 

NdG: Mas não tem a questão de um cara gosta mais do carro saindo de frente, outro que gosta mais...

 

RS: Sim. Ele gosta, mas não pode gostar. Ele tem que sentar e gostar do setup que o carro virar rápido, entendeu? Aí ele tem que ter um estilo de pilotagem, aí é diferente. Um cara que tem o estilo de pilotagem que o carro é dianteiro e se não vier com a traseira abanando não vira tempo. O carro de tração dianteira já vem com a traseira desenhando e você vem corrigindo e solta o carro em linha reta. Já tração traseira você não pode deixar ele saindo de frente. Se for “traseiro” roda. Tem que deixar ele um pouquinho perder a direção e você corrige. Mas esse negócio de piloto... isso não existe. Pedro Manuel, o administrador de Caruaru, outro dia, quando cheguei no autódromo, me disse: “- Tu vira tempo aqui  porque tu anda aqui direto!” “- Eu ando direto? Vou fazer uma coisa que ninguém fez. Vou dar uma volta ao contrário na pista, fica aí olhando!” E fui dar uma volta no [sentido] horário e no anti-horário pra ver a diferença. Deu 0.6s de diferença em duas voltas que eu dei. [risos] Nem “lavadeira” tinha pra apoiar.

 

Aí, em 1987, voltando a história do “tricampeonato” consecutivo que eu perdi com o Ingo [Hoffmann], que seriamos campeões tranquilos, não tinha briga entre eu e ele, não éramos concorrentes. Porque o Girotto brigava com ele, quando o Girotto saía e parava tinha que botar 4 pneus pro Ingo sair, senão ele não saía, ou vice-versa. Mas a gente era companheiro, somávamos nossas forças pra combater os outros adversários. Você é rápido eu sou rápido a gente não precisava ficar mostrando um pro outro. Mas aí perdemos por causa das estratégias e porque botaram a gente pra desenvolver o turbo. Aí no outro ano foi turbo, a fábrica [VW] saiu das competições. Bob Sharp me ligou no final do ano, eu aqui [em Pernambuco] e disse: “- Ô Rogério a fábrica não vai estar mais em competição. Estou lhe avisando logo pra você se prevenir aí.” Aí eu convidei o Ingo [Hoffmann] pra formar uma dupla com ele, mas ele tinha fechado com o Gunnar [Volmer], que nem andou. O carro era tão rápido que ele não teve condições de andar. Dava 270Km/h em Interlagos na pista antiga, 264 no radar pega ele chagando na Curva 3, 242Km/h na cronometragem. E com roda de 6” não é esses Stock Car de hoje com roda de 10”, aro 18 que é só o cara apontar na curva e mudar a alavanca, ali era rápido e era carro pra separar os homens dos meninos.

 

NdG: Fazer as Curva 1 e 2, cravados... entrar naquela inclinação da 3, sair da 4 e ir pra Ferradura...

 

 

 

RS: Tarumã... naquela Curva 1 de Interlagos só tinha 3 caras que faziam ali e não tiravam o pé. À noite naquelas provas de longa duração, 12 horas... largavam à meia-noite 70 carros chovendo que o limpador do para-brisa não dava conta. Teve uma prova lá que o Toninho da Mata pensou que só estava ‘chovendo só no carro dele’ quando eu passei por ele. “- Só está chovendo no meu carro, no do ‘filho da mãe*’ do Jegue não tá chovendo não!” [risos] Meu irmão correu uma vez com o [Egídio] Chichola que eu passei tudinho por fora na Curva 2 e vinha “navegando” com o carro e aí lá na “calçada”. Vinha água do kartódromo e você apagava o motor, vinha “remando” e depois ligava o motor e ia embora. Era cacete, cada chuva arretada! Hoje em dia qualquer chuvinha a turma não faz mais corrida. Hoje a turma não sabe mais o que é corrida na chuva. 

 

Aí quando eu fui no final do ano a fábrica [VW] saiu. Eu entrei em 1988, liguei pra todo mundo e todos já fechados e eu sozinho aqui em Recife. Aí eu fui lá no Rio falar com o Leon que estava andando com um usineiro de Campos e ele tinha uns carros turbo Passat aí eu fui lá. Quando cheguei a equipe estava parada, fazia uns 40 dias que não aparecia ninguém na oficina. Porque o usineiro tinha uma pessoa que era do meio automobilístico que era contratado por ele pra tomar conta da equipe e o cara deixou ele na mão. Aí eu fui lá na usina falar direto com o dono, fiquei de ir no outro dia, já estava de tarde, dormi no Hotel Monza. Quando chegamos lá no outro dia conheci ele batemos papo e eu fui convidar ele pra dar continuidade ao esquema. Aí ele disse: “- Olha, estou muito desgostoso com a pessoa que eu contratei, pensei que ia encaminhar as coisas direitinho, só tive aborrecimentos! Pra mim não interessa mais. Se você quiser eu lhe vendo, negociamos, fazemos um rolo aí.” Então eu disse: “- Então como é esse esquema aí?” Aí quando eu disse “esquema” ficou o nome da equipe “Esquema 3” porque tinha 3 carros, aí eu botei o nome de “Esquema 3” O dono era João, Deus o tenha, era um cara gente fina, mas tinha um vício [bebida], aí se ferrava, ele disse: “- Já é tua a oficina, como é que tu quer pagar?” Eu disse: “- Só posso pagar em 5 vezes!” Eu era piloto da VW ainda tinha um dinheiro mas não podia usar todo o dinheiro porque a fábrica tinha parado. Eu tinha um salário de US$ 20mil que a fábrica pagava na época e ainda tinha espaço no carro pra colocar patrocínio. Aí ele disse: “- Não estou preocupado com isso não, vamos assumir o compromisso aqui e você não vai me dar nada. Você vai começar a andar e me pagar em 5x, aí depois você diz como vai terminar de me pagar. A Esquema já é sua! Assuma os mecânicos, o escritório, tudinho!” Aí assumi a equipe, tinham 12 pessoas e metemos o cacete. Mandei um caminhão levar, quando o caminhão chegou lá era um caminhão de usina, “paliteiro” [risos] botamos os 3 Passats em cima, um quase caindo, levei logo 2, por que eu sou arrojado! Quando eu fui em 1978 correr de Fiat o único piloto que tinha carro reserva era Rogério Santos, isso em 1978, na copa Fiat de velocidade. Eu sempre tive um senso muito grande de responsabilidade, se eu patrocinado acabasse um carro eu tinha outro.

  

Quando eu cheguei em Interlagos estava a turma todinha na lanchonete. [Andreas] Mattheis... a turma toda lá, Mattheis com o patrocínio da Texaco. O caminhão quando entrou lá chamou a atenção geral. E eu com um “paliteiro” e 2 carros em cima! “- Esse cara é doido! O Jegue é doido!” Aí já era a “Esquema 3” eu botei os carros lá o 13 e o 33 aí dei umas voltinhas por lá... 3º tempo. Coloquei pouca pressão [no turbo], 1.3 [bar] de pressão e fui na lanchonete pra saber o quanto de pressão a turma estava usando, porque aí eu disse pra Josué que era meu mecânico: “ - Tu diz logo que está com 1.8 ou 1.9. A referência nossa é lá pra cima, perto de 2.” e a gente foi pra lá e a turma toda andando topada.  “- Beleza! Deixa a gente quietinho aqui. Do jeito que está andando aqui a gente vai correr, não precisa mexer em nada, que a gente não pode quebrar, temos que chegar no pódio nessa corrida! Se ganhar aí é Deus iluminando mais ainda a gente.” Aí eu ganhei a corrida e terminei 28s na frente do 2º colocado, passei 32min pra chegar no pódio, a imprensa, todo mundo em cima... liguei pra Cofap, ela já tinha 13 carros, aí não dava mais não. Liguei pra HG também não tinha interesse [em patrocinar], “- Agora eu vou usar o boné do Leon!” Peguei o boné dele “Leon Competições” e botei na cabeça. Gente que só a ‘gota serena’! Aí foi quando eu lancei a marca Autolatina para o Brasil inteiro. Me ligaram, Henrique Honda que foi daqui da VW e estava lá, e disse: “- O homem pra lançar a marca era Rogério!” Aí fizeram o lançamento no prédio financeiro da VW lá no Jabaquara [em SP], coisa mais linda! Aí eu já fui com carreta com tudo! Um carro ficou lá na frente e outro no salão, foi um negócio arretado! E eu iria ganhar todas as corridas, disse isso lá na fábrica! Mas aí a equipe lá no Rio, sem eu saber, pra melhorar fechamos com a Sprint turbo, que já estava trabalhando desde a 1ª corrida, só pra acompanhar no Rio e desenvolver na pista. Era US$ 4 mil, me lembro como fosse hoje do contrato que eu tinha com eles e eu pagava todas as despesas deles.

 

 

 

Aí fizeram um furo no mancal pra jogar óleo no pistão, 4 furos. Cada furo desse tinha 1mm. Quebraram 12 motores meus! E eu perdi uma prova em Cascavel que estava no bolso, ganha! O carro quebrando motor direto... pelo tempo que o carro virava dava tranquilo pra ganhar tranquilo toda corrida. Aí a gente sem saber o que era... “- Rapaz o que é isso aí [motivo das quebras]?” “- É a biela!” Fui lá na Volks e disse que era a biela. Aí mandaram fazer uma biela denominada “biela gorda” a fábrica mandou fazer. Aí botaram, fomos para Brasília, eu liderando a corrida e na entrada do miolo o acelerador pesou, não respondeu mais. O motor explodia e não ficava nem o bloco! Na preliminar da F1 em 1988 no RJ eu estava com o Retão todo na frente do Paulão [Gomes] quando o motor pipocou, abriu o capô... só tinha o virabrequim, bloco tinha sumido. O cabeçote ficava no lugar, mas o bloco de ferro fundido desapareceu. Era equivalente [o valor] ao de um carro Uno, um carro popular. O motor era o custo de um carro desses. Perdi 12! E o pior foi que perdi o campeonato. Que estaria ganho e pagar o prêmio que tinha, pagava um Uno, toda corrida, mas não ia me prejudicar. A gente muito bem estruturado, carro reserva, tudinho... todos os carros com macaco pneumático. Um negócio de cinema! Contratei uma equipe do Rio que filmou tudinho e eu perdi as fitas. Porque eu sou muito relaxado. Eu tinha 400 e poucos troféus, devo ter uns 140! Só em Joinville que joguei fora uns 30 e poucos troféus com minha mulher. Tudo amassado... não serve mais não.

 

NdG: Se serve de consolo, (que pra gente não serve) não é uma exceção, é quase uma regra! O pessoal não guarda nada! Seu Chiquinho Lameirão não tem nada, Seu Luiz Pereira Bueno não tinha nada em casa. Os únicos que tinham alguma coisa, que eu vi foram: Seu Bird [Clemente] e a Luiza, que foi secretária dele no tempo que ele era piloto e depois casou com ele cuidou muito bem. E Dona Ana Cristina Catapani, esposa de Seu “Tite” que transformou a garagem em um pequeno museu. Toda vez que eu me encontro com ela eu beijo a mão dela “- Santa Ana!” [risos]

 

 

 

RS: Eu tive mais de 80 carros de corrida se eu pudesse teria feito coleção e colocado todos em cavalete. Teve uns 2 que eu cortei no machado. 2 Mavericks, que eu comecei a correr de Maverick V8 em Fortaleza. Fui assistir uma corrida e eu era o campeão de rua, não tinha quem andasse comigo! Aí um cara chegou e disse: “- Tu não é o “Tal” na rua? Vamos ver aqui [no autódromo] agora!” Me deram um Maverick com uns 12 mil Km, um GT. Aí o cara da revenda que estava ao meu lado  tinha 2 carros de corrida disse: “- Se quiser fazer é com a gente mesmo! A gente leva agora e faz o carro!” Não pensei nem 2 vezes e fui. Quando eu vi o carro já chegou com Santo Antônio, arrancaram o ar-condicionado, tiraram as rodas “palito” colocaram rodas de ferro de Divisão 1, colocaram cinto de 4 pontos e eu cheguei em 4º! Eu disse: “- É meu ramo!” Aí eu endoidei! “- Tá vendo que não é só na rua!” E eu vi como era irresponsável, por isso hoje eu faço questão de dizer a todo mundo, minha mulher, minhas filhas, meu genro... quando você coloca um cara pra ser piloto é outra responsabilidade, o cara enxerga de outra forma. Meu filho nunca correu na rua. Eu não morri porque Deus não quis! Porque eu fiz muita loucura em rua, nunca matei ninguém nem me acidentei, mas vivi muitas situações difíceis, entendeu? Momentos que eu poderia ter me acabado e “O Homem” dava um toque e eu conseguia livrar. Porque tem horas que é coisa de Deus mesmo! Uma vez o cara tava ajeitando uma “banana” de um ônibus elétrico na curva em frente ao Clube Internacional, eu vinha lotado com um carro com “Caixa 3”, Webber 48 e vinha de cano cheio quando vi o motorista na traseira do ônibus que ficou do tamanho de um paredão. O rapaz que vinha comigo ficou doente por 2 dias, deu um negócio nas pernas dele que ele adoeceu! [risos] Passou 2 dias que ele não se levantava. Pense no medo que o ‘cabra’ passou...

 

NdG: Agora o você esteve com o seu neto lá no kartódromo de Serra. Viu o que aconteceu lá em Fortaleza agora no Brasileiro [de kart]?

 

RS: Vi!

 

NdG: Lá em Serra, na 1ª etapa aconteceu algum problema de ordem estrutural?

 

RS: Não. Nenhum. Pra não dizer que não houve nada, teve um palanque que desabou, uma coisa que não tinha nada a ver. Uma coisa de quem não tinha muita noção de estrutura aí desabou lá na hora que iam largar, teve um estrondo lá.

 

Eduardo Pinheiro, pai de Rogerinho: Inclusive nem foi da própria organização. Foi questão da TV Record News eles que fizeram a estrutura mal montada.

 

 

 

RS: Eu comentei lá, quando começou o “buxixo” de Fortaleza, que estavam trocando o asfalto, eu perguntei o porque de a 2ª etapa não ser em Serra. Dariam 1 semana de intervalo, quem quisesse ia pra casa ia, quem não quisesse ficava lá. Toda a estrutura estava montada e já faziam lá. Aí é questão política né? Você sabe. Interesses e tal. Eu até me surpreendi porque o cearense faz as coisas muito bem feitas. Eles quiseram fazer tão bem feito que não havia necessidade de colocar asfalto novo. Esse ano eu andei lá no kartódromo e eu que nem sou kartista, nunca tinha andado de kart, já tinha andado de indoor. Mas nunca pilotei kart profissionalmente e por conta de Rogerinho eu andei lá em Fortaleza, estava no autódromo e fui convidado pra andar lá com uns pilotos do campeonato de marcas que andam todo dia lá. Marcamos com a turma, larguei em 5º, tinha um esquema lá que os karts eram tudo alugados. O meu quase que não saía, tive que ser empurrado... vim embalando, com 3 voltas eu peguei a a ponta e ganhei a corrida. Teve um lá que saiu e nem falou comigo. [risos] Ele falou que ia dar um pau no “Jegue”, levou um cacete e foi embora. Eu nem conhecia os caras, mas eu andei em tanto canto que o povo me conhece, impressionante! “- Rogério!” Fiquei conversando lá com os mecânicos e quando olhei o cara já tinha ido embora.

 

NdG: Você andou no asfalto lá antes da reforma?

 

RS: Era abrasivo, a gente andou no kart de Rogerinho com um amigo nosso lá que o filho dele tinha interesse de andar, levei um “Techspeed” que ele começou de Mini, depois por causa de uma amizade que eu tenho com Renato a gente nunca teve nada da Techspeed, nuca pedi nem um desconto. Também não sei se ele daria, se eu poderia ser atendido em um pedido. Aí a gente insistiu muito nessa marca, o que eu levei pra lá andamos 2 dias e não vi nada alarmante de pista em relação aos pneus, entendeu? É como a pista de Tarumã que é extremamente abrasiva, no dia que asfaltarem ali se não fizerem bem feito... é complicado. Como Goiânia, que teve uma prova de Stock Car porque o Xandy Negrão mandou buscar cimento de aviação e colocaram durante a madrugada, curou com 3, 4 horas e teve a corrida. Acho que foi mais ou menos o que aconteceu em Fortaleza. Depois eu fiquei meio alheio das noticias quentinhas, mas graças a Deus estão desenrolando lá [Fortaleza].

 

 

 

Eu estava muito preocupado com essa imagem extremamente negativa que começou a acontecer, mas depois que realizar o evento abafam. O próprio resultado positivo do evento, dos pilotos que vieram e tudo já abafam isso aí, entendeu?

 

NdG: Estamos com um enviado lá. Essa está sendo a 1ª experiência do Diego como “colunista convidado”. É um trabalho que a gente faz por paixão. Correr para você foi meio de vida, claro, mas e a paixão? Como dosar uma coisa e outra?

 

RS: Tem que ter paixão realmente. Eu digo a ele [ao neto] todo dia: “- O cara pra ser piloto tem que gostar e amar a coisa e ter muita paixão mesmo!” O cara pode ter na hora da largada a melhor mulher do mundo e o cara dizer: “- Espere que depois da corrida a gente conversa.” Agora na hora da corrida botar o capacete e ir. Eu nunca corri pra ninguém, eu corro pra mim, nunca corria pra a galera. Tem cara que corre ‘pra se amostrar’, eu não. Corria eu, o carro e a pista. E acelerar tudo o que der. Sempre em classificação eu dava 5 voltas limite [para se adaptar] se o 2º acompanhar... Foi o que aconteceu uma vez com o Toninho Da Matta no Rio, F-Uno. O Xandy Negrão foi pole, eu fui 2º e Toninho 3º. Quando eu fui... “- Jegue, vamos ter cuidado aqui na hora de largar, depois vou te acompanhando.” Só que eu fui melhor, pulei na frente e olhei atrás vi que em 2º estava o Toninho Da Matta. Foi uma corrida extremamente competitiva, ele o tempo todinho no banco traseiro e depois a turma me perguntou: “- Jegue como que aguentasse a pressão dele a corrida todinha?” Na hora eu nem vi, mas realmente estava mesmo. Foi arretado! Mas esse negócio de deixar de dormir, deixar qualquer coisa. Eu deixo qualquer coisa por causa de corrida.

 

NdG: Na sua opinião, Recife ou a Região Metropolitana comportaria um outro autódromo fora Caruaru?

 

RS: Aí seria o meu sonho!

 

NdG: O meu também!

 

 

 

RS: Um dos meus sonhos foi terem realizado o autódromo de Caruaru. Porque lá 2 milagres aconteceram um foi comigo mesmo, eu fui curado de verrugas lá. Na época que eu estudava eu era o único aluno que usava manga comprida, porque eu tinha muita verruga. Surgiram de uma hora para a outra. Tirei em bisturi elétrico... a medicina não resolveu. Eu já ia fora do país e tudo. Meu pai muito preocupado, aí minha tinha Conceição morava na rua da Rádio Difusora em Caruaru, conversou com a minha mãe que lá tinha uma pessoa que iria me curar. Perguntou se eu tinha fé nessa cura e se eu queria ir. Fui lá Major Sinval, que Deus o tenha! Ele [Rogério se emocionou nessa hora] pediu pra que contasse o número de verrugas que eu tinha com uma caneta “Bic”, fui na casa da minha tia, anotei tudo aí ele me disse pra ir pra casa e que dentro de 15 dias eu não teria mais nenhuma. Ele apertou minha mão e me olhou bem nos olhos, eu vim embora e com 10 dias sumiu tudo. Então pra mim isso foi uma coisa de Deus através dele. E o 2º milagre em Caruaru foi o autódromo, que eu sempre me senti muito impotente na nossa região, no nosso estado de Pernambuco ter bons pilotos e não termos autódromo. Aí surgiu em Caruaru essa oportunidade. Agradeço ao Lyra [João Lyra Neto] até hoje, esse empreendedor [Lyra é dono de uma das maiores empresas de ônibus do estado] essa coisa que ele fez de ter construído o autódromo que foi uma das maiores vitórias que eu tive, que eu já comentei hoje de ter acontecido na minha carreira, de eu ter convencido o pessoal vir ter participado em Caruaru, o evento da F-Uno, criado por Luiz Antônio Greco, que foi um dos maiores nomes do automobilismo nacional.

 

NdG: Que é um dos Nobres do grid!

 

RS: Esse homem realmente, eu sempre tive muita admiração por ele. Ele foi o homem forte da Ford, correu de Maverick com Paulo Gomes, Bob Sharp, esses pilotos todos de expressão e ele fez de tudo para eu entrar na categoria [F-Uno] e eu entrei na categoria com uma vitória que foi uma coisa que eu fiquei muito feliz e ele também. E infelizmente “O Homem” levou ele no final do ano [Greco faleceu de infarto fulminante na véspera do natal de 1992] de criação da categoria, morreu nos EUA o filho deu continuidade até aonde pode levar, o Fabinho Greco. Ainda trouxe a Copa Palio, que no 2º evento em Caruaru em 1997, eu fiz pole e volta mais rápida e ganhei de ponta a ponta. Aí também foi uma vitória consagrada, em uma pista que eu achava extremamente importante eu ter uma vitória.

 

NdG: Você tem um contato frequente com o pessoal lá do Ceará?

 

RS: Tenho.

 

NdG: Quando nós estivemos lá em 2010 o Alexandre Romcy, sabe quem é?

 

RS: Sei!

 

NdG: A pergunta pelo Alexandre é porque ele nos mostrou um projeto lá pra Fortaleza de transformar o Virgílio Távora em um “trioval”, você chegou a ver esse projeto?

 

RS: Não! Não tive a oportunidade ainda de ver. É bem simples né?

 

NdG: Bem simples! Alargar a pista para 14m, fazer a “Dirce”, o “Desespero”, chegar ali naquela curva ali perto do muro, ali no túnel em vez de entrar no miolo passar reto ali, voltar pra “Dirce” e você vai ter um “trioval”. Muito interessante o projeto. Foi por isso que eu perguntei.

 

 

 

RS: Tenho muita amizade, muito respeito ao Romcy, as ideias dele aí dos protótipos dele e fórmulas. Ele inclusive se emocionou muito ano passado, quando eu estive lá na ocasião das 3 horas do Ceará porque estava pra não ter a corrida. E como eu tinha feito a copa NNE eu deixei 10 carros de Pernambuco lá para garantir que houvesse as 3 horas do Ceará. Eu disse: “- Não é possível que eu deixando 10 carros de PE não vai haver a prova.” Eu provoquei os cearenses pra que acontecesse o evento, dar uma força a eles, porque já havia 10 carros de Pernambuco inscritos. Isso foi muito relevante para que acontecesse a prova. Ele reconheceu isso e falou na entrevista, agradeceu muito e nem precisava, pois no automobilismo a gente tem que todo mundo estar somando e se agregando, que aí vem os resultados satisfatórios pra todo estado região e todo o evento nacional. O que é uma falha muito grande desse Brasileiro de Marcas e Pilotos que era pra pegar fogo, ter concessionárias envolvidas em todas as cidades como tinha antes aqui a Meira Lins, Sael, várias revendas... CDV do João Costa que foi incentivador apoiando o Zeca Monteiro, Joca Ferraz. E eu tive esse apoio muito forte da Meira Lins na época do Marcos Meira Lins aqui então isso eu não vejo mais e quero resgatar. Conversei muito com André Macêdo que é um piloto que participou da copa Corsa, é revendedor Suzuki, conversei com ele na F-Truck, ele tem o interesse de voltar a categoria e através dele ele se disponibilizou a ajudar com a agência dele e tudo e alguns patrocínios pra poder alavancar. Porque o Marcas e Pilotos PE crescendo, todo mundo vai crescer aqui na região. Os pilotos melhoram.

 

Tem muito piloto que não sabe nem formalizar uma proposta de patrocínio já passei muitas propostas. Quero que o site tenha uma proposta pra passar para os pilotos e poder encaminhá-los. E uma agência de marketing esportivo que eu estou muito entusiasmado agora, que apareceu agora o Rodrigo Forester que é esse rapaz do “GP Forester” ele está trabalhando muito nessa linha, ele já trabalha com futebol e tudo mas ele agora está direcionando a coisa agora para o automobilismo e foi uma coisa que eu tive com ele, ele já tinha a intenção, já tinha isso ano passado fazer uma cobertura e agora ele já está engajado com a gente pra fortalecer a ideia de criar patrocinadores para o evento. Convidar pessoas da imprensa e de fora pra apoiar a coisa.

 

NdG: Fora Pernambuco e Ceará tem mais algum ou alguns estados?

 

RS: Tem. Nossa região é muito forte e eu tenho até a liberdade de dizer que se a gente trabalhar certo e houver um movimento como estou fazendo agora com um “carro mula” que é um protótipo da categoria pra convidar pilotos para vir conhecer. Anda comigo, esse carro inclusive vai ter a “volta rápida” que são pessoas que se inscrevem no site, são 4 pessoas que irão andar comigo no próximo evento. Aí vão ganhar camisa e boné do Marcas e Pilotos PE e ele serve também pra o piloto vir andar e conhecer a categoria. Se tiver a necessidade a gente faz outro carro e disputa comigo pra o cara ter uma noção da coisa. E eu quero agregar pilotos da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e também do Ceará, entendeu? O cearense é mais complicado. Eu já convidei e tenho muita força lá e eles já me atenderam o convite e vem. Veio o Thiago Barbosa com o pai dele, já participou da 1ª prova desse ano e já garantiram a participação na última prova. Eles não irão vir nas outras porque coincidem as datas, o que eu acho um absurdo, coincidir 3 eventos de Pernambuco e Ceará, isso não existe!

 

NdG: Falta um pouquinho de cabeça...

 

RS: Exato. A gente lançou no site e fizeram o lá o calendário deles coincidindo com o da gente. Senão podia vir outras vezes, podia levar um piloto daqui pra lá e participar. Tem que ter a integração da região, se tiver a gente larga aqui com 45 carros. Vai ter de “imprensar” um pouquinho pra dar os carros na pista, eu tenho certeza absoluta disso! E hoje eu trabalho muito só, meu genro me apoia aqui, tanto ele como André, eles vão lá fazem o esforço e acompanham vão fazer cronometragem, hoje já temos cronometragem própria, estamos com ambulância, não é uma UTI no dia do evento a gente contrata uma UTI. Já colocamos uma sirene na entrada do box pra chamar a atenção, as vezes só um bandeirinha na entrada do box não chama. Estamos trabalhando e acredito que para o ano poderíamos ter um apoio da CBA, aproveitar pra dar uma cutucada no presidente Cleyton Pinteiro, é o estado dele né? Ele é natural daqui.

 

NdG: Mas o que eu falo assim por exemplo: você falou dessa integração entre a região a nível de automobilismo regional, mas em um evento destes de automobilismo regional no autódromo retorno para o patrocinador? O patrocinador estampa a marca dele lá no carro para ser vista. Aparece na televisão? Quanto vai de público no autódromo? Quantas pessoas veem a marca do cara que bota o nome dele lá no carro que está na pista. Seja o 1º ou seja o último? Como é que a gente atrai isso de fazer com que as pessoas tenham interesse de patrocinar e como é que a gente atrai o público pra assistir e a mídia pra mostrar? Como a gente faz isso?

 

 

RS: É tão simples, o mais difícil eu fiz. Quando comecei a correr em 1974 eu fui apoiado por um patrocinador que era um time de futebol, São Domingos de Alagoas. Passei 4 dias pra falar com o presidente do clube que era o finado Espinelli e no 4º dia ele me atendeu, tinham umas 18 pessoas na sala, na mesa de reunião dele que ele era um alto empresário e presidente do clube. Na oportunidade conversei fez tudo verbal, porque naquela época não se sonhava nem em fazer uma proposta pra levar pra pessoa. Fui lá, conversei e disse:

“- Eu quero fazer assim: A minha ideia é representar Alagoas, vou correr no Ceará o campeonato de Divisão 1 classe C [Maverick] e vou lhe garantir que chegarei entre os 5 primeiros, a garantia é essa!” “- O que é que eu vou ter de retorno?”

“- Já negociei com o “Jornal de Alagoas” e “A Gazeta”, eles vão dar a cobertura. Trazendo o resultado bom ou não eles irão me dar a cobertura. Vai ser de acordo com o resultado. Se eu pegar um resultado bom irei estampar meia página, chegando no pódio que é até o 5º, por isso que eu estou falando que até o 5º lugar eu vou trazer, porque eu quero meia página dos 2 jornais. E fui 4º”. Então eu fui lá, corri e houveram as matérias. Eu não fui notícia? Eu criei a notícia, não ia inventar! Fui lá trouxe o jornal “O Povo”. O piloto tem que se empenhar pra fazer jus ao que tem e ter um retorno para o patrocinador. Aí eu já fazia isso naquela época, hoje em dia você tem a internet, tem o site do Marcas e Pilotos PE, a gente vai ter um link que vai passar na internet.

 

 

 

NdG: E o site do Marcas e Pilotos PE terá seu link incluído no “Sites Parceiros” na Front Page do site do Nobres do Grid. Encontrar meios para fazer nosso automobilismo mais divulgado e forte, a gente faz. Aproveitamos para nos despedir por aqui. Já são 5 horas da tarde, você deve ter seus afazeres. O site dos Nobres do Grid, (à exceção do Diego e alguns outros que são muito jovens) é feito por gente mais velha, com mais de 40 anos e sabemos da batalha que é manter o automobilismo vivo neste país e estimular meninos como o Rogerinho. O que está ao nosso alcance, a gente faz! Muito obrigado pela recepção e nosso compromisso está assumido para o que vem por aí.  

 

 

 

Last Updated ( Monday, 26 August 2013 14:45 )